Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

quinta-feira, junho 24, 2010

Alguém reprise as outras copas!

Lá vem o inconveniente do Amaral Cavalcante me pedir para escrever sobre Copa do Mundo para o jornal Folha da Praia. Cabrunco de Copinha do Mundo, Amaral! Esquece isso, rapaz! A Copa já não é mais a Copa há muuuuito tempo! A nata do futebol mundial coalhou, Amaral. Os talentos são cada vez mais escassos. Cadê os dribles desconcertantes, os passes magistrais, as defesas elásticas? Cadê Amaral? Não existe mais não, poeta. Até o Brasil, fábrica de craques para os clubes mais poderosos e ricos do planeta, rendeu-se à brutalidade do tático futebol-força. E o pior: sustenta com orgulho o discurso falso moralista da humildade acima de tudo.


O futebol brasileiro não pode ser tão humilde, Amaral. Não deve entrar em campo para tocar bola de lado e se fechar na defesa diante de uma Coréia do Norte, 105ª colocada no ranking da Fifa. Ô vergonha, Amaral... Preferia ver o Brasil tomando de 10 e partindo pra cima.

E sabe o que é mais doloroso, poeta? É ver no escrete brasileiro o sorriso de satisfação por vencer a Coréia do Norte pelo mísero placar de 2 a 1. Eu não agüento isso, Amaral. Haja coração! Como torcedor do melhor futebol do mundo, não consigo me curvar! E ainda faço um alerta: a auto-humilhação do Brasil diante de adversários muitas vezes medíocres se reproduz dentro das quatro linhas e pode adiar a conquista do nosso sexto caneco. Depois diga que não avisei e venha com sua cara lavada me pedir para escrever sobre a derrota de Dunga – que está mais para Zangalo – e seus comandados.

Tô cansado de assistir a jogos de quinta categoria, Amaral! Tô de saco cheio desse discurso de que é difícil vencer equipes que se fecham contra o Brasil, quando o Brasil é que se fecha para o futebol-arte! Me deixe, viu! Se a Copa do Mundo ainda tivesse um Pelé, Rivelino, Zico, Platini, Falcão, Cruyff, ainda ia. Mas do jeito que vai, com o Zidane na torcida e o caricato Maradona dando uma de técnico, é complicado até assistir aos jogos.

A Flavinha, colega de trabalho na universidade, ficou tão enfadada com o primeiro tempo de Brasil e Coréia do Norte que tirou os olhos da televisão para pintar as unhas. Como boa torcedora brasileira, ainda teve tempo de decorar as garras com desenhos da bandeira verde e amarela. Ficou até bonitinho, Amaral. Quer dizer; diante das peladas da Copa do Mundo, ficou lindo! Feia mesmo é a Copa. Aliás, essa Copa do Mundo está uma Drogba!