Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

terça-feira, setembro 28, 2010

“Quem para de competir no Brasil vira bagaço de laranja”

Medalhista olímpico no salto triplo, Nelson Prudêncio é a prova de que o brasileiro precisa pular a falta de incentivo e de políticas eficientes para se imortalizar na história do atletismo


Os Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1968, eternizaram uma das mais memoráveis disputas pelo ouro de todos os tempos. Era a final do salto triplo. Na briga pelo lugar mais alto do pódio, o recorde mundial foi quebrado nada menos do que nove vezes. Entre os competidores, o brasileiro Nelson Prudêncio, à época com 24 anos, saltou 17,27 metros, viveu a alegria de ser recordista e, logo depois, foi superado por Viktor Saneyev. Com 17,39 metros, o soviético ficou com o recorde mundial e o ouro. Prudêncio, com a honrosa prata.
Quatro anos depois, nas Olimpíadas de Munique, então Alemanha Ocidental, Prudêncio voltou a ganhar mais uma medalha, desta vez de bronze, e cravou definitivamente seu nome na história do atletismo. Somadas a dois vice-campeonatos nos Jogos Panamericanos – Winnipeg, em 1967, e Cáli, em 1971 –, as conquistas olímpicas fazem do filho da tímida cidade de Lins, em São Paulo, uma das maiores referências do salto triplo brasileiro, ao lado de Adhemar Ferreira da Silva e João Carlos de Oliveira, o João do Pulo.
Hoje, aos 66 anos e doutor em Ciência do Esporte, Nelson Prudêncio integra o programa Heróis do Atletismo, iniciativa da Caixa Econômica Federal para a preservação da memória do esporte brasileiro. A convite da CEF, veio a Aracaju neste final de semana, onde acompanhou o Circuito Caixa de Maratoninha, maior competição infantil do País, e ministrou palestras para a comunidade do Bairro Santa Maria e para alunos do curso de Educação Física da Universidade Tiradentes. Frente a frente com os acadêmicos, foi incisivo: “Quem para de competir no Brasil vira bagaço de laranja”.
A constatação, feita por um medalhista olímpico, é a prova cabal de que todo atleta brasileiro ainda precisa aprender a saltar a falta de incentivo e de políticas públicas eficazes para fazer história no esporte. Nada mais justo, portanto, que iniciar a entrevista a partir desta afirmação.

Botecospício – “Quem para de competir no Brasil vira bagaço de laranja”. Porque essa afirmação?
Nelson Prudêncio – Simplesmente porque, após terminada sua carreira como atleta, você não tem mais serventia, não é mais moeda de troca. Isso tem ocorrido em todos os lugares e modalidades, até mesmo no futebol. Enquanto se está dando lucro, beleza. Depois...

Botecospício – Como o senhor iniciou no atletismo?
NP – Por acaso mesmo. Apareci na pista e me perguntaram se eu sabia o que era atletismo. Nunca tinha visto um salto, nunca havia ouvido falar sobre atletismo, como bom brasileiro meu negócio era futebol, mas meu biotipo chamou a atenção. Depois, a firma onde eu trabalhava como torneiro mecânico perguntou se eu queria defender a cidade nos jogos regionais. Acho que não tinha gente para competir, né? (risos). Fiquei sabendo que os competidores ganhavam uma semana de folga na empresa e pensei: “Ah, que beleza!”. Foi aí que tudo começou.

Botecospício – O que difere o atletismo de hoje daquele da época em que o senhor competia?
NP – O conhecimento, a evolução tecnológica, material, tudo. Hoje é possível acompanhar como o organismo humano reage frente às cargas de treinamento. Antes só víamos o esqueleto. Não existia a parte móvel da coisa, coração, pulmão, fibras musculares, fonte de energia.

Botecospício – Treinamento então era só correr e saltar...
NP – Simples como a água. Hoje não trabalhamos mais na relação de erros e acertos. A ciência, a fisiologia do esforço, a biomecânica já nos permitem ter indicadores para dizer, inclusive, em que tipo de prova o atleta rende mais.

Botecospício – O senhor teme que aconteça com o atletismo o que aconteceu com a Fórmula 1, onde a capacidade do atleta foi superada pela tecnologia?
NP – Não. No atletismo, temos que agradecer muito mais aos nossos pais, pelo legado genético. Há pessoas que têm 60% de fibras musculares de contrações rápidas, mesmo com todo o treinamento, e outras que nascem com 90%. O treinamento não faz ninguém chegar até lá, seria como mudar a estrutura do ser humano.

Botecospício – O que o Brasil precisa fazer para avançar no atletismo?
NP – Um trabalho mais forte de detecção de novos atletas. No País inteiro, o único lugar onde já se realiza um trabalho planejado, voltado para o rendimento máximo, é em Bragança Paulista. Lá, 60 garotos estão treinando, potenciais talentos. Veja você, quando fui fazer uma palestra no Bairro Santa Maria e vi a estatura daquela garotada, falei: “Vamos testar essa turma!”. É o que precisamos fazer.

Botecospício – O que é ser um medalhista olímpico?
NP – É gratificante saber que meu nome está escrito no livro da vida e isso não tem explicação. A única coisa que se pode fazer é agradecer. O esporte me escolheu.

Botecospício – Sua maior glória são as medalhas olímpicas. E a maior frustração?
NP – Creio não haver. Ainda tenho, sim, o sonho de que o nosso País consiga colocar, pelo menos, um atleta na final de cada prova de olimpíada. Daí para a frente, medalha será uma consequência.

Botecospício – O senhor fez uma das disputas mais memoráveis da história do atletismo. Qual é a sensação de bater o recorde mundial e vê-lo ser batido na mesma prova?
NP – Instigante, porque a partir do recorde você percebe que tem condições de luta. Eu desconhecia o meu máximo e quando vi o recorde batido, chorei de alegria. Não acreditava ser capaz de fazer aquilo. Depois, quando o Viktor Saneyev ultrapassou a marca, é claro que fiquei triste, mas reconheci a capacidade dele. Aliás, uma das funções do esporte é nos ensinar a reconhecer o potencial e talento das outras pessoas. Quando fui para os Jogos Panamericanos de 1975, novamente na Cidade do México, disposto a tomar o recorde mundial do soviético, quem acabou batendo foi o João Carlos de Oliveira, e aí chorei de alegria. João estava em ascendência no esporte e aquilo foi lindo. Cheguei para ele e disse: “Você não sabe o que fez”.

Botecospício – Como é para um atleta ter de parar?
NP – Tem que se preparar para isso, porque o atleta está acostumado a viver num ambiente de competição com os top class do País, e depois que para, aquela luz no fim do túnel passa a não existir mais. Muitos se deixam levar por isso e ficam abatidos. Para preencher essa lacuna, encontrei motivação nos estudos.


Fotos: Marcelo Freitas e José Weider Moreira

segunda-feira, setembro 27, 2010

Craques sem rédea

No País do futebol e da impunidade, todo craque de bola tem direito a fazer o que bem entende fora das quatro linhas: infringir leis, provocar confusões, protagonizar cenas de violência e desrespeito e depois sair ileso, sem qualquer tipo de punição à altura do ato absurdo que cometeu. A peleja entre o atacante Neymar, dos Santos, e o então técnico do Peixe, Dorival Júnior, é sintomática. Sentindo-se dono do time e da bola, Neymar não aceitou a ideia de passar a vez para que um colega de equipe cobrasse o pênalti contra o Atlético Goianiense. Dedo em riste, achincalhou o treinador, os colegas de profissão e, por tabela, a torcida do Peixe.

O agredido Dorival Júnior foi demitido do Santos, duas rodadas depois, por anunciar que sacaria Neymar da partida contra o Corinthians. Numa tentativa de restabelecer um pouco de ordem e respeito na Vila Belmiro, acabou crucificado. Já o agressor Neymar levou uma multazinha de R$ 50 mil – para ele esta quantia é uma multazinha mesmo – e retornou ao elenco no clássico. O Neymar demitiu o Dorival? Claro que não. O mundo do futebol é que conspira em favor dos desrespeitosos, dos criminosos, dos irresponsáveis. Contanto que joguem bola, vale tudo: se embriagar e matar pessoas atropeladas, como fez o “Animal” Edmundo; empunhar armas e financiar as ações “beneficentes” do Comando Vermelho, como fez o Adriano “Imperador”. Tudo é passível de aceitação pública.

Até a imprensa vai nessa onda. Na primeira partida em que o Dorival Júnior deixou o Neymar de fora, a crônica esportiva aplaudiu. Na segunda, o Dorival já estava “exagerando” e quem “perdia” com aquilo era o Santos. O discurso antiexagero dos jornalistas entrou em cena e sustentou-se no fato de o Neymar simplesmente ter pedido desculpas, um dia depois do bate-boca com o então treinador do Peixe, como se isso só bastasse. “O Neymar de verdade não é aquele”, argumentou o jovem craque, em entrevista coletiva e com a cara lavada. Mentira. É claro que o Neymar é aquele monstro criado pelo universo benevolente do futebol. Assustado, o técnico René Simões, do Atlético Goianiense, fez questão de precaver: “Poucas vezes vi alguém tão mal-educado desportivamente. Está na hora de educar este rapaz”.

Porque ninguém se propõe a “educar” o Neymar? Porque ele é craque e na cultura do futebol brasileiro craque pode tudo. Tentar educá-lo é colocar a cabeça a prêmio, como fez o guilhotinado Dorival. Não é de hoje que Neymar vem sendo o responsável por cenas de desrespeito nos jogos dos Santos. Acaloradas discussões, gracinhas humilhantes com o jogo parado – como fez com o zagueiro Chicão, do Corinthians – e tantas outras atitudes de quem tem um rei na barriga. Mas como o polêmico Neymar também é o craque Neymar com a bola nos pés, passa a ser compreendido apenas como "a irreverência do talento brasileiro" ou o jovem em formação, coitadinho, que precisa de orientações para se tornar um adulto melhor.

