Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Aura linda

De todas as pessoas com quem trabalhei em 2011, a que mais me ensinou foi Lindaura de Jesus Santos, agente de limpeza da Multiserv. Não foram poucas as vezes em que saí da sala com a cara emburrada, cabeça quente mesmo, e fui desarmado pelo sorriso da Lindaura. Ela não é especialista, não tem mestrado ou doutorado. Deve ter tantos problemas quanto eu ou mais. Ainda assim, nunca perde a doçura e o otimismo. Se não for pedir muito, gostaria de conhecer e trabalhar com outras Lindauras em 2012.

terça-feira, agosto 30, 2011

Retrato do antiartista quando coisa

 
“Alvinho!”, gritou Paulo Lobo. Depois foi Dirceu de Marília. Daí veio Edson e pronto. Lá estava eu, cercado de “Alvinhos” por todos os lados.
Alguns ditos por velhos parceiros de farra; outros, mais despretensiosos, ganhavam eco na voz daquela gente desconhecida, que nas altas da madrugada não faz cerimônia e se aconchega na fronha da amigueira boemia.
Enfim, havia chegado a hora da minha canja e eu não podia dizer não. O bar estava vazio, é verdade, mas para um sujeito de timidez acentuada e autocrítica sem limites, qualquer banquinho de boteco vira o palco do Tobias Barreto – em noite de casa cheia.
Primeiro vem o frio na barriga; o gelo nas mãos. Levanto sem graça, pego o violão, bebo um gole. Bebo outro. Mais alguns goles; mais algumas doses. E a coisa só piora. A canja começa e os primeiros acordes são trêmulos. A voz também vacila, reluta, desafina. E eu fico mais nervoso.
Tem ainda aquele momento em que a memória se esvai. Dá branco na execução das notas e letras. Risinho amarelo, aquele olhar vago, para cima, que evita encarar o público de frente, enquanto procura os acordes e versos perdidos no ar. Nessa hora, o nervosismo dá lugar a uma vergonha mais serena, digna de um antiartista que sabe – precisa parar.
Desço do banquinho e embainho o violão fingindo que ninguém me vê. E, por mais que goste das madrugadas e violões, por mais que ame a boa música, retoco a certeza de que não sou artista.
Não sou artista, primeiro, porque não tenho alma de artista. E para completar, não componho como Gilton e Paulo Lobo; não toco violão com a destreza de Heitor Mendonça ou o suingue de Samuca; não canto como Fábio Lima; não tenho a presença de palco de Dirceu, e muito menos a criatividade de Djenal Gonçalves. Não tenho a poesia de Anderson Ribeiro. Sou um mero reprodutor de melodias, ainda assim, continuarei a arranhar meu pinho toda vez que os amigos pedirem a fatídica canja. Um dia, quem sabe, eles se cansam de mim.

segunda-feira, agosto 29, 2011

É Noite

Fernando Pessoa

É noite. A noite é muito escura. Numa casa a uma grande distância
Brilha a luz duma janela.
Vejo-a, e sinto-me humano dos pés à cabeça.
É curioso que toda a vida do indivíduo que ali mora, e que não sei quem é,
Atrai-me só por essa luz vista de longe.
Sem dúvida que a vida dele é real e ele tem cara, gestos, família e profissão.

Mas agora só me importa a luz da janela dele.
Apesar de a luz estar ali por ele a ter acendido,
A luz é a realidade imediata para mim.
Eu nunca passo para além da realidade imediata.
Para além da realidade imediata não há nada.
Se eu, de onde estou, só veio aquela luz,
Em relação à distância onde estou há só aquela luz.
O homem e a família dele são reais do lado de lá da janela.
Eu estou do lado de cá, a uma grande distância.
A luz apagou-se.
Que me importa que o homem continue a existir?

sábado, julho 16, 2011

O doce gosto da amarga crítica

Fazer uma boa crítica não é para qualquer um. O crítico por excelência tem de ser um exímio alquimista das palavras, capaz de dosar, com precisão cirúrgica, a cor e o cheiro, a essência e peso que toda palavra tem. A boa crítica não pode ser apenas persistente - precisa ser infalível, por mais que, nela, os escritos ganhem sabores muitas vezes indigestos ao gosto de quem a carapuça se acomode melhor.

