Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

domingo, dezembro 27, 2009

"Cleomar" no Sescanção

Tenho como grande amigo e parceiro musical o maior compositor de Sergipe, Gilton Lobo; como irmã, uma bela voz, Maynara Müller; como exemplo de luta pela vida, o amigo exato, de redação, madrugadas e violões, Cleomar Brandi.
Todas essas coincidências foram determinantes para que a música "Cleomar", composta em parceria com o Gilton, recebesse o prêmio do Sescanção. Além de apresentada no Emes, na voz da Maynara, é claro, vai abrir o CD do Sesc, que deve sair em janeiro.
A Gilton, Maynara e Cleomar só posso agradecer pelo privilégio. Decerto não sou merecedor.


Olá

Eu sou a boemia a lhe saudar
nas noites dissonantes
A lua dos errantes
As flores dos amantes
Hão de ser pra sempre belas

Olá
Quem sabe até a poesia seja eu
A pena dos poetas
Um copo de conhaque
Ao tom de luz vermelha
No colo de uma dama
Que diz que me ama
Eternamente, até o nascer do dia

Quem sabe eu tenha a madrugada
como confidente
E a saudade ao meu lado
como companhia
Meu coração, boêmio, é feito simplesmente
De verso, encanto, amor e nostalgia

Mas, se me chega um violão
Se me lembra uma canção
Meu coração, sala vazia
Convida a alegria pra dançar
E eu me apresento
Olá

segunda-feira, dezembro 21, 2009

O ano do Saci e da Cuca

Quando o Amaral Cavalcante, editor do Folha da Praia, ligou-me pedindo uma previsão para o futebol sergipano em 2010, aceitei o ‘desafio’ com aquele sorrisinho de canto de boca, típico de quem tem a certeza da vitória. Afinal, não é preciso ser a Mãe Dinah para prever o futuro do esporte bretão na terra do Motinha. Cartas, búzios, tarô, bola de cristal, Fala que Eu te Escuto, dízimo, nada disso. Diante de tamanho amadorismo, desleixo, irresponsabilidade por parte de quem faz o nosso futebol ou deixa de apoiá-lo, não titubeio em dizer que 2010 será igualzinho a 2009, 2008, 2007 e por aí vai.
Antevejo um novo ano repleto de velhos problemas. Arquibancadas vazias, dirigentes desorganizados, empresários desinteressados, jogadores com salários em atraso etc.etc. etc. O Confiança já contratou quase um caminhão de atletas desconhecidos; o Sergipe alguns outros; o Itabaiana viajou em pré-temporada para a Chapada Diamantina, numa tentativa de desintoxicar, mas isso não muda muita coisa. O filme tragicômico do Campeonato Sergipano, caro Amaral, será repetido, eu garanto.
O regulamento, sempre feito ‘nas coxas’ pela Federação, corre sério risco de apresentar inconsistências de datas ou regras obscuras. Normal. No âmbito nacional, as probabilidades de ascensão de um time sergipano, infelizmente, são remotas. Mas ainda vale uma fezinha, já que faz parte do ritual de um verdadeiro torcedor jamais curvar-se em desistência. Se o dinheiro do Confiança continuará ‘guardado’ em caixas de sapato, à disposição dos gatunos, confesso que tenho minhas dúvidas, mas prefiro acreditar que não, até porque qualquer centavo para um futebol à míngua é lucro.
Não obstante a mesmice, atenção: graças ao futebol sergipano, 2010 pode acabar se transformando em um ano cabalístico para a literatura brasileira, já que o Saci, quem diria, está prestes a unir forças com a Cuca. Caso isto de fato ocorra, o Monteiro Lobato que me perdoe, mas o Sítio do Pica Pau Amarelo não será mais o mesmo.
Saci, o Robson, atacante revelado pelo Sergipe e com passagens por equipes como Santo André e Fluminense de Feira, está de volta ao Estado, desta vez para vestir a camisa do Confiança. Se cumprir direitinho seu papel de matador, terá como aliada a Cuca do João Hora, bruxa horripilante que vive a deixar a casa do alvirrubro de pernas para o ar, e não é de hoje. Sorrateira, a Cuca vetusta – que pelo tempo já não deve apresentar mais os cabelos loiros da versão do Lobato, emperra o crescimento do Mais Querido e acaba sendo forte aliada do Dragão do Bairro Industrial. Não tem jeito. Ainda que existam homens de boa vontade no Sergipe, ninguém consegue pegar a danada.
É impressionante, mas quando tudo parece começar a melhorar no Vermelhinho, de repente desanda. Foi assim nos anos anteriores e, pelo visto, será também em 2010. Quem é o grande culpado? Para mim é a Cuca. E reparando bem, ela tem aparência de jacaré, que por sua vez deve ser parente distante de quem? Do Dragão!

sexta-feira, dezembro 18, 2009

?????????????????????


Por que tantos porquês?
Por quê?
Qual o porquê das regras fúteis?
Porque sou incompreensível?
Senhores gramáticos:
Vão à merda.
Ou vão a merda!!!

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Agacha, pega e come

Lixão na abandonada Kalil
Foto: Tarcísio Dantas/Jornal da Cidade


Maltrapilho, ele caminha a passos lentos em meio à podridão. De olhar arguto, curvado para baixo, perambula por entre as sobras. Não deixa passar qualquer réstia de subsistência impregnada de chorume. Aos 12 anos, o menino de Riachão do Dantas, a 99 quilômetros de Aracaju, a capital da qualidade de vida, segue os passos da mãe: é um catador.
Para o jornal ele é “Jonathan Silva”. Nome fingido, égide da pouca dignidade que ainda lhe resta. Para o Poder Público, não é ninguém. Mirrado e roto, transita cauteloso como um gato, astuto como um rato, farejador como um cão. Castigado pela fome e pelo sol, não titubeia diante do fétido e nauseabundo pedaço de carne – desperdiçado há um dia ou mais, por alguém de bucho farto ou paladar exigente, que desaprovou a comida. O menino não tem por que esnobar: agacha, pega e come.
“Jonathan” poderia estudar, vislumbrar um futuro. Mas seus sonhos estão castrados. Não quer ser piloto, nem médico, nem professor, nem músico, nem astronauta. Não quer ser nada. Matriculado na 4ª série de uma escola pública, engorda as estatísticas de um governo que contabiliza alunos como quem demarca gado. Arguido sobre a profissão que almeja, responde sem exprimir qualquer emoção: “Ah, sei lá. Qualquer coisa aí”.
Não percebe, mas já é tratado como qualquer coisa. Pela prefeitura, pelo Estado. O terreno onde cata o pão de cada dia; a tira de pano suja que vai aquecer o irmão mais novo; a cadeira quebrada que, com umas marteladas do pai, pode forjar conforto no casebre da zona rural, tudo compõe o cenário vergonhoso do definhamento da educação. Isto porque ali mesmo, onde “Jonathan” sobrevive como bicho, já funcionou uma escola, a Agropecuária de 1º Grau Dr. Nagib Leitune Kalil, construída em 1997 com verbas federais e que, sem motivo reconhecidamente plausível, fechou as portas quatro anos depois.
Dinheiro público foi entornado e o futuro de jovens como “Jonathan” também. A unidade educacional sucumbiu, tomada pelo matagal. Veículos transportadores de alunos perecem ao sol e ao sereno; carteiras formam entulhos; livros destroçados disputam espaço com esterco de animais. As salas de aula da Nagib Kalil transformaram-se em baias – reflexo do tratamento dado aos estudantes de Riachão.
O descalabro afronta, há mais de uma década, os direitos humanos e, em especial, os fundamentais da criança e do adolescente. Entre um prefeito e outro, a política da ‘vista grossa’ persiste, o espectro do descaso percorre corredores de secretarias municipais, estaduais e do Ministério Público. Encrua no gélido mármore que adorna as pomposas edificações da Justiça. Mesmo sabendo que “Jonathan”, todo santo dia, refaz o trajeto da insalubridade e, na luta pela vida, arrisca a própria vida em meio ao lixo hospitalar despejado na antiga Kalil, ninguém toma providência, ninguém move uma palha. Impassível, o menino retribui o desprezo. De olhar curvado para o chão, ele simplesmente agacha, pega e come.