No fundo, Neymar é tão protegido quanto um adolescente de 17 anos que comete um crime encorajado pela consciência de que não pode ir para a cadeia, por conta da idade. Alguns cronistas esportivos chegam a levantar a possibilidade de o jovem atacante santista ter o temperamento difícil por conta da genialidade enquanto jogador - como se todo gênio precisasse obrigatoriamente ser excêntrico e transgressor das regras do bom convívio social.

Ora, quanta imbecilidade. A genialidade no futebol nada tem a ver com o caráter de um atleta. Ela é mais impulsiva do que racional. É dom. O sujeito recebe a bola, antevê a jogada e executa em fração de segundos, sem pensar muito naquilo. Age por impulso. E se todo gênio é problemático, porque gente como Zico não protagonizou cenas grosseiras e pedantes como as do Neymar? Resposta simples: o impulso do Zico em dominar uma bola no peito e bater de voleio no ângulo é muito diferente do impulso que fez o Neymar colocar o dedo na cara do Dorival Júnior, contra o Atlético Goianiense. Este é típico de quem se considera o todo poderoso, acima do bem e do mal, quando, na verdade, não o é.

Alguém precisa mostrar ao Neymar que, no futebol, o ditado ainda é atual: uma andorinha só não faz verão. E a tarefa é fácil. Basta dizer a ele que, enquanto o Santos briga para se estabelecer no G4 do Brasileirão, o Corinthians do zagueiro Chicão – aquele mesmo que o garoto da Vila fez questão de humilhar no clássico pelo Campeonato Paulista – é hoje o favorito ao título nacional. Para quê prova melhor?

Quem parece estar disposto a dar ao Neymar esta lição de convívio em grupo e de importância da coletividade é o técnico Mano Menezes, que já não convocou o garoto para a Seleção Brasileira. Mas é claro que, para Mano, essa atitude agora é muito cômoda. Não estamos às vésperas de uma Copa do Mundo e o Neymar tem tempo de sobra para ficar quietinho e retornar. Agora, caso ele continue aprontando das suas, aí eu quero ver se o Mano terá peito de deixá-lo de fora de um Mundial, para acabar achincalhado pela imprensa e pela torcida deste país em que ser craque de bola é o habeas corpus para quem quer cometer todo tipo de delito.

terça-feira, agosto 10, 2010

E depois que esta propaganda apareceu na livraria...


1) Católicos passaram a engolir a hóstia de forma mais fervorosa e três vezes ao dia;
2) Gays empunharam faixas: "Nem só as mulheres são comestíveis!";
3) O movimento feminista foi às ruas: "Mulher não é produto de consumo!"
4) Donos de prostíbulos venderam o peixe: "Aprecie sem moderação";
5) E o sujeito que escreveu esta propaganda foi excomungado e perdeu o emprego (deveria ter perdido o diploma)

* A dica da propaganda é do professor Antônio Santana. Valeu, "Santanovsky"!

segunda-feira, agosto 09, 2010

É proibido xingar

“É proibido xingar/ diz um estatuto que eu li/ é proibido xingar/ pois os homens vão te pegar!”.

Em pleno Século XXI, só me faltava essa: censura, mordaça no torcedor de futebol. Dizer impropérios no estádio virou caso de polícia. O juiz marcou um pênalti inexistente contra seu time, o assistente anulou um gol legítimo em plena final de campeonato, a torcida adversária provoca a todo instante? Aguenta coração! E aguenta calado! Se xingar, vai em cana, vagabundo!
O mais engraçado disso tudo é que a lei foi sancionada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, torcedor ferrenho do “Curinthia” e apegado à linguagem popularesca como ninguém. Me poupe, viu. Esqueceram que o xingamento faz parte da cultura popular. 'Filho da puta', por exemplo, pode fazer referência até mesmo aos nossos melhores amigos, com quem temos um grau elevado de intimidade. Mas na arquibancada é crime? Façam-me o favor!
Acho que os fazedores de leis deste país deveriam se preocupar em simplificar a linguagem jurídica, e não transformar um simples xingamento na arquibancada em caso de justiça. Por outro lado, o novo Estatuto pode ser a deixa para que o torcedor aprenda a ser sacana na diplomacia, sem perder a classe, o que, aliás, faz dos nossos políticos eternos inocentes.
Não quero aqui fazer discurso contra o Estatuto do Torcedor. É inegável que a nova lei apresenta avanços em muitos pontos, no sentido de coibir a violência nos estádios. O cadastramento de associados das torcidas organizadas, por exemplo, é algo positivo, pode servir para acabar com a velha desculpa da ‘rixa de bairro’. Ou alguém já viu agressores e agredidos com camisas da Atalaia, Santos Dumondt, Santa Maria, Sol Nascente, Bugio...?
Outras medidas que tendem a moralizar o futebol soam um tanto quanto irônicas. Vamos a elas: 1) Cambistas flagrados vendendo ingressos de forma ilegal estão sujeitos a pena de um a seis anos de prisão, mais multa. Legal! Mas quanto às filas nos guichês dos estádios? O que prevê o Estatuto? 2) O torcedor que cometer ato de vandalismo e violência em até 5 quilômetros do estádio pode pagar multa, ser proibido de assistir aos jogos e até preso. Bonito! Mas a polícia, que sequer consegue impedir o famoso corre-corre nas arquibancadas, está preparada para isso? Sei não...
Sabido mesmo é que o torcedor xingador agora está sujeito a pagar caro por sua manifestação, como se muitas vezes o xingamento não fosse um ato involuntário. Recorrendo mais uma vez ao clássico 'filho da puta', quando um torcedor apaixonado xinga um bandeirinha, não idealiza a mãe do assistente de seios à mostra na janela de um bordel. Ele apenas fala por falar. Sou torcedor e sei. E, diga-se de passagem, é muito discriminatório achar que 'filho da puta' é um xingamento. Isso é, no mínimo, um desrespeito às prostitutas.
Disse e repito: os legisladores de plantão deveriam estar atentos, sim, a outro tipo de xingamento: o jurídico. Alguém precisa criar um projeto de lei que acabe com o linguajar pedante, dito em audiências e escrito em processos, que soa como xingamento para o cidadão brasileiro, seja ele torcedor ou não. Neste ponto, os ‘doutores’ da Justiça são craques e até recorrem ao latim e ao grego: “exequatur” pra lá, “data vênia” pra cá, “sinalagmático” acolá, enquanto o sujeito simples permanece sem entender nada e muitas ludibriado sem saber. Aí é foda... EITA PORRRA! XINGUEI! PUTA QUE PARIU! XINGUEI DE NOVO AO DIZER “PORRA”! MEU DEUS! E O “PUTA QUE PARIU”? CARALHO! VOU SER PRESO! Espera um pouco? Eu não estou em um estádio de futebol! Ufa, que sorte...

segunda-feira, agosto 02, 2010

Massa reduz e a hipocrisia avança

Uma mensagem por rádio, uma reduzida e pronto. O piloto brasileiro Felipe Massa, nossa maior representação na Fórmula 1, virou vilão, frouxo etc. etc. etc. Na terra dos campeões Fittipaldi, Senna e Piquet, Massa desceu de esperança a vergonha nacional. Caiu em desgraça. A Ferrari, então, ganhou a insígnia da antiética, da antidesportividade. Pura hipocrisia.


A Fórmula 1 há muito, mas muito tempo deixou de ser uma disputa entre pilotos. Virou peleja entre equipes, entre engenheiros. Diferentemente do futebol, esporte demasiadamente humano em que a decisão de uma partida ou campeonato está exclusivamente nos pés dos melhores atletas, na Fórmula 1 geralmente é o carro quem decide. Mérito para quem trabalha nos bastidores. Na pista, quem conduz a máquina é refém dela.


Todo mundo sabe disso, inclusive os fãs da Fórmula 1. A mensagem recebida por Felipe Massa escancara uma situação cotidiana de um esporte milionário, que gera um oceano de dólares, euros investidos e que exigem retorno. Nada mais lógico, portanto, que cada equipe trace estratégias para vencer o campeonato e convencer os patrocinadores. A reduzida de Felipe Massa para a passagem de Alonso é exatamente uma estratégia de equipe. A Ferrari quer o título e para isso precisa apostar no piloto melhor pontuado. E quem não gostar, não pague ingresso ou mude o canal da TV.


Em momentos decisivos, uma equipe de basquete que precisa de pontos para vencer trabalha para o melhor arremessador; um time de vôlei faz a jogada para o atleta de melhor rendimento soltar o braço e definir. E o que faz os hipócritas acreditarem que uma equipe de Fórmula 1 vai perder a chance de vencer um campeonato para dar uma vitória ao segundo piloto?


É claro que há um quê de humano nisso aí. É preciso ter talento e competência para ser o primeiro piloto de uma Ferrari. Ainda assim, insisto, é o carro quem decide. A Williams-Cosworth começou a melhorar o carro e hoje o Rubinho Barrichello, quem diria, consegue ultrapassar Michael Schumacher e sua Mercedes. E por falar em Schumacher, depois de sete títulos mundiais o maior campeão de todos os tempos amarga a modesta nona posição no campeonato de 2010. Esta é a "justa" Fórmula 1, um esporte em que as equipes vencem e os pilotos são quase que coadjuvantes. Não gostou, hipócrita? Repito: procure outro esporte ou mude o canal da TV!

terça-feira, julho 27, 2010

O governador tuiteiro

Sábio o governador Marcelo Déda. Candidato à reeleição em Sergipe, aproveita o período de campanha para marcar presença forte no twitter. Astuto que só ele, pouco fala sobre política e muito menos se indispõe com oposicionistas. Ao contrário do que faz a maioria dos parlamentares ou postulantes, Déda aproveita a mais badalada ferramenta das redes sociais para expressar sentimentos, sensações, desejos comuns aos cidadãos mais simples. Aproxima-se ainda mais de eleitores de carteirinha e cativa novos eleitores.