Alguém sempre sairá ferido, pelo menos, no ego. E no universo do futebol brasileiro não é diferente. Uma análise crítica bem fundamentada, obrigatoriamente provoca azedume ao paladar da cartolagem e adoça a boca e a alma do torcedor que, mesmo maltratado durante décadas de mandos, desmandos e incompetência, ainda sonha em ver a valorização do seu clube e, claro, do esporte.

É justamente por este torcedor sofrido que o crítico tem a obrigação de desembainhar as palavras que forem necessárias. Nobres, quando para enaltecer o labor; chulas, quando para desmascarar ações igualmente chulas, de dirigentes zombeteiros que, debruçados no passado e com uma espécie de discurso Malufista, só tentam acobertar o presente e dar as costas ao futuro, só tentam enganar os verdadeiros amantes do futebol.

Na ponta da lança, as palavras; no escudo, a imparcialidade; na armadura, a honestidade. Com esta indumentária, qualquer crítico sobrevive ao destempero de quem foi ou, por algum motivo, se sentiu criticado, mas não conhece o devido valor da crítica. E quando a crítica é implacável perante àqueles que permanecem em situação confortável no cenário obscuro e destruído do futebol, não são poucas as tentativas desesperadas de denegrir a imagem de quem fez as afirmações mais duras. Pura falta de argumento, coisa que o bom crítico, incólume, tira de letra.

Aliás, o bom crítico jamais cambaleia ou se curva, porque nunca se rendeu ou renderá aos afagos de quem precisa de apoio para permanecer no poder. Ele jamais será subserviente ao descaso, à postura antidemocrática, ao amadorismo no futebol. Exatamente por isso, quando percebe tentativas de achincalhe, contra ele ou seu trabalho, o crítico se agiganta. Tem a certeza de que a sua crítica não só incomodou, como foi certeira, dilacerante. Que sirva, pois, de lição para que as palavras duras de hoje, quem sabe, sejam substituídas por elogios em breve. No dia em que isso acontecer, o futebol estará caminhando no rumo que o bom crítico e o torcedor tanto sonham.

sexta-feira, abril 29, 2011

Desespero tricolor

Tudo bem que o Jahia não ganha nada há mais de uma década. Mas tentativa de suicídio já é demais. Se esse povo todo morre, eu vou sacanear quem?

segunda-feira, março 28, 2011

Declaração de amor a Aracaju



Texto: Cleomar Brandi
Imagens: Augusto Baiano e Miro Ribeiro
Narração: Evenilson Santana
Edição de imagem: Álvaro Müller e Leno Kravitz
Edição de texto: Álvaro Müller

quarta-feira, março 23, 2011

Suruba de incompetentes

Narciso se despede do Sergipe (Foto: Ascom/Sergipe)

Narciso veio ao Sergipe para dar uma rapidinha e se mandou. Chegou ao final de fevereiro com o seguinte discurso: "Sem ter a mesma estrutura, estou adorando esse trabalho. Tenho contrato até o fim do campeonato, no dia 10 de junho, mas há possibilidade de ser estendido". Menos de um mês depois, deixou o alvirrubro dizendo que 'esperou muito' para que a situação do clube melhorasse.

É no mínimo estranho que o mesmo homem que venceu a leucemia e transformou-se em exemplo de perseverança e superação no esporte tenha desistido do Sergipe tão rápido e fácil. Ou a passagem do Narciso pelo Vermelhinho esconde negociações espúrias, descumprimento de palavra, ou ele simplesmente aproveitou a primeira deixa - no caso, a falta de frutas e de um jantar para os jogadores -, para juntar as tralhas e correr em busca de um emprego melhor.
Mas a quem Narciso quis enganar com essa estória de falta de estrutura? A torcida? A imprensa? A si próprio? Talvez tenha sido reconfortante para ele alegar que esperou 'longos' 20 dias por mudanças num clube afundado em dívidas que, segundo a diretoria, somam mais de R$ 600 mil. Talvez. Mas o que Narciso não tem o direito é de tentar nos fazer acreditar que ele desconhecia a realidade que iria enfrentar no Estádio João Hora.

Está publicada no blog do jornalista Adel Ribeiro (www.adelribeiro.blogspot.com) a justificativa do ex-técnico do Sergipe para exigir mudanças em tão pouco tempo: "O futebol é dinâmico, não dá para ficar esperando". Ora, o que Narciso entende como 'dinâmico' eu entendo como volúvel e aposto que tenho razão, até porque não há nada de 'dinâmico' em deixar um clube precisando desesperadamente da vitória e às vésperas de um clássico contra o seu maior rival.

