Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

segunda-feira, setembro 28, 2009

O mãozinha de pilão

Baseado em fatos reais

Valter Duarte e toda a moçada do boxe: ALÔÔÔ!!! TEM UMA PROMESSA DO PUGILISMO MUNDIAL À SOLTA EM ARACAJU!!! Seu nome é Mateus, um pimpolhinho de apenas seis anos e semblante inocente, mas capaz de nocautear qualquer marmanjo. Mentira? Brincadeira? Eu também não acreditaria, se um grande amigo meu não tivesse sido vítima do que já batizo como o ‘mãozinha de pilão’.
Quem é pobre como eu, sabe que vida de durango é difícil até na hora de honrar os compromissos. São tantos os boletos, que o sujeito se embanana todo na fila do banco, mesmo recorrendo aos bolsos e axilas para separar as dívidas mais urgentes daquelas que, inevitavelmente, vão ser empurradas para o mês que vem. E foi nesta situação, neste exercício de concentração e paciência, em uma fila do Banese, que meu amigo recebeu o golpe impiedoso do miúdo boxeador.
Enquanto somava os débitos e dividia o dinheiro, ouvia a voz da mãe do ‘anjinho’, aos berros: “PÁRA MATEUS! VEM PRA CÁ! FICA QUIETO, MENINO!” e coisas do gênero. Mal sabia o meu grande amigo que a inquietude da criança era justamente a sua natureza pugilista, que fervilhava. Para se aquietar, Mateuzinho precisava de uma vítima: e como escolhê-la? Pelo peso, é claro, nos ditames das regras do boxe.
Mateus, uma criança de seis anos; meu amigo, um sujeito de seus 30 e poucos, com mais de um metro e oitenta de altura, mas tão magricela que, certamente, empataria com o guri na balança. Dito e feito: sem medo de errar, o pestinha mirou aquele pau de macarrão prostrado na fila do Banese e POOOWWWW!!! Acertou-lhe um direto fulminante, lá nos ‘países baixos’. Os boletos, ordenados a muito custo, se espalharam pelo ar; o grandalhão caiu duro, com os olhos revirando e sem respiração. Nocaute, sem necessidade de contagem.
Você ainda não está acreditando, não é? Pois, se o mãozinha de pilão é invenção da minha cabeça, porque meu amigo baixou hospital, a sangrar pelo canal da uretra, e ainda hoje, duas semanas após o soco, senta com dificuldade, vive a fazer tratamento de gelo e está com a vida conjugal comprometida?
Pobre do meu amigo. Não pode ouvir o nome Mateus, nem por telefone, que se treme todo. Pediu-me, pelo amor de Deus, pra não revelar a sua identidade – súplica que eu, condescendente com a humilhação pública de quem levou uma sova de uma criancinha, acatei. Mas jamais deixaria de relatar essa história, até para que a turma do boxe possa caçar esse garoto que tem tudo pra se tornar um novo Popó, Holyfield ou Mike Tyson.
O alerta, é claro, vale também para os pobres que, assim como eu e meu amigo, vivem a mofar em filas de banco: se ouvirem uma mãe gritando ‘Mateus’, corram ou, no mínimo, protejam a região pubiana com as duas mãos, em posição de barreira de futebol. E se isso atrapalhar a arrumação dos boletos, paciência. O caixa do banco que se vire!!!

segunda-feira, setembro 07, 2009

Parceria com o Chico Buarque

Sim, eu tenho uma parceria com o Chico Buarque. Na verdade, fiz uma adaptação da obra do Chico para uma reportagem sobre a Festa do Jegue, que acontece todo mês de setembro, no município sergipano de Itabi. Também, pra fazer uma reportagem especial a toque de caixa, só mesmo contando com o auxílio luxuoso do Chico e do grande amigo Adolfo Sá, mente brilhante lá da Aperipê TV. O primeiro, na trilha sonora dos Saltimbancos; o segundo, na edição de imagens. Além disso, contei com as entrevistas produzidas pelo jornalista Fábio Lélis e a narração profissional do amigo - e também jornalista - Tiago Hélcias, que deu vida ao meu texto. As imagens são do Claudionor Santos.

O trabalho foi exibido na TV Brasil e, como já estamos em setembro, resolvi resgatar e postar aqui no boteco. Ah, e vale a dica: a Festa do Jegue será no final de semana de 20 de setembro.

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