“Ontem resolvi matar a saudade da pipoca de S. Dias durante a procissão. Fui com tanto gosto que quebrei o dente e tô rindo de banda...Rsrsrs”; “À tarde irei pedir socorro ao Dr. Déda, meu primo e dentista dos bons! O problema é que ele me sacaneia e fica testando meu medo do motor...”; “Bom vou, almoçar. O pessoal aqui de casa tá reclamando que eu tiro o horário do almoço pra tuitar e a comida esfria! Até logo!”.

Este é o tom das mensagens de Marcelo Déda, ou melhor, de @MarceloDeda. Sem agressões gratuitas, sem baixaria, sem acidez. Quando ironizado ou criticado de forma insultuosa, não responde; quando recebe um questionamento mais sereno, responde no mesmo tom. Aparentemente, o Déda tuiteiro quer mesmo é falar sobre futebol e outras amenidades, divulgar belos registros fotográficos de suas viagens ao interior e por aí vai. No twitter ele é sempre o torcedor, o amigo, o pai, o marido, o colega. Mas sem perder a política jamais.

Vez por outra, posta mensagens como “Nossa coligação está nas ruas em atos, caminhadas, carreatas, visitas ao interior e aos bairros da capital. Sempre que der virei aqui” ou respostas como “Continuar as parcerias, na área da Habitação, Infraestrutura, saúde, etc... Estamos fazendo a rodovia para Gal.Maynard”. Sempre antenado, Déda mostra no twitter que é de fato um showman. Tem em 140 caracteres o mesmo jogo de cintura dos seus discursos de improviso mas contundentes, bem articulados e com raros erros de português.

Assim como Luís Inácio Lula da Silva, Marcelo Déda aprendeu que é preciso ser light para cair nas graças do povo. Sem contar que está no poder e estrategicamente não lhe é interessante bater boca com a oposição. Enquanto isso, outros políticos e cabos eleitorais tuitam em desespero, atirando para tudo quanto é lado, sem perceber que estão sendo deseducados, vazios, irritantes, inconvenientes, chatos pra cacete!

domingo, julho 25, 2010

Opressão da pedagogia

Educadores infantis são desvalorizados dentro e fora das escolas particulares de Sergipe

“Qual é a sensação de se sentir tão desvalorizada?”. A pedagoga ouve atentamente à pergunta; ergue ligeiramente um olhar confuso e distante de quem busca a explicação menos dolorosa; embaraça e desembaraça os dedos das mãos, no afã de acomodar o desgosto. E desabafa. “É desconfortável demais, principalmente porque sei que sou uma boa profissional. Se não o fosse, não estaria na mesma empresa há tanto tempo”.
A pedagoga não é da rede pública. Ao contrário, trabalha há cerca de dez anos em uma das mais conceituadas e caras escolas particulares da capital. É professora da educação infantil e dedica oito horas diárias da sua vida a ensinar crianças com idades entre 1 ano e 8 meses e 5 anos. Por tudo isso, recebe um salário-base indigno para qualquer profissão, sobretudo a de educador, formadora de todas as outras: quinhentos e poucos reais, equivalentes – que ironia – à mensalidade de um só aluno.
“O discurso da escola é de que nos valoriza, acredita na gente, mas a educação infantil dá prejuízo. Então, infelizmente, é impossível contemplar o professor com um salário melhor. Ninguém consegue ver de que forma este prejuízo ocorre, se são os nossos alunos que depois sustentam o ensino fundamental e o médio (um educador do ensino médio ganha o dobro ou mais que o do infantil). Já foi até questionado por que instituições particulares de renome remuneram tão mal, enquanto escolas de bairro pagam igual ou melhor”, contesta a pedagoga, que não pode ser identificada sob o risco de perder o emprego, ainda que lhe renda tão pouco.
Para ela, a tal justificativa do prejuízo não passa de engodo e basta a negociação entre funcionário e patrão ficar um pouco mais acirrada que um outro discurso se descortina: o que contrapõe a fartura de mão-de-obra e a escassez de oportunidades no mercado de trabalho. “Têm muitos professores formados, outros se formando e em busca de um lugar onde possam fazer o seu nome. Eles querem trabalhar nessas instituições particulares e acabam entrando a qualquer custo. De forma mais rebuscada, donos de escolas resumem: seu salário é ‘x’ e tem tantas pessoas querendo um salário de ‘x’. Se você quiser ficar, fica. Se não, tem gente pra entrar”.

Desvalorização social

Como no Brasil todo castigo para professor é pouco, os profissionais da educação infantil do Estado de Sergipe ainda são obrigados a enfrentar desvalorização por parte da sociedade. “Fora da escola as pessoas acham que a gente só serve para dar banho nas crianças, limpar cocô e brincar. Muitas dizem que matriculam os filhos para não deixar em casa, com as babás. Mas o nosso trabalho não é esse, é de educar, conscientizar, socializar. Trabalhamos conteúdos como o racismo, a valorização do outro, o incentivo à leitura – que começa nessa época – e o conhecimento de si mesmo. É nessa faixa etária que os pequenos começam a se descobrir e a descobrir o mundo. E isso é gratificante para nós”, pondera a pedagoga.
Desiludida, pretende dar novos rumos à carreira. “Gosto do que faço, mas confesso que já pensei em pedir demissão. Hoje tenho outras pretensões como lecionar em faculdades de Pedagogia, transmitir minha experiência a outras pessoas, ou mesmo estudar para passar em concursos públicos”, diz. Caso faça a opção pelos concursos públicos para mudar de vida, a pedagoga pode ser mesmo obrigada a abandonar a educação. Se tivesse sido aprovada, por exemplo, na seleção para educador assistente das creches do município de Aracaju, realizada em fevereiro, sua situação não melhoraria praticamente em nada.
O processo seletivo da Prefeitura da capital ofereceu renda mensal bruta de R$ 660 para quem quisesse trabalhar 40 horas semanais com crianças de 0 a 3 anos. Entre as atividades: auxiliar no processo de ensino-aprendizagem; na construção de atitudes e valores significativos para o processo educativo das crianças; na execução de atividades pedagógicas e recreativas diárias; cuidar da higiene, alimentação, repouso e bem-estar dos alunos; planejar atividades pedagógicas próprias para cada idade. Escolaridade mínima exigida: nível médio pedagógico ou licenciatura plena em Pedagogia.

Mais-valia do novo milênio

“Há uns 25 anos encontrei, em um povoado do município de Simão Dias, chamado Galhos Cortados, uma professora dando aula a crianças, de pés descalços, fumando um charuto. A turma alfabetizada com a letra belíssima me deixou impressionada. Verifiquei e era porque a letra da mestra era linda, e os alunos acabavam copiando. As pessoas da comunidade tomavam a benção da educadora, porque todo mundo havia passado por ela, havia um respeito. Só que ela recebia 10% de um salário mínimo, um fato subumano.”
É com essa história que a doutora em Educação Ada Augusta Celestino, pesquisadora do Núcleo de Pós-graduação em Educação da Universidade Tiradentes (Unit), ilustra o massacre histórico aos professores de Sergipe não só da educação infantil, como do ensino fundamental, que hoje se estende até o 9º ano. “Tal desvalorização equivale ao princípio da mais-valia, é o modo de pensar capitalista. O educador realiza um trabalho excedente, não recebe por isso e dele ainda é cobrado cada vez mais qualidade. A rede particular deveria, no mínimo, aderir ao piso nacional do magistério, lei válida somente para o serviço público. O Estado se responsabiliza pela questão salarial na rede pública, exige plano de carreira e tudo o mais. E quem acompanha as escolas particulares? Os conselhos estaduais de educação deveriam atuar neste sentido”.
Para Ada Augusta, um educador dificilmente deixará de cumprir o seu papel em sala de aula, mesmo diante de uma condição tão humilhante. “Na formação do professor nós desenvolvemos muito a construção de valores. Além disso, eles fazem o trabalho com amor, dão o melhor de si, mas sofrem em sua sobrevivência. O que precisam fazer é fortalecer-se na luta docente, nos seus sindicatos e explicitar essa luta e fazer valer um lei que é de 1996 e que estabelece que se deve ganhar pelo nível que tem”.

“Professores não são desvalorizados financeiramente”


O vice-presidente da Federação dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado de Sergipe (Fenen/SE), João Bosco Argolo Delfino, garante que o professor da rede particular de ensino ganha melhor do que muitas categorias, sobretudo, pela carga horária de trabalho. Bosco diz que a dificuldade financeira das escolas não é mero discurso e garante: “o bom profissional está bem empregado e ainda é muito disputado”.


Botecospício - O professor da educação infantil ou do ensino fundamental recebe de salário-base quase que o equivalente a mensalidade de um aluno. Porque as escolas não conseguem pagar melhor a estes educadores?

JOÃO BOSCO - Na verdade, o professor não recebe seu salário vinculado à mensalidade ou parcelas da anuidade escolar. Ele recebe de acordo com o que está previsto em convenção coletiva. Se eu fizer um cálculo tomando por base parcelas de anuidade escolar, como é que ficam as outras despesas da escola: encargos sociais, energia, água, manutenção e muitas outras? Além disso, uma escola não funciona só com o professor. Tem o pessoal da secretaria, porteiros, são outros profissionais envolvidos nessa prestação de serviços educacionais. Mas na verdade os professores não são desvalorizados financeiramente. Muito pelo contrário, eles têm uma jornada de trabalho fechada nas unidades escolares, são horistas e estão com um salário superior a muitas categorias. Geralmente o que se estabelece é o salário mínimo por uma jornada de trabalho integral. E esses profissionais, pela convenção coletiva, recebem um salário mínimo por um turno de trabalho, exceto aqueles que estão atuando em escola com menos de duzentos alunos.