Certo mesmo é que, no frigir dos ovos, a rapidinha do Narciso com o Sergipe nada mais é que o retrato da falta de planejamento, também entendida como 'dinâmica' pela cartolagem local. Assim como o ex-santista, tantos outros treinadores já entraram e saíram, entraram e saíram, insistentemente, nessa suruba da incompetência que é o futebol sergipano. Narciso chega, Narciso vai embora. Fulano chega, fulano vai embora. Ciclano chega, ciclano vai embora. E o torcedor, infeliz, é quem fica só assistindo a orgia e sem sentir o mínimo prazer.

terça-feira, março 01, 2011

Cajus quebram os dentes


A Prefeitura de Aracaju comprou a ideia do artista plástico Fábio Sampaio e colocou 11 grandes esculturas, réplicas de caju, em pontos turísticos da capital que tem nome vindo do tupi ‘ará acaiú’ – ou seja, ‘cajueiro dos papagaios’. O projeto cultural ganhou o nome de Caju na Rua e também valoriza a arte sergipana. Cada fruto gigante tem o traço específico de um artista, dos retalhos de Hortência Barreto às charges do Edidelson. Bacana, não é? Mas há quem ache defeito.

Hoje de manhã um cidadão enviou mensagem para um programa de rádio, querendo saber se os artistas plásticos do Caju na Rua “já viram caju azul?”. A asneira, provavelmente encarada pelo ouvinte como crítica inteligente e recheada de ironia, foi lida na íntegra pelo apresentador, que depois ainda abriu espaço, caso algum artista ou responsável pelo projeto quisesse se pronunciar. Ninguém perdeu tempo, é claro. Eu, por tabela, aproveitei a deixa para sintonizar outra estação.

Vou dizer uma coisa: o povo não é brincadeira. Reclama de tudo e ainda encontra na mídia espaço para disseminar as teorias mais absurdas. Ouvinte e apresentador queriam o quê? Que os frutos de quase dois metros também tivessem ranço, como os cajus dos quintais? Pelo visto, é bom advertir que morder cajus gigantes não é recomendável, pode quebrar os dentes. E no mais, a depender da fonte de inspiração, o artista tem o direito de enxergar até cajus de neon e falantes. Respeitem a liberdade de criação, ora bolas! 

terça-feira, fevereiro 15, 2011

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Miniusina de Divina Pastora vira modelo nacional

Agência Espacial Brasileira vai reproduzir tecnologia para o desenvolvimento sustentável da população de Alcântara, no Maranhão


