Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

quarta-feira, junho 21, 2006

Gordinho enlatado? NEM MORTO!


Está cada dia mais difícil ser gordo nesta ----- de mundo estereotipado. Como se já não bastassem as espremedoras roletas de ônibus e terminais, as poltronas apertadas, os preços abusivos dos produtos dietéticos – artifícios para os fofinhos inconformados que precisam sair da crise existencial –, agora somos obrigados a andar pelas ruas com roupas apertadinhas, parecendo sardinhas na lata. Assim, não tem obeso que agüente, caramba!

Nós, os gordinhos, somos heróis natos. Mesmo antes de darmos os primeiros passos ou falarmos as primeiras palavras, já aprendemos a enfrentar as agruras proporcionadas pelos quilinhos a mais.. entre elas, as piadinhas e os apelidos que, acreditem, nos perseguem por toda a vida. De “bochechudinhos” nos primeiros cinco, seis anos de existência, passamos a ser tachados como rolhas de poço; baleias; elefantes; hipopótamos, free willys; cocôs de dinossauro; bujões de gás; modelos da Butano... e, ainda assim, conseguimos – entre lágrimas escondidas e sorrisos amarelos –, sair incólumes da avalanche de insultos provocada pelos magricelas sem sal... Mas, daí a quererem nos ensacar nos modelitos magérrimos da moda atual, já é golpe baixo, né não?

Eu mesmo, nem consigo mais me empolgar com as roupas que, vira e mexe, atêm os meus olhos às vitrines por aí a fora. Nas três últimas vezes em que isso aconteceu e resolvi coçar o bolso para comprar uma camisa, saí das lojas literalmente frustrado... O diálogo é invariavelmente o mesmo:

– Eu: “Vocês têm tamanho GG?”

– Atendentes: “Hum.. GG não, mas nós temos o G.. Tem certeza de que o GG não é demais pra você?”

Sem saber se as simpáticas atendentes disparam a pergunta por se enganarem com o meu corpinho de Bob Esponja – pra quem não me conhece, sou quadrado, de pernas e braços finos, mas com uma gigantesca e bem criada barriga de chopp escondida por debaixo da camisa – ou simplesmente por quererem me empurrar o produto e garantirem suas comissões, acabo aceitando experimentar a tal G... E é aí que a minha teimosia se transforma em ódio...

Já não se faz mais GG’s como antigamente. O incômodo é tamanho que, para um gordinho como eu, até a movimentação dos braços fica inviável. Além do que, sejamos sinceros: nós, os cinturinhas de ovo (outro apelido que esqueci de citar acima), DETESTAMOS roupas apertadas! Primeiro, por que desenham as boas e velhas dobrinhas, principalmente aquela camada mais adiposa que, quando cercada por uma calça jeans, acaba se inchando ao ponto de encobrir a fivela do cinto. Segundo, por que nós, os “bolos fofos” (olha outra alcunha aí!), gostamos de nos sentir bem, à vontade. Não fazemos questão de andar amarrados somente pra mostrar músculos que cairão com o tempo. Até porque, diga-se de passagem: não dispomos desses músculos.

Outro detalhe: porque cargas d’água as camisas masculinas agora vêm com mangas encurtadas e desenhadas para chegar, no máximo, até a altura da cintura do cidadão? Quem foi o estilista que resolveu acabar com o nosso direito de botar a camisa por dentro da calça? Para um gordo, essa “tendência” é a morte, principalmente, porque ele não pode sequer cogitar a hipótese de levantar um dos braços, que a famosa “pochete” já se esparrama por debaixo da blusa...


É por essas e outras que resolvi usar o Botecospício para exprimir minha revolta com toda essa situação e dizer aos gordinhos de plantão que aposto todas as minhas fichas no fato de ser esta mais uma estratégia dos magrelos para acabar com nossa alegria de viver, com a cara de felicidade que só nós expressamos, com aquele brilho no olhar que reluz diante de uma picanha, um cupim, uma feijoada ou uma lasanha.