Botecospício - A afirmação de que a educação infantil "dá prejuízo" não é mero discurso? As crianças custam mais caro à escola do que os adolescentes do ensino médio? Por quê?

JB - Não é discurso. Isso acontece porque o número de alunos é reduzido em sala de aula. Se você verificar uma turma de educação infantil não passa de 20 alunos. Enquanto que no ensino médio, encontra até 50.

Botecospício - Por que os professores do ensino médio são mais valorizados que os da educação infantil e ensino fundamental?


JB - É a lei da oferta e da procura. Quando eu tenho uma oferta maior de profissionais, evidentemente tenho uma redução do valor de mão-de-obra. Mas é importante dizer que todo o valor da anuidade escolar é vinculado ao número de alunos pagantes. Isso é o que está previsto na Lei 9.870. Eu apuro os custos através de uma planilha e esses custos são rateados pelo número de alunos pagantes. Ainda têm os estudantes inadimplentes e bolsistas que a gente precisa prever na planilha.

Botecospício - Então o desemprego reduz o preço de um educador infantil...

JB - Em todas as profissões existem profissionais desempregados, mas o bom profissional está bem empregado e ainda é muito disputado. Agora, profissionais sem experiência têm que ter a oportunidade de adquiri-la. Falta uma política de incentivo ao primeiro emprego. O governo até ensaiou essa política, mas não incentiva as empresas a proporcionarem isso. Quando a escola contrata, tem que arcar com todos os encargos sociais previstos em lei, então tem que ter uma contrapartida do governo para que esses professores venham a atuar nas escolas a título de experiência e gradativamente se desenvolvam. Muitas escolas da rede particular já têm esses profissionais contratados como auxiliares e à medida que começam a adquirir a filosofia, o ritmo da escola, automaticamente se transformam em titulares.


Botecospício - Por que a rede particular não adota o mesmo piso nacional para os professores aprovado para a rede pública?


JB - Se for estabelecer esse piso salarial, nós vamos reduzir salários de professores, porque muitos profissionais já ganham bem acima desse piso nas escolas particulares. Existe um projeto tramitando na Câmara Nacional que pretende estabelecer um piso para os salários de professores da iniciativa privada. O merecido seria algo em torno do que está estabelecido para a rede pública. Quem puder pagar mais, paga. Agora quem não puder pagar esse piso mínimo, vai ter que se ajustar ao mercado e, consequentemente, ajustar os valores das suas anuidades escolares.

segunda-feira, julho 19, 2010

Nem todo soco no Santa Maria é violência

Foto: Portal Infonet


A comunidade do bairro Santa Maria, um dos mais violentos de Aracaju, ganhou através do esporte a oportunidade de enxergar-se de uma forma bem diferente da que costuma esquentar os noticiários policiais. É do Santa Maria a atleta sergipana de maior expressão na atualidade. Aos 17 anos, a pugilista Mirele Cruz, campeã nacional na categoria até 46 quilos e representante de Sergipe na Seleção Brasileira de Boxe, é mais do que uma vencedora. É o exemplo de que a violência pode ser lapidada para o bem, transformada em dignidade e perspectiva de futuro profissional. Basta que as oportunidades sejam criadas.

Mirele tinha tudo para engordar as estatísticas do desemprego ou mesmo da Secretaria de Segurança Pública. Tinha tudo para ser mais um ser humano algemado e de olhar voltado para o chão, exposto nas páginas policiais. Filha de um ex-presidiário e uma alcoolista, conviveu com a violência desde cedo, dentro de casa. Pediu esmolas, passou oito anos da sua infância em um orfanato – sem receber uma visita da mãe –, depois viu sua residência incendiada por bandidos. Acabou no Morro do Urubu, ao lado dos pais e de sete irmãos, num casebre sem água encanada, que, literalmente, não tinha teto, não tinha nada. Mas nem de longe era engraçado como a casa do Vinícius de Morais.

Há cerca de três anos Mirele procurou o Punhos de Ouro, projeto social tocado no bairro Santa Maria pelo ex-pugilista Valter Duarte e que tem como objetivo retirar crianças e adolescentes do mundo do crime, das drogas, dar a eles a chance de escrever um futuro diferente do que vivenciam em seu cotidiano. Cansada de ver a mãe ser agredida pelo pai, Mirele calçou as luvas pela primeira vez com sede de vingança, mas Duarte percebeu o potencial da jovem e direcionou os jabs e cruzados em favor do boxe e contra a violência que tanto a perseguia.

Agora, pela Seleção Brasileira, Mirele prepara-se para disputar competições importantes como o Panamericano no Canadá e o Mundial em Barbados. Dá um gancho à la Mike Tyson na fuça dos governantes, mostra que o Santa Maria tem muito talento a ser descoberto, que a cidadania é também uma questão de oportunidades. E não é que muitas vezes essas oportunidades estão em investimentos e gestos simples como um ringue, alguns pares de luvas e gente com vontade de mudar a realidade social?

segunda-feira, julho 12, 2010

Naquela mesa tá faltando eles

O Treze da Paraíba é hoje o líder do Campeonato do Nordeste com 19 pontos. O Confiança, na nona colocação, tem 10. Parece mentira, mas apesar de distantes na tabela, as duas equipes marcaram o mesmo número de gols: 16. O que distancia o Galo da Borborema do Dragão do Bairro Industrial é o saldo de gols contra. O Treze sofreu 11; o Confiança, 18. O time proletário tem a segunda defesa mais vazada da competição, superando apenas o Sergipe, que já teve a rede balançada 19 vezes e “coincidentemente” está na última posição.
Cálculo simples, raciocínio elementar. Por mais que o sistema ofensivo do Confiança faça a sua parte, por mais que o centroavante Cristiano Alagoano permaneça na artilharia do Nordestão, a defesa azulina joga qualquer pretensão da equipe pelo ralo. E se é assim numa competição em que times como Sport e Vitória não estão dando muita importância, também pode ser na Série D do Brasileirão.
Mas a matemática da diretoria e do treinador do Confiança é meio diferente. Diante do vergonhoso saldo de gols sofridos, Milton Dantas, Maurício Simões e companhia resolveram tomar uma atitude: contrataram quem? O Da Silva, que é atacante. Ou seja, reforçaram o setor que já está dando certo e empurraram o abacaxi da defesa com a barriga.
Renovação? Nem nem pensar. Da Silva é um velho conhecido da torcida proletária. Fez boa temporada com a camisa azulina em 2008, no Campeonato Sergipano e na Série C do Brasileiro. O problema é que assinou contrato com o Sergipe para 2009, recebeu dinheiro adiantado e depois, talvez por arrependimento, acabou assinando também com o Dragão. Virou atleta dos dois maiores rivais do futebol sergipano ao mesmo tempo, um fenômeno.
A peleja entre Sergipe e Confiaça pelo passe de Da Silva foi resolvida após muito disse-me-disse. O time do Bairro Industrial resolveu devolver o dinheiro que o Mais Querido tinha antecipado ao jogador, mas Da Silva não repetiu as mesmas atuações em 2009. Se dizendo ameaçado pela torcida do Dragão, o atacante deixou o clube.
Em 2010, Da Silva volta a subir na barca do capitão Simões, mesmo que o grande problema do Confiança esteja no setor defensivo. O atacante não deixa de ser um bom jogador, mas sua contratação, além de imprópria para o momento – tendo em vista a fragilidade da zaga azulina –, cria um medo: o de que o treinador queira remontar o time que deu ao torcedor proletário uma das suas maiores decepções – a ascensão e queda na Série C do Brasileiro, em 2008. É como se o Maurício Simões estivesse na concentração, observando os jogadores em uma mesa, olhando para Valdson e Da Silva, pensando em Juninho Petrolina, Alemão, Wilson Surubim, e cantando com seus botões: “Naquela mesa tá faltando eles, e a saudade deles tá doendo em mim”.

domingo, julho 04, 2010

Todo brasileiro tem um quê de argentino

Brasileiro é engraçado. Quase sempre vota errado, avaliza a bandalheira política, têm seus direitos essenciais violentados e sorri. Faz piada da sua situação de otário e não se incomoda em repetir o erro na eleição seguinte. Brinca com coisa séria, mas quando perde no futebol se enfeza, vira bicho. A bem da verdade, o brasileiro, que tanto repudia a soberba argentina, alimenta em si uma empáfia velada. Definitivamente, não sabe perder, sobretudo na Copa do Mundo.
Toda eliminação do Brasil em Copa é a mesma coisa. A caça às bruxas começa antes mesmo de o jogo terminar, já durante as transmissões. Isso porque o brasileiro ainda não aprendeu que o esporte é feito de vitórias e derrotas, e que há sempre um adversário. Se vence, o mérito é seu; se perde, a culpa é sua. Como se estivesse sozinho em campo.
Não quero aqui fazer um discurso pró-Dunga. Nada disso. Acredito que o técnico carrancudo se despede da Seleção com alguns erros e muitos acertos. O Dunga poderia ter levado um elenco melhor, é claro, mas se eu escalar o meu time aqui, muita gente também vai discordar. Isso é normal e realmente não creio que esteja apenas numa convocação o motivo da queda do Brasil em 2010. A Seleção perdeu para uma equipe inferior porque futebol é futebol. Imprevisível, muitas vezes ilógico e humanamente injusto.
Há uma série de contradições até mesmo no discurso dos críticos que mostraram otimismo antes de Brasil e Holanda e, em míseros 45 minutos, mudaram radicalmente de opinião. A principal contradição soa como ironia: para vencer a Seleção Brasileira, a Laranja Mecânica utilizou, justamente, a tática condenada pela imprensa e pela torcida no Brasil. Segurou o jogo, apostou no erro do adversário, fez do gol ‘uma consequência’, como diria o Parreira. Tapa na cara da crítica especializada.
Os erros do Brasil também são mais do que irônicos. Júlio César, o melhor goleiro do mundo, perdeu o tempo da bola no primeiro gol – provavelmente não cometerá a mesma falha nos próximos quatro anos –; a melhor defesa do planeta cochilou e um nanico cabeceou, sem precisar pular, para fazer o segundo gol holandês. Injusto, não é? Coisas do futebol, este esporte que muitas vezes se alimenta da ingratidão, da injustiça.
O futebol-arte argentino, tão cobrado no Brasil de Ganso e Neymar, sucumbiu diante da eficiente Alemanha; já Gana se despediu da Copa nas mãos do atacante uruguaio Suarez, que deu uma de goleiro e tirou a bola em cima da linha do gol. Detalhe: no último minuto do segundo tempo da prorrogação. O Uruguai passou às semifinais só porque transgrediu as regras do jogo e o Suarez, é claro, virou herói por trapacear. Já o africano Asamoah Gyan, que já havia marcado dois tentos de pênalti na Copa, acertou o travessão e desperdiçou a grande chance da história de Gana. Se despediu como artilheiro, mas se estivesse no Brasil teria virado o vilão da história. Assim como o gênio Zico já foi vilão uma vez.
Isso porque brasileiro não está pronto para digerir a derrota, as justiças e injustiças do futebol, este esporte fascinantemente imprevisível. Se ganha, ótimo. Se perde, prefere enxergar o próprio demérito a aceitar o mérito adversário. Dunga tem a sua parcela de culpa? Tem. Felipe Melo, idem – da mesma forma que também tem ‘culpa’ pelo passe magistral do gol de Robinho contra a Holanda. Mas nada disso foi determinante para o resultado. O Brasil perdeu simplesmente porque futebol é futebol, mas o brasileiro não aceita. Em suma, é na derrota que todo brasileiro vira argentino.