Representantes da AEB e do ITP visitam miniusina
Fotos: Marcelo Freitas 


Álvaro Müller
Especial para o Jornal da Cidade

Joel de Santana dedicou a vida inteira ao plantio da cana-de-açúcar. Na lida diária com a terra, fincou raízes familiares no município de Divina Pastora, a 39 quilômetros da capital sergipana, Aracaju. Hoje, aos 61 anos, assentado e dono de 25 tarefas, o vetusto agricultor não hesita na hora de explicar como sempre conseguiu dar de comer aos cinco filhos – quatro ainda morando com ele.
“Criei cortando cana na terra dos outros, foi um tempo perdido. De uns 15 anos para cá, consegui comprar um pedacinho de terreno e já estou aposentado também, aí melhorou um pouco. Se eu tivesse essa terrinha antes, seria outro homem hoje, mas estou satisfeito. Aos pouquinhos a gente vai conquistando as coisas. Já vieram comprar minhas tarefas, mas eu não vendo, vou deixar para os meninos. Quem não deixa uma fazenda, deixa um palmo”, diz Joel.
A lógica do mercado da cana-de-açúcar explica por que o pequeno agricultor geralmente precisa derramar suor em terras alheias para sustentar a cria. É dele todo o trabalho de plantar e cuidar da plantação, mas não o direito de negociar o produto diretamente nas usinas. Nessa hora, surge a figura do atravessador, que corta a cana, repassa aos grandes empresários e acaba levando 40% dos lucros ou mais.
O preço de uma tonelada de cana custa, em média, a bagatela de R$ 40, podendo chegar a R$ 60. E se repartir um valor tão irrisório já é difícil, mais complicado ainda para os pequenos agricultores é perder a venda. “Hoje temos uma área plantada equivalente a 400 tarefas e uma preocupação muito grande, pois a usina que retirava a nossa cana para produzir açúcar e álcool está deixando de comprar, isso porque, nas grandes propriedades, os atravessadores conseguem adquirir uma quantidade muito maior, a um preço obviamente menor”, garante o secretário de agricultura de Divina Pastora e também assentado, Reginaldo Almeida.
A situação é difícil, mas uma parceria entre o Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) e a Prefeitura de Divina Pastora começa a se apresentar como alternativa de apoio à agricultura familiar. Uma miniusina de produção de etanol foi construída para absorver a produção de cerca de 80 famílias assentadas e transformar a matéria-prima em combustível para veículos das frotas do poder público municipal e de uma cooperativa de táxi. Além de ganhar com a comercialização da cana diretamente na Prefeitura, os lavradores ainda serão beneficiados com o vinhoto, resíduo efluente resultado do processo de fabricação do álcool, que retorna à cadeia produtiva como fertilizante do solo.
A miniusina de etanol custa R$ 321 mil, investimento rateado entre a Prefeitura e a Cooperativa dos Agricultores Familiares do Estado de Sergipe. Está em fase de implantação e a capacidade de produção inicial é de 500 litros/dia. “Divina Pastora será o primeiro município do Brasil a produzir seu próprio combustível, isso é algo notável para o porte da cidade, que não tem uma frota tão grande, mas sinaliza com o interesse de ampliar a renda do agricultor familiar. Nós aguardamos o licenciamento ambiental e a expectativa é de que, no mês de março, a miniusina esteja em pleno funcionamento”, diz o representante de relações institucionais do ITP, Geraldo Viana.
Para um agricultor como Joel de Santana, que passou a vida inteira sem qualquer perspectiva de se desvencilhar dos atravessadores, o projeto de produção de etanol ainda causa certa desconfiança. “Sem ver funcionando, a gente não vai acreditar”, receia. Mas para a Agência Espacial Brasileira (AEB), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, a proposta é mais do que viável, técnica e financeiramente. Tanto que o Instituto de Tecnologia e Pesquisa ganhou licitação nacional e vai aplicar a mesma metodologia no município de Alcântara, Maranhão, onde o Governo Federal mantém o centro de lançamento de foguetes mais importante do País.
Na última quinta-feira, 3, integrantes da AEB estiveram em Divina Pastora para conhecer a miniusina. “Uma das metas do Programa Espacial é promover melhorias na qualidade de vida da população de Alcântara. Temos comunidades que foram deslocadas em função da implantação dos sítios de lançamento, evidentemente que, com todo o suporte do Governo Federal, foram construídas agrovilas, residências, só que o tempo passou, essas comunidades cresceram e a região necessita de um desenvolvimento sustentável. Você não tem em Alcântara, por exemplo, coleta seletiva. Neste cenário, uma usina de etanol vai trazer benefícios econômicos e sociais, é uma atividade necessária e que nós encontramos a oportunidade de fazer junto com o ITP”, afirma Nilo Andrade, diretor de licenciamentos da Agência Espacial Brasileira.
A miniusina de produção de etanol funcionará fora do Centro de Lançamento de Alcântara e será gerida pela população. “Toda matéria-prima produzida pelo CLA, outros centros instalados, pelo município e cidades vizinhas vai gerar subprodutos para o beneficiamento da comunidade. Além do etanol, temos também uma usina de produção de tijolos para construção civil. A fabricação será gerida pela cooperativa da comunidade, que vai fazer a aplicação e distribuição do que for produzido”, explica Nilo.

Agricultor José de Santana ao lado
da mulher: sacrifício para criar cinco filhos 
TRATAMENTO DE RESÍDUOS

