Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Tudo sobre minha mãe


Minha mãe sempre foi professora pública. Nasceu pra isso e assim morrerá. Aos sessenta e poucos anos – confesso não saber ao certo –, trabalha manhã, tarde e noite pra sustentar sua casa em Alagoinhas. Fazer o quê? Em um país de eleitores semi-analfabetos de cabresto, ser professor é padecer no paraíso da corrupção. E ganhando mal pra caralho.
Hoje, quase dez anos após sair de casa e com um canudo de jornalista guardado não sei onde, sinto-me como minha mãe. Neste Bunda-Brasil de índice pífio de leitura e do resumo das novelas que o povo lê e, sabe-se lá como, ainda se emociona no dia seguinte, mesmo já sabendo o final – eu também preciso ralar os três turnos para pagar as minhas contas.
Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todas as dívidas do mundo. E tão somente por ter resolvido abraçar uma profissão que atende ao interesse público, e não ao interesse do público. Mexer a bunda custa caro; escrever sobre política, economia, segurança pública, cultura é barato. Ninguém quer ler. Mas, ainda que não queira, serei jornalista até o momento do meu suspiro derradeiro. Até porque não tenho bunda pra rebolar. Seria ridículo.
Sou como minha mãe. Nasci pra isso e assim morrerei, sabendo que as pessoas preferem o novo penteado da “socialaite” a uma matéria aprofundada sobre os problemas que verdadeiramente afligem a nação. Acabarei jornalista, ainda que as empresas prefiram pagar 50% do meu salário por notinhas milimétricas vazias em colunas sociais. Irei às ruas, darei a cara à tapa e, ao fim do mês, engordarei o saldo bancário dos contatos comerciais – aqueles caras que vendem espaços às custas do meu suor e levam os louros sem jamais precisar ouvir as blasfêmias do político corrupto, empunhar o gravador contra o homicida, circular entre a imundície dos presídios, adentrar matagais, receber insultos, transitar em meio a tiroteios, olhar nos olhos da criança faminta, explorada ou abusada sexualmente... AH! E SEM CONTAR A PERDA DOS SÁBADOS, DOMINGOS E FERIADOS!
Por sorte, os empresários dos outros ramos de atividade ainda pensam diferentemente dos donos da imprensa. Se enxergassem o jornalismo de tal forma descartável, panfletariam nas ruas e não anunciariam em jornais e aí, sim, não haveria dinheiro nem pra mim, nem pros contatos comerciais, nem pra ninguém. Mas enquanto o empresariado não pensa dessa forma, sobrevivo jornalista. Subsisto jornalista. Ainda que em Sergipe o piso salarial equivalha ao de um motorista de ônibus – nada contra, mas desconheço um curso sequer de bacharelado em condução de veículos. Resisto jornalista graças a essa teimosa mania de achar que estou sendo útil à sociedade.
Diz o meu amigo João Augusto, um dos grandes jornalistas sergipanos: “Independente do teor da denúncia, a glória do repórter só dura algumas horas após a publicação da matéria. Depois disso, ele precisa se preocupar com a matéria do dia seguinte e, se fizer mal feita, ainda corre o risco de perder o emprego”. Acho que João tá certo. Mas nem eu e, cá entre nós, nem o próprio João conseguimos acreditar nessa merda. E exatamente por isso estamos fadados a morrer escrevendo “linhas preciosas” que, na prática, não mudarão a vida de ninguém. Na melhor das hipóteses, em uma sociedade semi-analfabeta, de leitura e criticidade preguiçosas, enrolarão peixes na feira. Esta é, talvez, a forma menos humilhante de o nome de um jornalista adentrar as casas dos brasileiros. Quando não, estará estendido no canto de uma cozinha qualquer, a amparar excrementos do cachorrinho da "madame".

quinta-feira, novembro 08, 2007

Lá vem bomba!

Descoberta fará Brasil virar exportador de petróleo, diz Dilma
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A descoberta de reservas gigantes de petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, anunciado na manhã desta quinta-feira, coloca o Brasil em um novo patamar na indústria do petróleo, disse o governo federal.
"É algo que poderá contribuir para que o Brasil passe de nação intermediária no setor de petróleo e entre em outro patamar. Se tudo isso de extensão for confirmado, o Brasil passará à condição de país exportador de petróleo", afirmou a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Os testes realizados pela Petrobras no campo indicam um volume recuperável de 5 bilhões a 8 bilhões de barris de óleo e gás natural. Trata-se da metade de todo o petróleo descoberto pelo país nos últimos 50 anos, segundo Dilma.
................

Logo, logo Bush estará na TV dizendo que Lula fabrica armas químicas e mísseis norte-americanos explodirão em nossas cabeças.... É o fim.