quinta-feira, junho 24, 2010

Alguém reprise as outras copas!

Lá vem o inconveniente do Amaral Cavalcante me pedir para escrever sobre Copa do Mundo para o jornal Folha da Praia. Cabrunco de Copinha do Mundo, Amaral! Esquece isso, rapaz! A Copa já não é mais a Copa há muuuuito tempo! A nata do futebol mundial coalhou, Amaral. Os talentos são cada vez mais escassos. Cadê os dribles desconcertantes, os passes magistrais, as defesas elásticas? Cadê Amaral? Não existe mais não, poeta. Até o Brasil, fábrica de craques para os clubes mais poderosos e ricos do planeta, rendeu-se à brutalidade do tático futebol-força. E o pior: sustenta com orgulho o discurso falso moralista da humildade acima de tudo.


O futebol brasileiro não pode ser tão humilde, Amaral. Não deve entrar em campo para tocar bola de lado e se fechar na defesa diante de uma Coréia do Norte, 105ª colocada no ranking da Fifa. Ô vergonha, Amaral... Preferia ver o Brasil tomando de 10 e partindo pra cima.

E sabe o que é mais doloroso, poeta? É ver no escrete brasileiro o sorriso de satisfação por vencer a Coréia do Norte pelo mísero placar de 2 a 1. Eu não agüento isso, Amaral. Haja coração! Como torcedor do melhor futebol do mundo, não consigo me curvar! E ainda faço um alerta: a auto-humilhação do Brasil diante de adversários muitas vezes medíocres se reproduz dentro das quatro linhas e pode adiar a conquista do nosso sexto caneco. Depois diga que não avisei e venha com sua cara lavada me pedir para escrever sobre a derrota de Dunga – que está mais para Zangalo – e seus comandados.

Tô cansado de assistir a jogos de quinta categoria, Amaral! Tô de saco cheio desse discurso de que é difícil vencer equipes que se fecham contra o Brasil, quando o Brasil é que se fecha para o futebol-arte! Me deixe, viu! Se a Copa do Mundo ainda tivesse um Pelé, Rivelino, Zico, Platini, Falcão, Cruyff, ainda ia. Mas do jeito que vai, com o Zidane na torcida e o caricato Maradona dando uma de técnico, é complicado até assistir aos jogos.

A Flavinha, colega de trabalho na universidade, ficou tão enfadada com o primeiro tempo de Brasil e Coréia do Norte que tirou os olhos da televisão para pintar as unhas. Como boa torcedora brasileira, ainda teve tempo de decorar as garras com desenhos da bandeira verde e amarela. Ficou até bonitinho, Amaral. Quer dizer; diante das peladas da Copa do Mundo, ficou lindo! Feia mesmo é a Copa. Aliás, essa Copa do Mundo está uma Drogba!

segunda-feira, maio 31, 2010

Escrete copo de ouro

Raimundo Macedo: o Pelé (Foto: Marco Viera/ASN)

Se o exame antidoping fosse substituído pelo teste do bafômetro, a coisa ficaria feia para alguns times sergipanos. Aliás, feia não: sinistra! Por aqui há clubes tão empesteados de cachaça que, vez por outra, a depender da direção dos ventos do futebol, o álcool exala pelos corredores da concentração e deixa equipes tão grogues, mas tão grogues, que uma boa campanha pode acabar em vexame numa fração de duas ou três rodadas.


A nhaca, dizem, mistura tudo: cerveja, vodka barata, vinho festeiro ou catuaba – que derruba um time em campo, mas pelo menos tem poder afrodisíaco – aguardente, conhaque, milome, licor e otras cocitas mas. Forte que é danada, resiste ao tempo e não tem sabão em pó, perfume, creolina, Q-boa que dê jeito. É o bendito ranço do futebol boêmio, amadorismo condenado fora de Sergipe, onde o esporte rende milhões, mas que do lado de cá, das migalhas, continua venerado, atraindo técnicos e atletas tão bons de copo, mas nem tão bons de bola.

E já que alguns clubes do futebol sergipano preferem investir em concentrações de boteco, deveriam ter a hombridade de, pelo menos, montar elencos com preparo físico-etílico suficientemente bom para encarar um Brasileirão Série D, por exemplo. Benevolente que sou, posso até sugerir alguns nomes de craques farristas, gênios da boemia. Gente capaz de enveredar nas madrugadas sem perder o tempo da bola.

Minha primeira sugestão é o jornalista Cleomar Brandi. Espécie de Zidade boêmio, Cleomar domina o conhaque com uma habilidade rara, é líder nato dentro e fora das quatro linhas e dispensa esforço para fazer um time correr. Gentleman, mantém a classe mesmo no tratamento aos adversários e é o inventor da ‘cadeirinha’, tipo de carrinho próprio para quem é capaz de roubar bolas na diplomacia. Ou seja, só ele mesmo.

Outra grande contratação seria o radialista Raimundo Macedo. Fenômeno, alia o preparo físico à habilidade como ninguém, joga em qualquer posição do boteco e bate com as duas – mata a cerveja na direita, uma branquinha na esquerda e ainda dribla os adversários em velocidade para pegar o tiragosto. Mais do que um talento desperdiçado pelos dirigentes do futebol boêmio sergipano, Raimundo é um leão, derruba qualquer um nas madrugadas e jamais levou as mãos ao joelho em sinal de cansaço. Raimundo Macedo, para mim, é o Pelé.

Por fim, se em Sergipe o futebol abre tanto espaço para a boemia, confesso que também me imagino ao lado dessa turma, em um escrete copo de ouro. Seria a chance de realizar o sonho de menino, de ser um jogador de futebol. O desejo é enorme, mas quando vejo craques como Cleomar e Raimundo em ação, não me sinto no direito de disputar uma vaga. Diante desses gênios – meus ídolos – percebo que tenho muito a aprender e treino quase que diariamente, com esforço redobrado. Logo, logo, quero estar pronto e à disposição para ajudar a equipe a conquistar o título ou, pelo menos, chegar ao final das competições com todo o fôlego, ainda que ébrio.

terça-feira, maio 18, 2010

Dunga e os zangados

"Dungaburro'. Este foi um dos tópicos mais comentados do twitter na semana passada, depois que o técnico da Seleção Brasileira anunciou a convocação para a Copa do Mundo 2010. Um fenômeno, o Dunga. Conseguiu injuriar toda a nação mesmo convocando praticamente o mesmo time que venceu a Copa das Confederações, a Copa América, goleou Portugal, carimbou o passaporte para a África do Sul com antecedência, fora de casa e diante da rival Argentina.
Não é difícil entender porque o Brasil vitorioso do Dunga desagrada. Este é o preço de quem comanda a Seleção de um país de torcida apaixonada, de imprensa passional, capaz de elogiar e execrar o mesmo time em um curto espaço de tempo, na tentativa desesperada de pautar o treinador. Danem-se os números, o povo - incitado por esta imprensa volúvel - quer ver é o Neymar pedalando, o Ronaldinho Gaúcho fazendo firulas circenses. Pois eu prefiro dar a cara à tapa, seguir na contramão da opinião pública: Dunga está mais do que certo. Se eu fosse o técnico do Brasil, no meu time não estariam Doni, Gomes, Gilberto, Michel Bastos, Josué, Júlio Baptista e Grafite. Mas isso era para ter sido visto antes. Agora, às vésperas da Copa, a equipe do Dunga tem dado resultados, tem sido eficiente e isso é o que importa. Fazer o quê?
Há quem não concorde com os argumentos do Dunga, sobretudo o do compromisso com a camisa da Seleção Brasileira. A estes, faço questão de lembrar que o Ronaldinho Gaúcho ficou três anos sem jogar bola por desinteresse; e, mais do que isso, o Brasil perdeu uma Copa, dentre outras coisas, por falta de compromisso do lateral esquerdo Roberto Carlos, que resolveu ajeitar a meia durante uma perigosa cobrança de falta da França.
Há quem cobre o futebol arte. A estes, cabe avisar que futebol arte nos enche os olhos, mas nem sempre dá resultado. Messi é o melhor jogador do planeta, mas nunca fez nada pela seleção argentina. Espero que continue assim na Copa. O Neymar e o Ganso de hoje são o Diego e o Robinho que há pouco tempo atrás saíram do Brasil como 'os meninos da Vila' para perder as Olimpíadas. Detalhe: eram tidos como o melhor escrete olímpico brasileiro de todos os tempos.
Somando-se tudo isso aos resultados do Dunga e a outras questões que precisam ser consideradas durante a formação de um bom elenco, como o companheirismo, por exemplo, defendo o carrancudo treinador com unhas e dentes. Temo apenas pela falta de um reserva do Kaká, mas quero acreditar que o Dunga já tenha um esquema tático para superar esta carência. Acho isso quase impossível, mas agora só me resta acreditar, afinal, também sou um fanático torcedor brasileiro.

terça-feira, maio 04, 2010

Dez anos depois eles perceberam que...