O Instituto de Tecnologia Pesquisa desenvolve hoje uma série de projetos para geração de emprego e renda em Divina Pastora, como a criação de hortas comunitárias e a construção de casas de taipa com material reciclável. Ainda em fase de concepção, o Centro de Tratamento de Resíduos para geração de energia também será aplicado pela Agência Espacial Brasileira na cidade de Alcântara. “Por meio da biodigestão anaeróbia de compostos orgânicos, temos a possibilidade de aproveitar ao máximo os materiais recicláveis, minimizar a área de aterro e recuperar biogás, o que deve gerar em torno de 0,3 megawatts de potência instalada. Isso daria para abastecer cerca de 30% da necessidade de consumo do município de Divina Pastora”, mensura Geraldo Viana.
O diretor administrativo e financeiro do ITP, Cleverton Santa Rita, ressalta que a parceria com a AEB para o desenvolvimento sustentável é pioneira no País. “Não há nada funcionando de forma integrada no Brasil. O modelo envolve muitas áreas do conhecimento, pressupõe interação entre pesquisadores e técnicos de Sergipe e do Maranhão”, comenta.
O presidente do Instituto de Tecnologia e Pesquisa, Temisson José dos Santos, ressalta a importância dos projetos de cunho social. “A ideia é de transferência de tecnologia, ou seja, sair da bancada dos nossos laboratórios e aplicar a inteligência dos nossos pesquisadores, os resultados dos estudos fora do ITP. Este é um dos nossos grandes objetivos e também um anseio da sociedade, que quer ver onde e como está sendo aplicado o dinheiro que o poder público investe para o financiamento de uma pesquisa”, afirma. Segundo Temisson, outros municípios sergipanos já começam a demonstrar interesse nos projetos. “Fizemos rodadas de negociação com prefeitos que estão com visita marcada em Divina Pastora para ver, por exemplo, a miniusina funcionando”.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

VOCÊ É HETERO?

Um repórter resolveu fazer a seguinte enquete na Paraíba: você é heterossexual? Olha só a confusão que deu...

terça-feira, janeiro 25, 2011

De ensinador a mestre-aprendiz

Filósofo e sociólogo Pedro Demo diz que avanço das universidades depende de um novo perfil do professor

             Pedro Demo: "Quem não é autor, não tem aula para ministrar"

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - Inep -, vinculado ao Ministério da Educação, são mais do que sintomáticos: a investigação científica ainda é uma prática insipiente no Brasil. Dos quase 321.500 professores do ensino superior, apenas 24% dos que trabalham em universidades possuem doutorado. Nas faculdades, este número cai para 9,24%. Na contramão das estatísticas, o filósofo e teólogo catarinense Pedro Demo, educador brasileiro de renome internacional, defende a importância do educar pela pesquisa, da academia enquanto centro de produção de um conhecimento cada vez mais mutável, discutível, passível de reconstrução, que garanta o aprendizado de alunos e mestres.
"A universidade não pode limitar-se apenas a trabalhar o conhecimento disponível, codificado, que está nas enciclopédias, nos livros. Todos os grandes princípios da física, da matemática estão sendo agredidos. Autores concebem que mais de 90% do que conhecemos hoje vai cair, já começou pela física quântica e não podemos ficar parados traduzindo velharias. A academia precisa incentivar a pesquisa, cuidar de um processo de produção de conhecimento que seja ao mesmo tempo formativo", analisa Demo.
Doutor em Sociologia pela Universidade de Saarbruker (Alemanha), pós-doutor pela UCLA (Los Angeles - EUA) e autor de mais de 40 livros, Pedro Demo afirma que as IES brasileiras 'ainda não chegaram ao Século XXI' e a mudança no perfil do educador é fundamental para que transformações ocorram nessas instituições. "Hoje, o grande plágio na universidade não é dos alunos. É do professor que dá aulas copiadas. Ele tem que ser capaz de produzir e de fazer o aluno produzir conhecimentos, organizando este processo. Quem não é autor, não tem aula para ministrar e professor para repassar apostila não faz mais sentido. A sociedade precisa de conhecimento e se a universidade não pesquisa, não é necessária. Para repassar conhecimentos outros, basta a internet", sentencia.
Demo critica o 'confinamento' em sala de aula e exige inquietude do educador no sentido sempre renovar o aprendizado. "A gente espera que ele vá a outros lugares aprender novamente, se reconstruir. Da janela da universidade não se vê bem a sociedade. É uma janela estreita e antiquada, então, é muito importante enxergar de perto, olhar as coisas como elas realmente acontecem. Assim o professor é instigado a resolver problemas, mas o que vemos, por exemplo, é a dedicação exclusiva nas universidades federais. Um educador que fica 35 horas na mesma salinha, fazendo a mesma coisa, está mais para múmia do que para pesquisador", ironiza.