terça-feira, dezembro 01, 2009

"Ecuassão simpres"

Um presidiário custa quase mil e seiscentos reais aos cofres do Estado por mês. Um artista de renome nacional, mais de cem mil por uma hora e meia. Um aluno da rede pública de ensino, míseros R$ 173,56 mensais. Daí que bandidos fazem escola, o piadista Renato Piaba é cidadão aracajuano e o empresário da Calcinha Preta, Gilton Andrade, é forte candidato a ganhar uma medalha de Honra ao Mérito na Assembléia Legislativa, por disseminar a “CUtura" sergipana em rede nacional.

Tirei dez?

segunda-feira, novembro 30, 2009

Para um editor libidinoso ou carente, pouco importa a editoria...


"Eu queria ser o banquinho da bicicleta, pra ficar bem no meio das pernas..."

terça-feira, novembro 10, 2009

Terapeuta ocupacional???!!!!

A partida é entre Brigham Young e Novo México, pela Liga de Futebol Feminino dos Estados Unidos. E a zagueirona do Novo México é a Elizabeth Lambert, uma estudante do 3º ano de Terapia Ocupacional. Quem se habilita a uma sessão????

P.S. - Elizabeth foi considerada pela imprensa espanhola como a jogadora mais violenta do mundo. Título mais do que justo.




domingo, novembro 08, 2009

Gordo na academia


A pior sensação do mundo é a de um gordo dentro de uma academia. Eu garanto. E não por que nos sentimos – nós, os fofinhos – ridicularizados, fora dos padrões e tal. Na verdade, sabemos que estamos longe dos padrões da estética da moda, dessas futilidades, bem como dos parâmetros de uma boa saúde – e é isto o que, atrelado à falta de tempo para a prática de esportes, nos leva a academia.
O que quero dizer, sem qualquer sintoma de complexo - e todo gordo que sente isso na pele há de concordar comigo – é que, naquele ambiente criado para o levantar e puxar de pesos, para o enrijecer de músculos, somente nós, os cinturinhas de ovo, parecemos normais, parecemos humanos.
Mulheres gostosonas, caras saradões e a gente ali no meio, feito alienígena, à procura de um outro alguém comum, recheado de estrias e celulites, que possa bater um papo sadio no plano das idéias, mas não discuta necessariamente a busca pela perfeição do corpo, suplementos alimentares, dietas, medidas e pesos, esses assuntos chatos que nenhum gordo suporta.
Perambular por este antro de músculos e deserto de gente na essência da palavra é torturante para qualquer obeso. Eu mesmo me sinto só. Estou matriculado na academia por recomendação médica, mas sou indisciplinado. Nem sempre vou e, quando o faço, já chego com vontade de ir embora. A cada exercício, os minutos se arrastam no compasso daquele som insuportável que, dizem, é próprio para academia: “tu-tsi-tu-tsi-tu-tsi-tu-tsi” na cabeça por cerca de uma hora, e quando não é isso, é axé music. Eu peço arrego!
Mas acho que faz parte do processo. Afinal, quem vai à academia, pelo visto, vai para contar, suar, queimar calorias, executar movimentos compassados e cansativos. Não vai para se preocupar com melodias ou coisas do gênero. Não tem tempo nem clima para apreciar um jazz ou uma música clássica.Talvez por isso, os aparelhos também não exijam nada além do esforço repetitivo e condicionado. Para fugir um pouco à regra, quando estou malhando, procuro pensar em outras situações para o tempo de tortura passar mais rápido. Como, por exemplo, os cafés da manhã aos domingos, no mercado central de Aracaju, na companhia de grandes amigos como o Cristiano Prado. Bom papo regado a macaxeira, cuscuz, inhame, ovo frito – famoso bife do zoião ou disco voador –, carne frita, do sol, de carneiro... Ah, se este exercício emagrecesse e mantivesse a saúde em dia!

quinta-feira, novembro 05, 2009

A lua do boêmio

Eis que a lua repousa sobre Aracaju em 04 de novembro de 2009, plena quarta-feira. Embebida na sensibilidade e talento do jornalista, poeta e fotógrafo Nivaldo Menezes, se mostra graciosa. À espera dos acordes de um violão, dos beijos, suspiros e sussurros dos amantes, dos goles compassados e melódicos da poetisa boemia. Sim, a lua espera o boêmio, ansiosa, pois sabe que que ele há de voltar. E enquanto espera, escreve a partitura do seu soneto da fidelidade.
Dedicado ao amigo, jornalista e boêmio Cleomar Brandi.

terça-feira, outubro 06, 2009

É do Brasil!

Fui fazer uns exames semana passada. Apesar de pagar R$ 227 por mês em plano de saúde, tive de bancar um dos testes solicitados pela médica, a vista. Segundo a atendente, o meu plano não cobria o o referido exame naquele laboratório, "por conta do preço". O valor do exame? R$ 35. Meu plano? É do Brasil!. Pagar R$ 2.724 por ano e ainda sair como otário? É do Brasil!!!