E eu, que sou torcedor do Esporte Clube Vitória, achando que jamais repercutiria um post do principal blog da torcida do finado Esporte Clube Bahia por aqui...

terça-feira, abril 27, 2010

Vovolation



Agora o rebolation pode ser considerado um fenômeno.

terça-feira, abril 13, 2010

Chorume da desigualdade

O chorume da desigualdade escorre pelos morros e encostas; encrua nas paredes incertas de barracos que ainda resistem, a muito custo, ao temporal; encharca os escombros das mansardas que, apesar de tão modestas, serviam – quando erguidas – como lares para milhares de cidadãos. Em ruínas, os casebres soterram toda essa gente que viveu a doar sangue e suor para construir o teto que, ironicamente, desaba sobre suas cabeças.
Durante anos e anos, enquanto arriscavam a vida em locais insalubres para edificar o sonho da casa própria, homens e mulheres, hoje gélidos e sorvidos no odor do descaso, jamais despertaram o real interesse dos governantes. Agora, que há muito mais sangue que suor no chorume e incontáveis crianças putrefeitas por ali, somente agora, depois de encoberto por restos de madeirite, Eternit, cimento de quinta, esse povo consegue suscitar a compaixão que jamais suscitou quando em vida.
É a prova de que a política brasileira se alimenta mesmo do chorume, seja na grande Rio de Janeiro – onde até o momento mais de 230 mortes já foram contabilizadas, sem contar o número de desabrigados; seja na pequena Aracaju, onde quase três mil pessoas já se viram obrigadas a deixar suas casas. Tanto lá quanto cá, o líquido fétido que também mistura dejetos e atrai animais peçonhentos é o regurgitar natural de políticos inertes e descompromissados.
Favelas crescem em lugares descabidos, arriscados. E que governante não se dá conta? Que governante é incapaz de enxergar os ‘presépios’ que circundam as capitais? Perguntas tolas as minhas. Mais fácil que implementar políticas sociais e impedir a morte de tantos é voltar os olhos para a miséria e fazer qualquer negócio para acomodá-la a baixo custo, sem que avance tanto o espaço das classes média e alta. Pobre no morro do Padre Pedro vale. Na 13 de julho, não. Pelo menos até que venha um novo 'representante do povo' e o bastão da irresponsabilidade seja mais uma vez repassado sem pudor e, é claro, com aquela sensação de alívio, digna de quem se deparou com a enxurrada da desigualdade e, simplesmente, preferiu deixar a água correr, esperar o temporal passar. E, porque não, colocar a culpa na chuva e nas invasões.

quarta-feira, março 31, 2010

Raça, nem que seja por uma tubaína


Retornar a Alagoinhas é reviver a fase mais feliz da minha vida. É rever grandes amigos, relembrar histórias homéricas de traquinagem da infância e, porque não, rememorar os grandes clássicos no chão batido da rua Parque São José, bairro Silva Jardim. Jogos acirrados valendo tubaínas.

Poucos eram os verdadeiramente bons de bola. Tínhamos atacantes como Lê e Caatinga, que raramente faziam gol, não faziam o pivô, não atraíam a marcação, não tinham visão de jogo e viviam a mercê da vontade da pelota. Depois de passar por eles, o destino da gorduchinha era sempre incerto.

Na defesa, Sivaldo e Anderson formavam a dupla dos antizagueiros. Baixos e magricelas ao extremo, não assustavam os atacantes adversários. Sivaldo, mais raçudo, até ganhava algumas divididas, isso porque era duro feito uma pedra. O problema é que, para ele, fazer uma curva era um enorme sacrifício.

Daí que nossa melhor defesa sempre foi o ataque - pelo menos quando Lê e Caatinga não estavam em campo. A velocidade de Érico, ainda mais magro que Anderson e Sivaldo, era uma das melhores armas da equipe. Eu, modéstia à parte, com uma canhota calibrada, também não sentava no banco de reservas, mas justiça seja feita, apenas o Zé Fábio, outro canhotinho dos bons, tinha habilidade suficiente para ser um jogador profissional.

Ainda assim, era ali no Silva Jardim, depois de improvisadas as traves de madeira, pedra ou até mesmo de sandálias, que todos nós virávamos os reis do futebol e fazíamos da rua estreita um Maracanã em dia de Fla-Flu. Marcávamos gols e comemorávamos como se estivéssemos jogando para milhares de pessoas - diga-se de passagem, o único com paciência de nos assistir era o Tio Ubaldo, pai de Anderson, que dividia as atenções entre as nossas peladas e o futebol profissional no seu radinho de pilha.

Lembro-me que, num desses clássicos memoráveis, Caatinga precisou deixar o campo e desfalcou a nossa equipe - nem sempre tínhamos reservas. Depois de mandar o atacante tomar banho por três vezes sem sucesso, a saudosa Tia Etinha, mãe de Caatinga, perdeu a paciência e já saiu de casa ameaçando dar no moleque. Mesmo com 'menos um a menos', nosso time não se intimidou, colocou o coração na ponta dos dedos - óbvio que não havia chuteiras - e venceu a partida num placar apertado: 6 a 5. A festa parou a rua, pelo menos a da nossa imaginação. Ao ouvir os gritos da gurizada, Caatinga não se conteve, driblou Tia Etinha e saiu pra comemorar - todo molhado, com os cabelos desgrenhados e de cueca. Parecendo um louco.

Hoje, relembrando dessa história e olhando para a situação do Sergipe, vejo que o alvirubro precisa de determinação fora e dentro das quatro linhas para afastar o fantasma do rebaixamento. Por pior que seja o dirigente, ele não entra em campo e cabe ao time mostrar poder de superação, como mostrou na virada deste domingo sobre o Itabaiana. Mas no meio da semana, a facilidade com que o São Domingos marcou o segundo gol contra o Sergipe em pleno Batistão, denunciou a apatia do Mais Querido. Nem mesmo as crianças do Silva Jardim seriam dribladas tão facilmente pelo Edinho, que deixou três marcadores para trás sem fazer o mínimo esforço e iniciou a jogada fatal.

Fala-se que o problema pode estar nos salários atrasados e é claro que ninguém deve trabalhar de graça, mas jogador que faz corpo mole pode se afundar junto com o time, o que não é nenhuma grande novidade no futebol. Aliás, neste ponto, os guris do Silva Jardim sempre foram mais profissionais que os atletas. Mesmo diante da possibilidade de pagar as tubaínas para deleite do adversário, nós jamais esmorecíamos em campo. Havia uma questão de honra, de brio, que valia mais do que o prêmio.

terça-feira, março 30, 2010

No epicentro da dor, a lição de solidariedade

Enfermeiro sergipano relata a experiência de quem conviveu com o Haiti devastado pelo terremoto


Dênison (centro) e colegas salvam criança da amputação

Mais de duzentos mil mortos, trezentos mil feridos, quatro mil amputados, um milhão de desabrigados. Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de magnitude 7 na escala Richter devastou o Haiti, país mais pobre das Américas. E por mais que o tempo passe, o cenário de destruição permanece – e permanecerá para sempre – nos escombros da memória de quem viveu o epicentro da dor, da agonia, do desespero.
“O que mais doía era ver as crianças amputadas. Bebês de 1, 2 anos, sem os membros inferiores, sem família. Quando não morrem, saem do hospital e são jogados em um orfanato, isso se houver vaga. Numa situação dessa você não tem nem o que pensar”, diz o enfermeiro sergipano Dênison Pereira, professor do curso de Enfermagem da Universidade Tiradentes e único nordestino entre os 16 profissionais de saúde convocados pela Associação Médica Brasileira para uma missão humanitária no Haiti.
Durante 19 dias, a equipe brasileira formada por médicos, enfermeiros e um técnico de Raio-X realizou 180 cirurgias ortopédicas e mais de 450 procedimentos não cirúrgicos. “Trabalhávamos ostensivamente, cerca de 15 horas diárias, dormíamos em barracas, com muito mosquito, nossa alimentação era escassa. Cheguei a perder quatro quilos”, relata Dênison.
A descrição da capital haitiana vem como a de uma ‘cidade fantasma’. “Porto Príncipe está completamente abandonada, não tem um prédio em pé. Você passa nas ruas e percebe que foram totalmente devastadas. De um lado a destruição; do outro, milhares de barracas que abrigam os sobreviventes – sem saneamento básico, sem alimentação, pessoas pedindo, saqueando, chegam a ser até agressivas por conta da necessidade. Coleta de lixo não existe e o odor é terrível. Porto Príncipe é fétida e você não consegue de forma alguma se livrar daquilo”, conta o enfermeiro e professor.
Dênison Pereira tem 12 anos de sua vida dedicados ao trabalho de urgência e emergência, participou em 2008 de um curso de gerenciamento de catástrofe em Israel. A missão no Haiti deu ao enfermeiro mais um ensinamento: o de que a dor da perda pode ser bem mais dilacerante que a dor física. “As pessoas em tratamento perderam toda a família ou alguém próximo. Esta é a situação mais triste e faz com que os sobreviventes apresentem quadro depressivo. Eles estão no hospital, mas quando recebem alta não têm para onde ir, perambulam sem o apoio do pai, da mãe. O terremoto devastou o Haiti e ninguém saiu ileso. Até a vida da gente é devastada, tanto que os 16 integrantes da equipe deixaram roupas, dinheiro, tudo”, comenta.
De volta às atividades acadêmicas, Denison aproveita cada instante de aula para retransmitir a lição da solidariedade. “Além de ensinar técnicas de enfermagem, tenho cuidado em educar os alunos para que sejam ainda mais solidários com os pacientes. Nós sempre pensamos que uma catástrofe nunca pode acontecer conosco, mas de repente acontece e os acadêmicos precisam estar preparados para ajudar o próximo”.