Pedro Demo também faz uma análise diante do avanço da educação a distância no Brasil. De acordo com o Inep, em 2002 o País registrou 49.911 matrículas EAD; em 2008, este número já era de 727.961. Partindo da premissa de que o professor é um eterno 'mestre-aprendiz' e o conhecimento inacabado e inacabável, o sociólogo coloca o equilíbrio entre virtual e presencial como desafio no ensino superior. "É muito importante que o aluno aprenda em ambientes virtuais. Se ele depois vai trabalhar com computador, não tem sentido que isto seja uma coisa secundária na universidade. Quem aprende não é a máquina, é o estudante ou o professor. Não há nenhuma chance de substituir o educador, mas tecnologia hoje não é só meio, é alfabetização. Quem não a domina é um analfabeto do século XXI".
A má utilização do universo virtual é outra grande preocupação de Demo, principalmente quando o assunto é a internet. "O Wikipédia, por exemplo, tem um lado formidável, mas muitos textos são inaceitáveis. Como também é feito na base do entusiasmo, muitos dos que escrevem, gostam de futilidades. É mais fácil encontrar um belo texto sobre Schwarzenegger do que sobre Sócrates. O mundo da internet é o mundo da superficialidade, prova disso é o twitter, com 140 toques somente. Será este o texto do futuro?", provoca.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Exorcismo no Confiança

O primeiro passo para o Confiança reencontrar o caminho das conquistas em 2011 é exorcizar seu fantasma mais atormentador: a campanha de 2008. Esse discursozinho borra-botas do 'quase' é digno dos fracos. Deve ser sepultado, definitivamente esquecido. Não custa lembrar, as possibilidades de vitória existem para qualquer um que trabalhe com seriedade, coisa que o Dragão não fez na tal campanha, ainda hoje venerada por dirigentes e parte da torcida proletária.Tudo bem, a equipe de 2008 quase chegou à Serie B do Brasileirão. Ao final da Serie C, a diferença entre o Confiança e o quarto colocado, Duque de Caxias, era de um mísero ponto. Mas a frieza da estatística não exprime a forma humilhante como o Dragão do Bairro Industrial caiu em desgraça, desceu do céu ao inferno em tão poucos jogos.
Na fase decisiva da Serie C de 2008, o Confiança chegou até a liderar, mas desmereceu o apoio maciço da torcida proletária; priorizou a indisciplina, as panelinhas; cavou a própria cova; pediu arrego em campo e enterrou-se nos pecados. Em 14 rodadas, disputou 42 pontos. Ganhou apenas 17. Depois de golear o Campinense por 4 a 0, se deu como classificado, pensou pequeno e desconsiderou a possibilidade do título nacional. Esmoreceu.
Jogadores mortos no gramado, com as mãos no joelho em claro sinal de fadiga - provável resultado de farras -, assistiram ao Atlético Goianiense empurrar vergonhosos seis a zero em pleno Batistão. Insatisfeito com tamanha tragédia, o Confiança ainda sofreu outras cinco derrotas. Tomou quatro do Rio Branco do Acre, cinco do Guarani, virou saco de pancada.
Agora eu pergunto: esta é a referência para quem deseja voltar a vencer no futebol? A história, recentíssima inclusive, indica que não. O Confiança insistiu em alguns 'heróis' de 2008, disputou a Serie C de 2009 aspirando a 'gloriosa' campanha do 'vamos subir, Dragão' e foi parar na D. Não tomou vergonha, repetiu a dose em 2010 e acabou 'fora de serie', na escória do futebol brasileiro. Em suma, o espectro da 'Serie B que não aconteceu' rondou tanto o time proletário, que o clube caiu até onde não podia mais.
É por isso que este saudosismo masoquista de quem deu a cara à tapa e gostou, este pensamento pequeno, covarde de achar que um simples octogonal de Serie C é o limite precisam acabar. Se trabalhar com os pés no chão e paciência, subindo degrau a degrau, o Confiança pode, sim, alçar voos bem mais altos. Aliás, o Dragão já deu exemplos de sua força em outras épocas. Foi vice-campeão da Zona Nordeste da Taça Brasil em 1964; fez a melhor campanha de um clube sergipano em competições nacionais, em 1977, quando chegou a decidir a liderança do grupo contra o Flamengo, no Maracanã. Estas, sim, são páginas da história azulina que merecem ser enaltecidas. Quanto a 2008, não passa de um claro exemplo de como não fazer. Um fantasma que precisa ser exorcizado já!