Pelo visto, "o banco que ajudou o país a sair da crise mundial" o fez às minhas custas.

domingo, outubro 04, 2009

Não à violência institucionalizada


A decisão do Juízo da 12ª Vara Cível da Comarca de Aracaju, que bane torcidas organizadas dos estádios Lourival Baptista, na capital, e Presidente Médici, em Itabaiana, pode até não ser uma liminar capaz de extinguir, por si, a criminalidade no futebol sergipano. Mas é passo firme no processo de lavagem moral das arquibancadas, tiro certeiro contra a absurda institucionalização da violência.
Todo integrante de torcida organizada é violento? É criminoso? Não, não é. Mas todas as guerras, tiros, facadas, pedradas, arrastões, mortes de jovens, lágrimas e dores de familiares escoram-se na rivalidade de tribos inconseqüentes e ostentam as insígnias dessas facções. A violência se fortaleceu, se caracterizou, se profissionalizou, e isso é o mais grave.
Ao longo dos anos, no entorno das quatro linhas que guardam o espetáculo da bola, surgiu um espetáculo às avessas, de horror. Com nome e endereço. Tripudiador a ponto de enfiar um belo de um nariz de palhaço à fuça da própria Justiça. “Fulano matou cicrano por rixa de bairro”, “Beltrano comprou a camisa da torcida, mas não era integrante, não temos como controlar”... Falácia! Ainda que diretores de organizadas jurem não incitar a violência, os escudos das instituições que administram foram transformados, quer queiram ou não, em marcas registradas da brutalidade irracional. Por mais que se diga que não, está lá, nas estatísticas e nos vídeos da polícia.
Daí a importância da proibição de grupos organizados e seus adereços nos estádios, ainda que seja lamentável ter de se chegar a este ponto. Lamentável diante do verdadeiro espetáculo que essas torcidas poderiam propocionar. Mas vidas estão em jogo. Após longa batalha do Ministério Público Estadual – e que não pára e nem deve parar por aqui – a Justiça parece ter cansado de assistir, passiva, à violência oficial, que se maquia toscamente, displicentemente, para sustentar um discurso fajuto de inocência. A Justiça, enfim, parece ter se exaurido daquela cegueira com um quê de fingimento. Bateu firme, no âmago da questão. Pegou de prima, na veia, meteu na gaveta.

segunda-feira, setembro 28, 2009

O mãozinha de pilão

Baseado em fatos reais

Valter Duarte e toda a moçada do boxe: ALÔÔÔ!!! TEM UMA PROMESSA DO PUGILISMO MUNDIAL À SOLTA EM ARACAJU!!! Seu nome é Mateus, um pimpolhinho de apenas seis anos e semblante inocente, mas capaz de nocautear qualquer marmanjo. Mentira? Brincadeira? Eu também não acreditaria, se um grande amigo meu não tivesse sido vítima do que já batizo como o ‘mãozinha de pilão’.
Quem é pobre como eu, sabe que vida de durango é difícil até na hora de honrar os compromissos. São tantos os boletos, que o sujeito se embanana todo na fila do banco, mesmo recorrendo aos bolsos e axilas para separar as dívidas mais urgentes daquelas que, inevitavelmente, vão ser empurradas para o mês que vem. E foi nesta situação, neste exercício de concentração e paciência, em uma fila do Banese, que meu amigo recebeu o golpe impiedoso do miúdo boxeador.
Enquanto somava os débitos e dividia o dinheiro, ouvia a voz da mãe do ‘anjinho’, aos berros: “PÁRA MATEUS! VEM PRA CÁ! FICA QUIETO, MENINO!” e coisas do gênero. Mal sabia o meu grande amigo que a inquietude da criança era justamente a sua natureza pugilista, que fervilhava. Para se aquietar, Mateuzinho precisava de uma vítima: e como escolhê-la? Pelo peso, é claro, nos ditames das regras do boxe.
Mateus, uma criança de seis anos; meu amigo, um sujeito de seus 30 e poucos, com mais de um metro e oitenta de altura, mas tão magricela que, certamente, empataria com o guri na balança. Dito e feito: sem medo de errar, o pestinha mirou aquele pau de macarrão prostrado na fila do Banese e POOOWWWW!!! Acertou-lhe um direto fulminante, lá nos ‘países baixos’. Os boletos, ordenados a muito custo, se espalharam pelo ar; o grandalhão caiu duro, com os olhos revirando e sem respiração. Nocaute, sem necessidade de contagem.
Você ainda não está acreditando, não é? Pois, se o mãozinha de pilão é invenção da minha cabeça, porque meu amigo baixou hospital, a sangrar pelo canal da uretra, e ainda hoje, duas semanas após o soco, senta com dificuldade, vive a fazer tratamento de gelo e está com a vida conjugal comprometida?
Pobre do meu amigo. Não pode ouvir o nome Mateus, nem por telefone, que se treme todo. Pediu-me, pelo amor de Deus, pra não revelar a sua identidade – súplica que eu, condescendente com a humilhação pública de quem levou uma sova de uma criancinha, acatei. Mas jamais deixaria de relatar essa história, até para que a turma do boxe possa caçar esse garoto que tem tudo pra se tornar um novo Popó, Holyfield ou Mike Tyson.
O alerta, é claro, vale também para os pobres que, assim como eu e meu amigo, vivem a mofar em filas de banco: se ouvirem uma mãe gritando ‘Mateus’, corram ou, no mínimo, protejam a região pubiana com as duas mãos, em posição de barreira de futebol. E se isso atrapalhar a arrumação dos boletos, paciência. O caixa do banco que se vire!!!

segunda-feira, setembro 07, 2009

Parceria com o Chico Buarque

Sim, eu tenho uma parceria com o Chico Buarque. Na verdade, fiz uma adaptação da obra do Chico para uma reportagem sobre a Festa do Jegue, que acontece todo mês de setembro, no município sergipano de Itabi. Também, pra fazer uma reportagem especial a toque de caixa, só mesmo contando com o auxílio luxuoso do Chico e do grande amigo Adolfo Sá, mente brilhante lá da Aperipê TV. O primeiro, na trilha sonora dos Saltimbancos; o segundo, na edição de imagens. Além disso, contei com as entrevistas produzidas pelo jornalista Fábio Lélis e a narração profissional do amigo - e também jornalista - Tiago Hélcias, que deu vida ao meu texto. As imagens são do Claudionor Santos.

O trabalho foi exibido na TV Brasil e, como já estamos em setembro, resolvi resgatar e postar aqui no boteco. Ah, e vale a dica: a Festa do Jegue será no final de semana de 20 de setembro.

