Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

sábado, novembro 22, 2008

SUUUUUUCEEEEEEESSOOOOOOOOO

Que voz, que interpretação, que poesia... é ou não é o grande fenômeno da música brasileira nos últimos dez, vinte anos?

sexta-feira, novembro 21, 2008

Catarina


Eis que o poeta amador endoideceu
Rabiscou no cobertor, ao léu, seu nome
Eis que o profeta não previu, ouviu falar
Desacreditou que tal amor endoidecia

Catarina, bailarina, roda, roda, gira
Faz galhofas do poeta, do profeta,
Baila, rima, pára o tempo da canção

Ensaia um novo passo
E dança no compasso
Sapatilha no palco da ilusão.


Letra: Álvaro Müller e Djenal Gonçalves
Música: Álvaro Müller

sábado, novembro 08, 2008

Por quem os sinos dobram?

Em outubro, recebi no mínimo três mensagens idênticas e sob o mesmo título: “O e-mail do ano”. Imagens fortes, precedidas de citações como a que segue abaixo:

“Se você acha que o seu salário é baixo, que tal ela?”



Ao ver este tal “e-mail do ano” tantas vezes passado e repassado por gente, carne, osso e sentimentos como eu, a humanidade que ainda me pesa arde em repulsa, incinera-se em vergonha.

Hipócritas! A criança que nos estende a mão neste “e-mail do ano” não é a mesma que nos abre a pequenina palma nas esquinas, nos semáforos das nossas vidas? Não é aquela mesma, olhos lânguidos e semblante roto, que balbucia nas janelas do nossos carros?

Claro que é. Mas, para além do “e-mail do ano”, para aquém do monitor da vida real, todos passam despercebidos: a criança, os enfermos prostrados nas filas dos hospitais públicos, os sem-teto que se alastram nas calçadas, todos estes que fingimos desconectados do nosso mundo, mas que são essência da nossa essência. E agora eles finalmente vêm a público, graças ao “e-mail do ano”, para nos mostrar como somos “privilegiados”, para nos acomodar?

Neste exato momento, imagino quantos e quantos acessaram o "e-mail do ano" em seus laptops, em suas coberturas, em suas varandas com vistas para o mar, e, após segundos de dó, agradeceram à vida, assim como agradecem as famílias, mesa posta, por terem o alimento que os outros não têm. Imagino e choro sangue...

Egoistas! A humanidade que me resta ainda me faz remoer a dor, a fome, o frio do meu semelhante. Me faz culpado e inerte. E se pensam, pois, que eu irei agradecer por poder pagar um plano de saúde enquanto muitos de mim não têm sequer como comprar um medicamento, se enganam; se vislumbram minha gratidão por sustentar um quarto alugado, ao passo em que muitos de mim fazem das marquises, abrigos, se enganam, redondamente. Jamais admitirei acostumar-me à miséria alheia, e muito menos farei dela torpor das minhas angústias, paliativo para os meus quereres.

Por isso, peço que, no ano que vem, não mais me repassem o "e-mail do ano". Aliás, nem no ano que vem, nem nos próximos.

“A morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”. John Donne, poeta inglês do século XVI.

sábado, novembro 01, 2008

A Ires dos meus olhos


A Ires dos meus olhos não se escreve com um segundo i. Não é uma íris qualquer. É a minha Ires e por ela aprendi a enxergar o mundo. Todas as íris são coloridas, eu sei. Mas a minha é mais. Isso porque é a minha Ires, e por ela avisto, nos gestos humanos, as mais belas cores. Tem cheiro de aconchego, sabor de saudade. É alívio, chuva em solo rachado, água do São Francisco a entornar canções de lavadeira. Nina minha solidão. É ponto de partida, sombra de cajueiro, cantinho único do mundo meu, e só meu. Mãe, quando crescer posso ser o que eu quiser? Pode sim, filho. Até mesmo um mecânico? Você pode ser o que quiser, meu filho, contanto que seja honesto. Minha Ires é assim, a mais linda das íris. E me guia por onde quer que eu vá. E está comigo sempre, sempre, até mesmo quando não sei aonde ir.