Porto Príncipe: cenário da destruição


quarta-feira, março 24, 2010

Entre radares e ladrões

A imagem acima é apenas uma boa piada, mas eu tenho uma posição muito clara quanto à colocação de radares no trânsito de Aracaju: recebe multa quem quer, é irresponsável, não se preocupa em ler as placas de sinalização. É fotografado e obrigado a depositar uma boa grana nos cofres públicos quem abusa da imprudência e do desleixo.

Quando da instalação dos primeiros radares na capital eu, então editor de Veículos do Jornal Cinform, fui um dos únicos da imprensa sergipana a apoiar a atitude da Prefeitura, contradizendo até a opinião dos meus colegas jornalistas. Em um dos editoriais, fiz duras críticas a quem colocava a politicagem barata acima da cidadania e exibia no veículo adesivos como "Visite Aracaju e ganhe uma multa". Muitas vezes eram pais que faziam questão de dar aos filhos o "belo" exemplo de desrespeito às leis de trânsito.

Agora uma coisa também é certa, viu: a Smtt tem exagerado na colocação de radares, sobretudo na região da 13 de Julho e Beira Mar. É fiscalização demais onde não acontecem tantos acidentes assim (eu passo lá todo dia, em horários de pico). E ainda que a instalação desenfreada de radares seja interpretada como excesso de cuidado com a vida de condutores e pedestres - e não como cata moedas -, será que não existem outras prioridades no governo municipal ou pontos mais críticos do trânsito de Aracaju que necessitem de um olhar mais atencioso da Smtt???????

sexta-feira, março 05, 2010

“Cyber repórter” em 45 horas ou menos!

Tem gente prometendo formar trabalhadores de imprensa em 45 horas ou menos! Duvida? Acesse o site do “Cursos 24 Horas” e tire suas conclusões. Dentre inúmeras opções de cursos, o bendito oferece o de jornalismo on-line e não só garante que você vai se tornar um “cyber repórter de sucesso”, como irá “perder o medo da tecnologia” e “ganhar dinheiro no ramo” – diga-se de passagem, essa estória de ganhar dinheiro no jornalismo não há universidade no mundo que ensine.
O anúncio é pomposo: “velocidade, tempo-real, hipertexto, interatividade, convergência de mídias (...) essas são as principais características do jornalismo na internet que você vai conhecer e dominar (...) vai também saber que é possível compatibilizá-las com a redação de um bom texto, correto, atraente, para conquistar a atenção do leitor”. Ao final da propaganda, um banner anuncia o valor do “investimento” do “cyber aluno”. R$ 40 por 45 horas de aulas, podendo o estudante concluir o curso em mais ou menos tempo, a depender do seu ritmo e disponibilidade. Pré-requisitos? “Nenhum”. Está lá escrito.
Sinistro, né? Mas quer saber? Se os sábios ministros do Supremo Tribunal Federal – o que inclui o nosso sergipano Carlos Ayres Britto – deram guarida a esta disseminação desenfreada do pseudojornalismo, eu só posso estar errado em querer andar na contramão. Portanto, antes que seja tarde demais para me redimir, resolvi copiar abaixo alguns tópicos do complexo conteúdo programático do curso de jornalismo on-line do 24 Horas e acrescentar algumas dicas. Quem sabe não facilito a vida de muitos “cyber alunos” que pretendem transformar-se em “cyber repórteres” em tão pouquinho tempo?

CURSO 24 HORAS JORNALISMO ON-LINE
COMPLEXO CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
(com dicas do Botecospício)

Sites úteis (Viva La brasa; Artorpedo; Força da Palavra; Flor de Hospital... certamente ensinarão mais a você do que este conteúdo programático mequetrefe);

Criando uma Agenda de Fontes (É de bom tom, sempre que anotar o número telefônico de alguém, copiar também o nome da pessoa e, se não for muito difícil, a profissão e local onde trabalha. Acredite, vai facilitar sua pesquisa mais tarde);

Criando uma Agenda de Pautas (procure fazer pautas frias para movimentar o site em situações de falta de matérias factuais. Mas atenção: não é recomendável agendar acidentes e crimes. Dá cadeia);

Hipertexto (não, idiota! Não é o mesmo que super, ultra e megatexto!);

O E-mail (Se ainda não o conhece, procure outra profissão. Mas atenção: em caso de desistência, o Curso 24 Horas não tem a obrigação de devolver o seu dinheiro);

Ganhando dinheiro no ramo de Jornalismo On-Line (Impossível, a não ser que você vire empresário. Mas aí deixa de ser cyber repórter, né?)

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Roubolation-tion! Roubolation!!!

O ano de 2010 é de eleições e já tem seu hit. Com vocês, o Roubolation!!!

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Espetacularização da morte

Porque sangue dá audiência, violência institucionalizada fabrica
potenciais homicidas, e auxílio-funeral é sinônimo de glamour
Homem se debruça sobre cadáver para fotografá-lo em Socorro


O pop não poupa ninguém. Nem mesmo ela, a única, infalível, irremediável certeza da vida. A morte já não faz jus à caricatura clássica da capa sombria, do semblante sinistramente cadavérico e da foice fulminante. Já não fica mais à espreita. Quando cumpre seu papel, impiedosa, causa furdunço. Popularizou-se. Seguiu a tendência de um mercado que vende de tudo – inclusive sangue. Virou espetáculo.
Ao redor de cadáveres e vítimas agonizantes, homens, mulheres, crianças e idosos amontoam-se feito abutres. Sempre a postos, sedentos, multiplicam-se como chaga após um grito horrorizado, precedido de estampidos ou estrondos quaisquer. Diante de corpos presos a ferragens ou estendidos no chão, sacam celulares, registram suspiros dolentes e derradeiros de quem, na luta para sobreviver, acaba virando celebridade.
Dois homens em uma moto colidem contra um poste na Avenida Coletora, Conjunto Fernando Collor de Melo, em Nossa Senhora do Socorro. Arremessado contra a haste de concreto, Antônio Marcos Santos da Silva, poucos 33 anos, morre instantaneamente. Desfalecido, Vicente Paulo Filho, condutor do veículo, é quase engolido pela multidão enquanto recebe o atendimento do Samu. Dentre curiosos, a dona-de-casa Josimara dos Santos segura pela mão sua filha de 8 anos. E mesmo incapaz de afastar-se da cena funesta, dissimula: “Vou tirar minha filha daqui. Ele (o defunto) tá feio, pode assustar a menina de noite, né? Eu tava curiosa, mas já olhei, vou-me embora”.
Surpreendida pelo súbito questionamento do repórter – que também precisa ruminar a morte para retornar à redação com a notícia mais quente, garantindo a audiência e o emprego –, Josimara finge inquietação pelo fato de a sua filha estar vidrada nas vítimas. A pequena é apenas uma dentre tantas outras crianças já impregnadas do sofrimento alheio, e a vontade da mãe é mesmo saciar seu lado humanamente cruel, a curiosidade mórbida, o interesse pela notícia ruim que tem público cativo e ocupa espaços cada vez maiores na mídia.
“É claro que essa espetacularização acontece porque existe uma resposta da população, um interesse muito grande. Esta mãe provavelmente não está nem um pouco preocupada com a conseqüência da cena trágica para sua filha”, diz a psicóloga Maria José Camargo de Carvalho. Para excluídos como Josimara, gente íntima das mazelas sociais, a morte sempre se revela caridosa. Testemunhá-la é a oportunidade de ganhar notoriedade, falar no rádio, aparecer na TV e nos impressos. De ser notado.
Talvez por isso tantas josimaras arrastem suas crias pela mão em direção ao descalabro da cotidiana violência. E o pior: em casos de homicídio, permitem que vivenciem a brutalidade, ao vivo e em cores, o que pode trazer conseqüências ainda mais desastrosas para uma criança. Afinal, acostumar-se a homicídios é estar mais propenso a matar no futuro, principalmente quando o crime é vivenciado dentro de casa, nas entranhas da família.
“Freud descreveu um mecanismo na Teoria Psicanalítica chamado de identificação com o agressor. É o que acontece em casos de alcoolismo. Uma criança pode passar por situações terríveis, de maus-tratos nas mãos de um pai alcoolista, e depois se tornar alcoolista e impor a mesma situação aos seus filhos. Ela se identifica com o agressor até em busca de alguma compreensão desse lado cruel, destrutivo, maldoso que algumas pessoas exercem. Ou pode ser também uma maneira de ‘passar adiante’, uma forma de revide por uma situação que não foi digerida na infância”, alerta Maria José Camargo.

VELADA OU PRONTA PRA CONSUMO?