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segunda-feira, agosto 10, 2009

Cordel na Era do "Brasil internético"

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Texto: Thiago Barbosa
Narração: Nino Karvan
Edição: Álvaro Müller

Futebol: balaio de gatos


A cadeia alimentar do futebol é cruel, todo mundo sabe. É dirigente comendo jogador – no sentido figurado da coisa, é claro –; jogador comendo dirigente, é um balaio de gatos dos diabos, uma bagunça. E tolo é quem acredita que só os cartolas estão no topo dessa cadeia. Nada... os metidos a espertalhões muitas vezes recebem bolas nas costas e ficam a ver navios, como um goleiro que acaba de levar um frango.
Taí o Cristiano Alagoano, que não me deixa mentir. O cara meteu no meio das canetas do Motinha e companhia, sem piedade. Na última segunda-feira, o atacante assinou contrato com o Sergipe, diga-se de passagem, na calada da noite; na quarta, a notícia explodiu na imprensa: Cristiano Alagoano é do Sergipe. Mas cadê ele???
A procura foi intensa. Repórteres, dirigentes do alvi-rubro, todos à caça do matador. Uma angústia que só teve fim quando o nosso querido editor do Líder!, Marcos Cabidelli, conseguiu localizar o dito cujo – através do telefone de terceiros – e, também por telefone, recebeu do Alagoano a informação de que não cumpriria o contrato com o “Gipão”, já que havia perspectivas melhores para ele em outros clubes. Em entrevista gravada, Cristiano diz ter recebido três novas propostas.
Ora, vamos e convenhamos: que o Motinha merecia esse contra-ataque, merecia. Pelo visto, o vetusto dirigente não é tão afeito ao profissionalismo – o Hugo Henrique, por exemplo, foi escorraçado do Sergipe depois de alcançar a artilharia do campeonato estadual. E, se não me falha a memória, quem a torcida colorada vaiou foi o Hugo Henrique, quando o centroavante estreou pelo Confiança, logo em seguida. Eu, hein! Coisa mais esquisita...!
Mas, sem perder o foco, o fato é que, pelas ações de Motinha, o Mais Querido, infelizmente, merece mesmo é o Cristiano Alagoano. Bem feito. Mas tão bem feito quanto teria sido com o Confiança e a diretoria de maior poder de compactação do futebol brasileiro e, quiçá, mundial. Ou alguém conhece outro caso de quem guarde a sobrevivência e, porque não dizer, o futuro do clube em uma caixa de sapatos?
Para alívio do Sergipe – afinal, futebol se faz de rivalidade –, o Dragão do Bairro Industrial também tem Da Silva, o atacante que assinou contrato com o alvi-rubro, recebeu o dinheiro e, logo em seguida, resolveu mudar de idéia e assinou também com o Dragão. Imagina um clássico em que o Da Silva jogasse metade do tempo em um time, e a outra metade em outro? Ah, essa eu queria ver. Seria mais um feito inédito do nosso futebol.
Apostando em Da Silva, o Confiança pagou ao Sergipe os oito mil reais que o jogador tinha recebido ao firmar o primeiro contrato. E ficou com o atleta. Mas aí vieram os salários atrasados e o Da Silva esmoreceu. Tempos depois afirmou, categoricamente, que não queria mais jogar pelo clube. Uma decisão que, coincidentemente ou não, veio com a saída do zagueiro Valdson. Mesmo assim, o Confiança preferiu se humilhar – como bom devedor – e permitir o retorno do funcionário que não queria mais trabalhar na empresa. Deu no que deu: Icasa x Confiança em Juazeiro do Norte, jogo decisivo, derrota acachapante e a amarga Série D. Sem a presença de Da Silva.
Quem tem a razão, Da Silva ou a diretoria do Dragão? Ao meu ver, ninguém. Esses são episódios de um futebol que insiste em subsistir no amadorismo. Da assinatura de contratos aos salários não pagos, do dinheiro ‘guardado’ em caixa de sapatos às ausências nos gramados, ninguém é inocente. E eu até entendo que jogador é pai de família e precisa receber, de preferência, em dia; que dirigentes tem dificuldade de arrecadar recursos, justamente porque a falta de profissionalização espanta qualquer empresa minimamente interessada. Aliás, a chave está justamente aí. É preciso ser profissional, pelo menos, em respeito aos tantos pais de família que vão aos estádios e sofrem com balaios de gatos como Sergipe e Confiança.

domingo, julho 12, 2009

Quero ser médico do Detran!





Álvaro Müller*


Excelentíssimos e intocáveis senhores ministros do Supremo Tribunal Federal: eu quero ser médico do Detran. Cansei, sabe, dessa vida corrida e mal paga, dessa lida de mestre-cuca das palavras, a burilar a receita da informação de qualidade para a construção da cidadania. Eu?! Quero mesmo é ficar rico sem trabalhar e sem estudar. E se o jornalismo não precisa de diploma – de acordo com a decisão dos senhores –, porque diabos o médico do Detran precisa?
Ano passado renovei a habilitação e fui obrigado a passar por todas as etapas desse engenho de emprego, renda e, sobretudo, dinheiro para os cofres públicos chamado Detran. Dentre os procedimentos, óbvio, fui submetido a bendita consulta médica. Processo rápido, eu e um ‘doutor’ de aparência jurássica e cara de desdém. Coisa de dez, quinze minutos ou menos.
Você fuma? Não. Bebe? Finais de semana. Usa drogas? Só cerveja. Tem problema de pressão? Não. Toma remédio controlado? Também não. Tem histórico de cardíacos na família? Não. Já fez alguma cirurgia? Já. Onde? No joelho. Hum... deixa eu ver sua pressão.... Parabéns, você está apto. Obrigado (filho da p...).
Confesso, respeitáveis e incontestes ministros, que saí do consultório me sentindo lesado. Afinal, paguei para me avaliar. E fiquei mais fulo ainda quando descobri que a prova teórica oferece questões de primeiros socorros dignas de um concurso para o Samu. Agora tá bonito... Enquanto o médico do Detran mede pressão – e com aparelho eletrônico, que fala por si –, eu tenho que dizer se devo ou não colocar uma vítima de acidente em posição de decúbito dorsal e o escambau. Tá certo isso, tá?
Nenhum exame me foi pedido e sequer fiz o famoso teste das vistas, aquele em que você repete insistentemente as letras do quadro em voz alta, feito abestado. Um absurdo. Imaginem os senhores, até minha mãe, que acaba de passar por cirurgia plástica para a retirada da pele que praticamente lhe encobria os olhos, teria deixado o Detran de carteira nova, apta a dirigir mesmo sem enxergar a um palmo do nariz.
É por isso, veneráveis ministros do Supremo Tribunal Federal, que eu peço encarecidamente: me deixem ser médico do Detran! Já trabalhei demais nessa vida! E, humildemente, faço uma sugestãozinha de nada, de um simples mortal: se o país está sem grandes problemas e a exigência de diplomas é prioridade na pauta do STF, os senhores bem que deveriam ter acabado a obrigatoriedade do diploma para médico do Detran primeiro, né? Ministros, pelo amor de Deus, a disseminação de informações de má qualidade compromete a construção da cidadania, mas uma ruma de gente dirigindo sem enxergar compromete a vida.