Deixo um aviso aos magros: Atenção seus “sopas de osso” (vocês também têm apelidos)! Não só somos mais felizes, como mais fortes e inteligentes, pois enquanto vocês queimam gorduras nas academias, nós gastamos neurônios tentando entender justamente que sentido há em ficar levantando, abaixando, puxando e empurrando peso, ou muito menos em sair correndo pelas ruas feito louco... Não. Definitivamente, eu não sou ladrão!

Mas, tudo bem. Se é guerra que vocês querem, podem declarar a peleja! Estamos aqui, garfos e facas a postos, para trucidar qualquer pouca carne que parar em nossa frente. Vocês não perdem por esperar...

segunda-feira, junho 05, 2006

Eu não mordo travesseiro!

Os mordedores de travesseiro que me perdoem, mas não sou homossexual. E não digo isso em tom pejorativo ou, muito menos, preconceituoso. Respeito os homens que têm desejos sexuais por outros homens e até admiro os assumidos, aqueles que, no quesito “coragem pra encarar a nossa sociedade hipócrita”, são infinitamente mais machos do que eu ou qualquer outro hetero que se preze. Talvez até disponham de um culhão a mais no saco, quem sabe? Não serei o cientista a fazer essa constatação.

Mas, apesar de não possuir trejeitos femininos – pelo menos, acredito que não – e de jamais ter me deparado com o desejo de sentir um barbudo fungando ao meu cangote e arranhando-me o pescoço com a barba mal feita, fui rotulado como sendo “do babado”, por um jornalista sergipano, amigo de uma outra colega de profissão. Detalhe: ele é homossexual e baseia o seu argumento no fato de eu andar com amigos homossexuais. Assim como ele.

Pensamento retrógrado o desse pobre rapaz... Numa época em que as mulheres já comprovaram sua força e conquistaram independência, inclusive, para manter relacionamentos amigáveis com os homens – sem aquela história de que uma relação fraternal entre sexos opostos é inviável, à exceção dos casos em que elas são feiosas, definitivamente incomestíveis –; numa época em que o movimento gay ganha a orla de Atalaia, arrastado por trios elétricos e com bandeiras em riste para exigir respeito e igualdade, eis que me surge um homossexual pra, num ato preconceituoso, descolorir o arco-íris da diversidade e da liberdade de opções.

Decerto, esse jovem jornalista jamais me enxergaria como amigo. Uma aproximação minha e poderia eu estar correndo sério risco de sofrer um assédio sexual... Mas ainda bem que nem todos os homossexuais pensam desse jeito. Se assim pensassem, estariam ainda mais enfronhados às malhas do preconceito.

Tenho amigos homossexuais sim, e os amo da mesma forma que amo os heterossexuais! E daí? São meus amigos e ponto final! Pessoas sensíveis, inteligentes, sensatas, acolhedoras e companheiras nas horas mais difíceis – aquelas em que muito “amigo” hetero de cachaça some do mapa!

Quer saber? Não creio que os verdadeiros valores humanos perpassem a opção sexual, e não abro mão de uma grande amizade com um homossexual inteligente por relacionamentos sociais interesseiros e vazios, pra não dizer burros. Mais vale um amigo homo inteligente no coração, do que 1.000 heteros idiotas e preconceituosos voando.

É uma pena que eu e o referido jornalista, que por razões éticas não vou revelar o nome, não possamos construir uma bela amizade. Ele não acredita na amizade homo-hetero. Quer dizer, hetero-homo, pela ordem das pessoas. Mas, também, não será pela atitude dele e de um bando de outros trogloditas que vêem com maus olhos a companhia de um homossexual – numa mesa de bar, numa casa de shows, numa barraca de praia, no shopping ou em qualquer outro lugar em que os amigos verdadeiros costumem se encontrar – que eu irei deixar de cultivar novos amigos, nem muito menos sairei por aí com um questionário em baixo do braço: “quer ser meu amigo? Então responde aqui, por favor. Você já deu o Zé de porco? O toba? O bufante? Se quiser minha amizade, marca com um “x” na opção “não” e assina por extenso!”. Sinceramente, isso seria ridículo. Tanto quanto o preconceito do meu colega de profissão.