Por despertar tanto interesse, a morte tem sido alvo de estudo no campo da História. Segundo o historiador Antônio Bittencourt Júnior, coordenador do curso de História da Unit, a morte sempre chamou a atenção, mas hoje é veiculada com muito mais facilidade. “Se levarmos em conta a morte enquanto violência instituída pelo Estado, percebemos que as pessoas sempre assistiram aos enforcamentos, aos rituais da inquisição, com a presença do poder dando legitimidade àquele assassinato. Eram gestos públicos também. Nestes casos, a morte servia não só como punição, mas como um gesto ‘pedagógico’. O cara era enforcado publicamente para que as pessoas percebessem que, caso transgredissem as normas, poderiam ser as próximas; no caso da inquisição, a ideia era fazer com que se cumprisse um caminho reto, de Deus. E de uma forma ou de outra, a morte sempre foi um espetáculo”.
A forma de as civilizações lidarem com o fenômeno natural vem demonstrando, ao longo do tempo, aspectos de evolução do modelo humano. “Quando encontramos sociedades que cuidam dos seus mortos, isso é um demonstrativo inicial de que estão em um estágio de complexidade tal, capaz de fazê-las vislumbrar uma perspectiva de necessidade de cuidados com o homem além da vida objetivamente como se apresenta. Portanto, na história da humanidade a morte tem um papel fundamental”, diz Antônio Bittencourt.
Em sua obra ‘O homem diante da morte’, o escritor francês Philippe Ariès discute esta relação ao longo do tempo. Para um soldado romano, por exemplo, morrer em combate era esperado, honroso; morrer em outra circunstância que não a da guerra era indigno, vergonhoso para toda a família. “Puxando para nossa atualidade, existem mortes aceitáveis, passíveis de publicidade, e outras que são de alguma forma mais veladas, escondidas. Quando um cidadão morre em decorrência da Aids, por exemplo, ainda há a necessidade de se esconder a causa”, afirma o historiador.
O fato é que, independentemente do motivo, o homem não está pronto para morrer e este medo acaba criando um mercado de consumo da morte que também desperta o interesse de pesquisadores das Ciências Sociais. Antigamente as pessoas morriam em casa e eram comuns os relatos das ‘últimas palavras’. Hoje, não. Por maior que seja o avanço da medicina e da tecnologia, ninguém está satisfeito com a possibilidade de ‘bater as botas’. “Ficamos entubados, na UTI, porque não queremos morrer. Ou seja, é o avanço da ciência compreendida como possibilidade de controle da natureza – e a morte é um desses fenômenos naturais, o que nos submete a esse mercado”, revela Bittencourt.
Só que o mercado da morte expandiu-se, extrapolou o temor de quem não pensa em ‘partir desta para uma melhor’, não mais se limita aos planos de saúde e estruturas hospitalares. Virou demarcador socioeconômico. Na história da humanidade, o féretro sempre foi um demonstrativo da escala social e alguns homens investiram no sepultamento com a pretensão de se perpetuar. As pirâmides do Egito, por exemplo, não são meros locais de recolhimento para a morte; são demonstrativos do que uma determinada figura representava naquela sociedade. Hoje, nos cemitérios, também não é difícil distinguir os pobres dos ricos.

Praticidade e luxo no auxílio-funeral

Enedina: “Funeral é mais uma preocupação com os vivos”
No site de uma das principais empresas de auxílio-funeral do país, três planos são colocados à disposição de quem deseja uma ‘morte tranquila’, para si e para a família. O básico, que custa R$ 19 mensais, dá direito a “urna mortuária sextavada com visor semiluxo, forrada em tecido TNT branco, babado sobre babado, alças varão e verniz de alto brilho”, além de coroa de flores naturais em tamanho médio, sala para velório – se disponível –, carro fúnebre para traslado do corpo, aluguel de ônibus e algumas outras ‘regalias’. Já quem tem condição de desembolsar R$ 50 mensais no plano supervip ganha coroa de flores tamanho grande e caixão de luxo, “modelo Barcelona, acabamento interno em cetim, travesseiro preso, babado nas laterais e sobrebabado ocupando todo o interior, cobrindo toda a extensão lateral”. Outra diferença está na quilometragem livre do veículo destinado ao transporte do corpo: 200 quilômetros na opção mais em conta, 400km na mais cara.

Os planos de assistência funerária são a prova de como os rituais de sepultamento retratam a pirâmide social. Mas não estão atrelados apenas ao status de quem morre; crescem pari passu com as novas necessidades da família e representam praticidade numa época em que ninguém tem mais tempo de lidar com a morte.
“Todos estão sempre muito ocupados, falta um sentimento de aproximação principalmente em relação à velhice, doença e morte. Isso é uma característica típica da sociedade ocidental contemporânea e tem a ver com o movimento de hospitalização no Século XIX, que vai separar os doentes das pessoas saudáveis. Você tem um discurso, também no Século XIX, da Psicologia que vai defender a necessidade de afastamento da criança de qualquer tipo de sofrimento – seja doença ou morte – e isso levado a gerações futuras resulta em uma sociedade despreparada para passar por um fenômeno natural. Esse despreparo encontra suporte no desenvolvimento de empresas especializadas – característica do sistema capitalista”, explica a socióloga Enedina Maria Soares Souto.
Hoje, por influência do Protestantismo, existe no Brasil a tendência de construção dos cemitérios horizontais, com lápides discretas e que visivelmente dão a sensação de igualdade social. “Mas essa aparente visibilidade é quebrada quando se faz um estudo mais aprofundado e se percebe que há diferenças, tanto no serviço do funeral quanto na localização dos jazigos nesses cemitérios-jardins”, adverte Enedina, que também faz referência ao historiador francês, estudioso da morte: “Ariès afirma que a preocupação com um funeral não é com o morto em si, mas com o resultado disso para a vida social. Se eu sou um parente negligente, socialmente serei condenado por isso e, a depender da classe social, precisarei investir o correspondente à minha imagem nas relações. É muito mais uma preocupação com os vivos do que com os próprios mortos”, verifica.
“Cada vez mais a ciência avança no sentido de que a gente controle e prolongue a vida, mas o mercado se impõe e diz: ‘por mais que tentemos, não poderemos protelá-la eternamente. Portanto, prepara-te para ter uma boa morte. O homem atual está em um cabo-de-guerra com morte que, no máximo, ele consegue alguns minutos a mais nessa partida inglória”, sentencia Antônio Bittencourt.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Carivaldo e o Ciosp

O jogo entre Riachuelo e River Plate, no Estádio Francisco Leite, demorou cerca de dez minutos para ser iniciado, por falta de policiamento. E eu, em casa, imaginando uma conversa do presidente da Federação Sergipana de Futebol, Carivaldo de Souza, com um atendente do 'eficiente' Centro Integrado de Operações em Segurança Pública, o Ciosp:

Carivaldo – Alô?
Atendente – Ciosp, boa tarde!
Carivaldo – Eu gostaria de alguns policiais aqui no Estádio Chico Leite, em Riachuelo...
Atendente – Senhor, qual é a distância do estádio até o posto policial mais próximo?
Carivaldo – Como vou saber?
Atendente – Mas é preciso, senhor, senão como vou deslocar a viatura com a quantidade de combustível adequada?
Carivaldo – Olha, eu sei que de Aracaju para Riachuelo são 31 quilômetros..
Atendente – De asfalto ou estrada de chão, senhor?
Carivaldo (meio irritado) – ASFALTO!
Atendente – Certo senhor... qual é a cor do muro do estádio?
Carivaldo (muito irritado) – EU SEI LÁ! EU NÃO SOU JOGADOR NÃO, SOU O PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO! ESTOU EM ARACAJU!
Atendente – Mas senhor, sem identificar o estádio não tenho como mandar a viatura...
Carivaldo (aos berros) – TÁ! TÁ! DEIXA PRA LÁ!!!!!

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Ramonlation-tion, Ramonlation!

O vice-presidente do Club Sportivo Sergipe, Ramon Barbosa, resolveu aproveitar o embalo do Pré-Caju para ditar o ritmo do Sergipão 2010. É o Ramonlation, versão mais requebrada do Rebolation, sucesso da banda baiana Parangolé que incendiou a Avenida Beira-Mar durante a maior prévia carnavalesca do Brasil. Um suingue envolvente que mal foi ensaiado e já esquentou o clima no João Hora.


Até a semana passada, Ramon Barbosa vestia o abadá do ‘Bloco da Mudança’ ao lado de um grupo de conselheiros insatisfeitos com a administração do presidente do Mais Querido, Antônio Carlos Soares da Mota. Mas deu uma reboladinha e resolveu, de uma hora para outra, mudar de opção. Depois de uma boa conversa de pé-de-ouvido com o Motinha, balançou o esqueleto, virou as costas para a turma dos descontentes, passou a corda e aderiu ao ‘Bloco da Inércia’. Tudo no compasso do Ramonlation, é claro.

Diferentemente do Rebolation, cantado como ‘nova sensação’ pelo vocalista Léo Santana, do Parangolé, o Ramonlation traz uma melodia renitente, que já dói nos tímpanos do torcedor alvirrubro. Isso porque, no mínimo, esta já deve ser a décima vez que o Ramon adere ao ‘Bloco da Inércia’ movido, segundo as más ou boas línguas, pela vontade de assumir a presidência do Sergipe.

Sem perceber muita animação do ‘Bloco da Mudança’ em torno de sua candidatura e após ouvir do Motinha mais uma promessa de que finalmente vai largar o osso e apoiá-lo nas eleições do final do ano, o Barbosa não teria economizado na malemolência, muito menos titubeado em ser o possível candidato da situação que tanto vinha criticando. Os conselheiros insatisfeitos do Sergipe, insultados como marginais por Motinha e abandonados por Ramon dias depois, caíram de pau em cima da dupla dinâmica e chegaram a cogitar a possibilidade de o vice ser uma espécie de espião infiltrado no grupo dissidente.

Eu faria o mesmo, mas como não sou conselheiro do Mais Querido, vou apenas deixar alguns questionamentos: será que o Motinha vai mesmo deixar a presidência? Será que o Ramon é o seu continuísmo? Será que o Sergipe merece um presidente de opiniões e posições tão volúveis? É uma pena que o torcedor colorado não tenha como responder a tantos enigmas e muito menos resolvê-los. A ele, por ora, só resta colocar a mão na cabeça porque vai começar o Ramonlation-tion! Ramonlation-tion! Ramonlation-tion! Ramonlation-tion...

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Maria, a avó de Jesus



Emoção justificada, afinal, quem tem um filho que anda sobre a água não precisa de geriatra nem do Ivo Pitanguy.