*Álvaro Müller é jornalista diplomado. E com muito orgulho!

Reality Shows. Porque eu também posso fazer parte da TV!


* Simone Tuzzo

“O esquema que se adota é o da aceleração, um trabalho ritmado e coordenado. Uma produção em série, feita para o consumo das massas, através da padronização, que gera produtos de fácil consumo.”
Estamos falando da televisão brasileira... Não exatamente. Ainda que absolutamente aplicáveis à forma de produção da televisão brasileira hoje, os conceitos acima fazem parte dos princípios básicos de Henry Ford e foram adotados para explicar sua forma de produção de automóveis em 1899. Mesmo neste caso, não devemos esquecer que a própria teoria de gestão foi aplicada procurando satisfazer necessidades de consumo, ou criar novas. Ao falar da televisão estamos falando de um espaço muito volátil e dinâmico, ou seja, um espaço de produção de cultura.
Num jogo de espelhos e enganos a massa decidiu que também quer fazer parte da produção da TV e a TV resolveu adotar uma nova linguagem que agrada em muito a massa, não pela forma de fazer, mas pela velha forma de consumir pensando que se faz. As massas da TV Brasileira hoje se firmam em dois eixos: a aceleração e a vida real. Nunca foi tão grande o volume de programas de televisão no formato de Reality Shows e a conseqüente inclusão de anônimos em aventuras televisivas, transformando-os em modelos de comportamentos e de consumo para a sociedade. A curiosidade é o ponto-chave do sucesso desse formato televisivo em que texto e roteiro são uma trama construída a cada dia, editadas por um grupo televisivo que busca a audiência numa sociedade mundializada, onde tudo e todos são e não são, criando um novo espaço de participação pública a partir da exploração das intimidades.
Aqui cabe não só os programas em série, como se fossem novelas, mas também o formato de programas de entrevistas, nas tardes de todas as emissoras mostrando a tragicomédia da vida diária da periferia urbana.
Os Reality Shows decidiram ocupar o espaço da TV. Ainda que seja fantasiosa esta realidade, tendo em vista o pequeno número de participantes que estes programas possam absorver, existe a magia possível, a utopia que vira sonho e que (um dia) poderá se tornar realidade. Ou o inverso, a sofrida realidade, que pode ser travestida, tornar-se sonho, programa de TV, virtualizar-se, sair de um corpo social e incorporar-se, via estética televisiva, na vitrine do mundo. Invertemos os caminhos no processo de publicação do privado, extrapolamos o limite, entramos no íntimo e o conduzimos à posição de coisa pública.
Se pensarmos no binômio reality show, encontraremos os seguintes significados (MICHAELES, 1989, p. 239 e 266; HOUAISS, 2001, p. 2391 e 2565):
Reality – realidade; verdade; qualidade ou característica do que é real; o que realmente existe.
Show – espetáculo; exposição, exibição armada para angariar interesses ou estimular vendas; falsa aparência.
Muito mais que uma ilusão de espetáculo real, o próprio título deste tipo de programação já confirma uma dicotomia, uma realidade fabricada. Contrapondo o significado das palavras, recria-se uma nova idéia, um novo conceito: real é o que realmente existe como exibição armada para angariar interesses ou estimular vendas. A televisão pode criar sua própria realidade ou espetacularizar o real, a fim de torná-lo bem simbólico de consumo. Não a realidade de fato, vivida pelo público, mas a realidade midiatizada, do espetáculo, da nova forma de vida.
A realidade de fato dos Reality Shows não está no programa, mas em quem está assistindo, aquele que consegue enxergar no programa o seu modo de vida. Como num jogo, os participantes desempenham papéis representativos de várias situações sociais, uma abordagem do mundo real, onde estão presentes negros, crianças abandonadas, homossexuais, artistas, assalariados, mulheres sofridas etc. Assim, o sexo, o amor, a política, estão representados por pessoas comuns. Todos estão ligados entre si de uma ou de outra maneira, controlados ou controladores da TV. Pode ser essa, quem sabe, a receita de tanto sucesso.

* Simone Tuzzo é Relações Públicas, Doutora em Comunicação, professora da Universidade Federal de Goiás – UFG. simonetuzzo@hotmail.com

segunda-feira, julho 06, 2009

Showneral de Michael Jackson


Simone Tuzzo*


Showneral? Se você ainda não conhece essa palavra não se espante, é mais um fruto da mídia, e em breve você estará familiarizado com esse termo utilizado para identificar o “evento midiático” que se transformou a morte do astro Michael Jackson. Sim, o funeral midiático transformado em show é mais um ingrediente na trama entre o público, a mídia e a celebridade.

Não é de hoje que a mídia cria heróis e celebridades, aliás, essa criação se transformou em sua principal atividade diária. A criação dos heróis e das celebridades pela mídia é uma forma de identificação coletiva de personagens vitais para afirmação da coletividade, mais que isso, uma forma de materializar em um personagem o modelo de perfeição e deslumbramento coletivo.

Essa criação faz com que fique cada vez mais difícil a identificação entre realidade e ficção apresentada pelos meios de comunicação de massa.

Neal Gabler, numa citação do historiador Daniel Boorstin, diz que vivemos num mundo onde a fantasia é mais real que a realidade, um mundo onde as pessoas se deixam hipnotizar pela deslumbrante vida criada pelos meios de comunicação de massa.

Se é verdade que nem todos se deixam hipnotizar e atrair por uma forma de vida similar à vida dos meios de comunicação de massa, não são poucos os que lutam para que suas vidas sejam iguais às vividas pelos personagens da TV ou do cinema. Neste processo, mais do que a mídia criar constantemente personagens com os quais a sociedade possa se identificar, a própria sociedade seleciona (das mais variadas formas) celebridades ou heróis que passarão a ser identificados como padrões de comportamento coletivo, em seguida reafirmados pela mídia.

O primeiro ingrediente para se tornar um Herói ou uma Celebridade é a conquista da fama. A fama é, de fato, um grande ingrediente de sustentação da mídia atual.

A criação de Heróis e Celebridades é fundamental para o desenvolvimento da sociedade contemporânea. O deslumbramento coletivo cria em cada pessoa a certeza de pensar coletivamente e, ao mesmo tempo, desencadeia um sonho de ser o próprio ídolo ou de estar próximo dele de forma particular. Cada fã sonha com um momento íntimo com seu ídolo, até porque isso seria uma forma de conquistar aquilo que todos querem.

Numa dicotomia, a existência do ídolo só é possível porque muitos exaltam um mesmo personagem até transformá-lo numa celebridade ou herói, reafirmando a necessidade do coletivo; porém, cada membro do processo coletivo sonha em se separar do grupo para viver uma emoção singular com aquele que precisa do coletivo para se afirmar no grande jogo de celebridade.

A ilusão de poder estar compartilhando da vida do ídolo é alimentada freqüentemente pela mídia através de uma exposição da vida íntima das pessoas. Uma realidade não de fato, mas sim uma realidade produzida da intimidade do ídolo é apresentada à sociedade como forma de suprir um desejo coletivo de viver aquilo que não se pode de fato, porém se acredita viver através do único elo entre o sonho e a realidade, ou seja, os próprios meios de comunicação de massa.

Neste jogo, a mídia cumpre o seu papel no sentido de continuar alimentando a ilusão do fã. Uma cumplicidade que obriga os meios de comunicação de massa a colocarem o fã na qualidade que ele nunca terá, ou seja, na de pessoa íntima de seu ídolo, por isso continuará fiel à mídia, na certeza de que “ela faz o que pode” para que seu sonho se torne uma realidade. É correto afirmar que acontecimentos envolvendo aspectos privados, sobretudo dos astros, tendem a se transformar em megaeventos ou passam a ocupar por semanas a fio a opinião pública e o debate político.

Assim, cada vez mais nos vemos conhecedores de detalhes dos personagens da novela, por exemplo, mais do que de pessoas de nossa própria comunidade ou em extremos, até de nossa família.

Pensar que os astros da TV fazem parte de nossas vidas, ou mais que isso, que nós fazemos parte da vida deles, faz com que haja uma histeria coletiva em determinados casos, como a morte, por exemplo.

Heróis e celebridades carregam em si o estigma da imortalidade, o sonho de qualquer expectador da mídia; porque todos nós somos mortais. Por isso, a cada situação de morte de uma Celebridade ou um Herói construído pela mídia, uma chance de um novo espetáculo midiático é desencadeada. O enunciado da mídia busca atingir emocionalmente o público.

São closes e big-closes de caixões, velórios, velas a arder, enterros, missas fúnebres, cenas de choros e depoimentos de parentes, amigos e/ou fãs transtornados. O tom de tragédia, a (re)dramatização do acontecimento, tudo em geral é construído nos mínimos detalhes no sentido de mobilizar o telespectador, o leitor e monopolizar a audiência. Para se fixar o acontecimento na memória, a adesão maciça do público é fundamental.

Toda a cena ganha caráter ainda mais dramático quando pessoas das camadas mais pobres da sociedade se envolvem num processo de identificação com o personagem célebre.

As mortes de Ayrton Senna e Lady Diana são grandes exemplos de todas as substâncias necessárias à construção do espetáculo de que a mídia necessita. Ainda que criados com ingredientes diferentes, uma vez que Lady Diana pode ser considerada uma celebridade – um produto criado pela mídia, no mundo pop da mídia, e Ayrton Senna pode ser considerado um herói nacional de um país onde poucas pessoas conseguem se consagrar como um salvador, ambos se caracterizam como personagens perfeitos para o espetáculo da morte criado pela mídia como uma prestação de contas de um enredo que foi sistematicamente narrado pelos meios de comunicação de massa durante um determinado período.

É como se a morte fosse o último capítulo de uma novela da vida real, veiculada em escala global.

Um outro ingrediente a se juntar nessa trama da morte dos heróis e das celebridades é a existência em grande escala das biografias na era contemporânea. A nova forma de contar e recontar fatos que parecem pertencer a toda a sociedade faz com que jornalistas adotem os lugares dos historiadores e passem a contar a vida daqueles que fazem e deverão continuar fazendo parte da história da humanidade. A construção biográfica ganha uma dimensão fundamental no mundo contemporâneo.

Normalmente as narrativas biográficas veiculadas na mídia ganham um ar de autoria coletiva. Jornalistas, fotógrafos, redatores, revisores, chargistas e cinegrafistas são responsáveis por narrar a vida dos protagonistas dos meios de comunicação de massa, mais que isso, com o poder de contar todo o seu passado heróico, se assim for o caso, ou até assumirem a função de videntes e narrarem as possíveis ações futuras do protagonista, caso a morte não lhe tivesse tirado de cena.

Mas com Michael Jackson tudo parece diferente e maior. Bastou um comunicado da família do astro informando que o funeral público seria mesmo no Staples Center, a “organização” do “evento” já espalhou cartazes pelo estádio no centro de Los Angeles.

O blog do Sérgio Dávila descreve que o Funeral de Michael Jackson será o primeiro “showneral” da história recente. No Nokia Plaza, que faz parte do complexo do Staples, formado por restaurantes, hotéis, cinemas, o Museu do Grammy e outras coisas, isso já era nítido. Um telão alternava o cartaz de Michael Jackson com o da Coca-Cola.

E a organização do evento não parou por aí. Uma corrida em busca da participação no último “show” de Michael Jackson se desencadeou assim que foi anunciado o sorteio de 17,5 mil ingressos para o seu velório a ser realizado na terça-feira no ginásio Staples Center, em Los Angeles. 11 mil ingressos foram colocados à disposição do público para assistir ao velório dentro do Staples Centre. Outros 6,5 mil fãs assistem ao evento em um telão em um teatro próximo ao ginásio. Na verdade são 8.750 fãs sorteados, cada um com direito a dois ingressos.

Os responsáveis pela segurança do velório fizeram um apelo para que os fãs que não conseguirem ingressos para o evento assistam a cerimônia em casa para não causar tumulto na região do Staples Center, no centro de Los Angeles.

Em uma coletiva, o representante da família Jackson, Ken Sunshine, disse que os familiares queriam acomodar a maior quantidade de fãs possível no velório. "É tudo para os fãs", disse. O local escolhido justifica-se no fato de que Michael Jackson vinha realizando os ensaios para a série de shows marcados para julho no Staples Center, onde o time de basquete da NBA Los Angeles Lakers faz seus jogos.

Além dos ingressos sorteados para os fãs, a organização também reservou um espaço para convidados. Entre eles estão o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o cantor Paul McCartney.

Segundo o "Los Angeles Times", o cantor teria revelado em 2002 que queria que seu funeral fosse "o maior show na Terra, com fogos de artifício e tudo". Conseguiu! Michael Jackson sairá de cena no melhor estilo midiático e a mídia fará tudo para que o último capítulo dessa história seja apenas mais um começo para reafirmar que assim como Elvis Presley, Michael Jackson não morreu.

* Simone Tuzzo é Doutora em Comunicação, professora da Universidade Federal de Goiás – UFG. simonetuzzo@hotmail.com

sexta-feira, junho 26, 2009

O radialista e o goleiro que engoliu a bola


Todo radialista esportivo é um enganador em potencial, capaz de transformar qualquer pelada mequetrefe em uma partida de futebol recheada de lances perigosos e polêmicos, sonho de consumo para o torcedor fanático, ávido por grandes emoções.
O jogo está ruim? Deixa com o radialista, que ele resolve. Aguça sua ‘sensibilidade’ e faz de chutes fracos, ‘petardos’. Quase todas as faltas são violentas; quase todas as quedas dentro da área são pênaltis; quase todas as defesas dos goleiros são difíceis; quase todas as bolas passam tirando tinta da trave adversária. Tudo isso enquanto o torcedor, irrequieto na poltrona, borbulha em emoções diversas. Beira o enfarto.
O poder de convencimento de um radialista é tamanho, que Dona Anita quase morreu depois de um comentário casual, durante a transmissão de um jogo qualquer. Dona Anita Nunes era a mãe de José Acúrcio, figura conhecida em Alagoinhas como ‘Zé Elegante’ por conta das suas atuações performáticas enquanto goleiro de alguns times da cidade.
Casado com minha tia Maria Amélia, Elegante ficou conhecido na juventude como o melhor arqueiro do Agreste. Verdadeira muralha embaixo dos paus, chegava a desafiar os atacantes – apesar da baixa estatura. Soltava a pelota nos pés dos artilheiros e gritava: “Chuta ‘fila’ da puta!”, “Vá sacana!” ou coisas do gênero. Isso é o que conta meu tio Eduardo Müller, o homem que – segundo seu próprio testemunho – foi improvisado como goleiro uma vez na vida e acabou marcando um golaço após driblar todo o time adversário. Não há uma alma viva em Alagoinhas que confirme essa história, mas quem quiser que diga que Du está mentindo...
Mas, voltando ao assunto ‘radialista exaltado = risco de morte para o torcedor’, certa feita Acúrcio acabou tomando um frangaço, num raro momento de infelicidade, e o radialista de Alagoinhas não mediu as palavras: “Zé Elegante engoliu a bola!”.
Pronto. Foi o suficiente para Dona Anita – mãe do goleiro – invadir a casa da tia Amélia, esbaforida e aos berros: “Acuda! Acuda! Meu filho engoliu a bola! MEU FILHO ENGOLIU A BOLAAAAAAAA!!!”.
Haja água com açúcar e bom vocabulário para convencer Dona Anita de que era fisicamente impossível um ser humano ingerir uma bola de futebol, para fazê-la acreditar que Zé Elegante passava bem. Estava vivo.

quinta-feira, maio 28, 2009

Ah, tá...

Jornalistas são os profissionais que mais consomem álcool

fonte: www.webmanario.wordpress.com

Os jornalistas lideram o ranking dos profissionais mais bebedores na Inglaterra. Na média, eles consomem 19 copos de chope ou quatro garrafas de vinho por semana (sim, há quem beba ambos).

O estudo, conduzido pelo governo britânico, aponta que o povo de mídia no país bebe 44 doses alcoólicas semanais, o dobro do que é tolerado pelo ministério da Saúde local.


*****
19 copinhos de chope ou quatro garrafinhas de vinho por semana... sei... sem querer humilhar, mas, por aqui, a gente bate esse recorde em um dia. E eu achando que o Brasil só era o país do futebol...

sexta-feira, maio 15, 2009

Cobertura de primeira, futebol de segunda

Nos últimos quatro meses, tive a oportunidade de trabalhar - e aprender - com uma equipe de jornalistas de primeira. A modesta Aperipê TV encampou um projeto grandioso quando assumiu a transmissão do Campeonato Sergipano 2009 de futebol. Comparável, em qualidade técnica, a qualquer grande emissora, pública ou privada, do país. Os profissionais, é claro, não poderiam deixar a desejar. E não deixaram mesmo. Os caras fizeram história no jornalismo televisivo sergipano. Agora, uma coisa é certa: a equipe é show de bola no entorno das quatro linhas. Mas dentro... Bom, é ver para crer.


domingo, maio 10, 2009

Cleomar

Foto: Gilson Sousa (www.gilsonsousaaracaju.blogspot.com)
Olá
Eu sou a boemia a lhe saudar
nas noites dissonantes
A lua dos errantes
As flores dos amantes
Hão de ser pra sempre belas
Olá
Quem sabe até a poesia seja eu
A pena dos poetas
Um copo de conhaque
Ao tom de luz vermelha
No cólo de uma dama
Que diz que me ama
Eternamente, até o nascer do dia

Quem sabe eu tenha a madrugada
como confidente
E a saudade ao meu lado
como companhia
Meu coração, boêmio, é feito simplesmente
De verso, encanto, amor e nostalgia
Mas, se me chega um violão
Se me lembra uma canção
Meu coração, sala vazia
Convida a alegria pra dançar
E eu me apresento
Olá
* Música em parceria com Gilton Lobo, em homenagem ao maior boêmio e jornalista de Sergipe. Quem quiser ouvir, é só nos procurar no Bar do Mineiro, Bar do Bel ou qualquer um desses botecos da vida. O Cleomar certamente estará lá também.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

SAI DA FRENTE!!!


Quem dirige a sessenta por hora em toda a extensão de Aracaju? Não sejamos hipócritas! Eu, sinceramente, prefiro frear em cima do radar e ainda atribuo o rótulo de besta ou desocupado a quem segue a risca a velocidade máxima permitida. Aliás, chego até a apostar que tem mais besta do que desocupado ao volante, subindo e descendo pela cidade.
Vou fundamentar, é claro. Pra início de conversa, uma estranha mania acomete alguns motoristas aracajuanos: eles adoram andar a passos de tartaruga pela pista da esquerda. Gente... Logo que tirei a minha habilitação, lá pelos idos de 1996, recebi a informação de que o correto é seguir pela direita, já que toda e qualquer ultrapassagem se faz obrigatoriamente pela esquerda. Será que a lei mudou? Duvido muito. Mas também, se não mudou, a essa altura do campeonato pouco importa. Os 'motorantas' de Aracaju – metamorfose não muito rara, resultante do cruzamento entre um motorista e uma anta – mudaram por conta própria mesmo. E o resultado dessa anomalia do trânsito é uma fila interminável de carros lentos pela esquerda, pela direita naturalmente, e alguns mais apressados ziguezagueando feito loucos para chegar ao destino certo, na hora certa. Muitos destes, como eu, precisando driblar as lesmas do asfalto para não perder o emprego.
E nem adianta sinalizar pedindo passagem, viu! Dar jogo de luz? Tem jeito não, meu fio, desista. Você gasta sua lanterna, o seu farol, a sua buzina, a sua paciência, e o motoranta segue ali, impassível. Você passa meia hora entre sinais e buzinadas e o cara muitas vezes nem vê, ou, quando vê, resmunga cheio de razão. Te chama de mal educado e, em alguns casos, até reduz a velocidade só de pirraça. Errada é a bíblia. Você, coitado, quando cai em si, percebe que está berrando sozinho, com as veias do pescoço estufadas, punhos quase roxos de socar o volante, xingando meio mundo, com a cabeça doendo de raiva, tirando fino em tudo quanto é carro na angústia para sair do lugar, prestes a jogar a pressão e a glicose nas alturas, etc. e tal. E o desgraçado sempre passeando à sua e frente, de boa. Ah, sim! E se te der uma caganeira em meio à procissão dos quatro rodas, pare no posto ou no matagal mais próximo. Dessa forma você evita maiores constrangimentos e não é obrigado a desembolsar uma boa lavagem de bancos, que hoje custa seus quinze, vinte reais ou mais.
Acho que se os motorantas fossem extintos, nós estaríamos meio livres da agonia. Isso mesmo. M-E-I-O L-I-V-R-E-S. Para alcançar a plena liberdade no trânsito de Aracaju e a paz espiritual, teríamos ainda de matar os condutores 'meio lá, meio cá', os indecisos e inseguros que fazem das faixas de circulação uma espécie de guia. Não andam pela direita, nem pela esquerda: andam exatamente pelo meio, como se seguissem a linha pontilhada no chão para não se perder. Será este estágio inicial da vida de um motoranta? Não sei. A minha única certeza é a de que a incidência deste tipo ou estágio de aberração é bem menor. Em compensação, o transtorno para quem tem pressa é infinitamente maior, afinal, com um carro metade na esquerda, metade na direita, só mesmo esperando uma terceira faixa, se houver, para fazer a tão sonhada ultrapassagem.
Por fim, a última grande praga do trânsito aracajuano: o daltonismo coletivo. Se o Código de Trânsito ainda é válido para todo o país, se não sofreu alterações, pelo menos, desde quando me tornei motorista, há quase treze anos, o sinal amarelo funciona como um aviso de “ATENÇÃO” e não de “PARE”. Ora, então porque açguns dos nossos condutores freiam justamente no amarelo? Só podem enxergar vermelho! A essa altura do texto você pode até estar achando graça. Parece brincadeira, né? Mas a coisa é séria. Já perdi as contas do número de acidentes que vi nessas circunstâncias. O sujeito, bom motorista até, vem tranqüilo, feliz, cantarolando a música do rádio, quando de repente o sinal amarela e o cara à sua frente, praticamente em cima da faixa, resolve brecar de vez: CRASH! PRAAAAAA!
Bem que o Detran poderia deixar um pouco de lado aquelas propagandas sem graça e de interpretação pífia sobre datas de licenciamento e se ater a um trabalho mais educativo, específico para os motorantas, os meio lá, meio cá e os daltônicos. Uma campanha mais contundente e provocativa, do tipo:

SUGESTÃO 1:
“QUER UM MONTE DE CARROS ATRÁS DE VOCÊ? MORRA!
CERTAMENTE ELES ESTARÃO NO CORTEJO DO SEU FUNERAL”;

SUGESTÃO 2:
“ANDE NA DIREITA OU NA ESQUERDA. MAS NÃO ANDE NA FAIXA.
PELO MENOS ATÉ PINTARMOS A FAIXA DOS IMBECIS (Ops! INDECISOS)”

SUGESTÃO 3:
NÃO CONFUNDA “ATENÇÃO” COM “ATRAÇÃO”
HÁ OUTRAS FORMAS DE ALGUÉM ENTRAR NO SEU FUNDO. NÃO PRECISA BRECAR NO AMARELO.

Certamente isso evitaria muitos acidentes e, é claro, me deixaria muito mais alegre, desestressado, ainda mais orgulhoso de viver na capital do trânsito mais tranquilo do Brasil.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Abra alas, minha gente...

..que o frevo vai passar!

Pré-Caju pra mim é Caranguejo Elétrico, Armandinho Macedo. E nada mais.
De todos os santos, encantos e axés, sagrado e profano, o filho de Osmar Macedo (um dos inventores do Trio Elétrico) é um dos mais virtuosos guitarristas do mundo e a resistência do verdadeiro carnaval.
O som da sua guitarra baiana inebria a alma. No corredor da história, pelas vias, pelas veias, faz uma multidão embebida em alegria balançar o chão da praça. Sem pudor, sem ostentações, sem estereótipos.
Por isso chame, chame, chame, chame gente!
Armandinho é o carnaval em cada esquina do meu coração, e pra libertar meu coração eu quero muito mais que o som da marcha lenta.


Quer conferir o poder da guitarra de Armandinho? Sugiro o vídeo abaixo. Coisa de uns 30 anos atrás.



E se você já quer entrar no clima do Caranguejo Elétrico, veja esse vídeo e observe, além da qualidade da música (letra e melodia), como as pessoas se divertem com liberdade, no verdadeiro espírito do carnaval (coisa que o Pré-Caju, ranço do lixo cultural da Bahia, literalmente não tem):

quarta-feira, janeiro 14, 2009

E o Chico, João?

Veja trecho da notícia "O Rio São Francisco visto por João Alves", escrita pelo jornalista Ivan Valença e publicada na Infonet, em 21/10/2008:

Diz o dr. João em determinado trecho: “O volume de água a ser retirado do Rio São Francisco será de 126m3/s, cabendo observar que se, de fato, essa água fosse destinada ao consumo humano, como a propaganda enganosa do governo procura passar à opinião pública – alegando o próprio presidente da República que só se vai retirar do rio uma ‘cuia d´água’ para matar a sede de pobres sertanejos carentes –, daria, adotando-se padrões de consumo rural, para atender a uma população de mais de 100 milhões de pessoas. Ocorre que a população rural sem água do semi-árido, a qual o projeto supostamente se destina, não ultrapassa 5 milhões, dos quais serão atendidas pelo projeto, em suas casas, de 500 a 700 mil pessoas”. O dr. João revela que o custo oficial previsto da obra será de R$ 6,5 bilhões, porém, cálculos realizados por técnicos independentes admitem um patamar bem acima, de R$ 10 a R$ 15 bilhões.


(...)

Ele comenta que o povo brasileiro é fascinado por projeto megalomaníacos e os políticos brasileiros se rendem a eles. Faz até um mea-culpa (p. 45) ao falar da ponte que liga Aracaju-Barra. E finaliza: “Em resumo, o projeto da transposição é tecnicamente errado, socialmente injusto, ecologicamente destrutivo e politicamente desastroso, por causar uma insana crise federativa”.

Tá bom, "Dr." João. Agora me explica uma coisa: O QUE É QUE A "PROPAGANDA ENGANOSA" ABAIXO ESTÁ FAZENDO NO SEU JORNAL???


Em tempo de crise, espero que essa "propaganda enganosa" tire os "chicos" dos meus colegas do Correio da reta. Pelo menos, né?