Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

Espetacularização da morte

Porque sangue dá audiência, violência institucionalizada fabrica
potenciais homicidas, e auxílio-funeral é sinônimo de glamour
Homem se debruça sobre cadáver para fotografá-lo em Socorro


O pop não poupa ninguém. Nem mesmo ela, a única, infalível, irremediável certeza da vida. A morte já não faz jus à caricatura clássica da capa sombria, do semblante sinistramente cadavérico e da foice fulminante. Já não fica mais à espreita. Quando cumpre seu papel, impiedosa, causa furdunço. Popularizou-se. Seguiu a tendência de um mercado que vende de tudo – inclusive sangue. Virou espetáculo.
Ao redor de cadáveres e vítimas agonizantes, homens, mulheres, crianças e idosos amontoam-se feito abutres. Sempre a postos, sedentos, multiplicam-se como chaga após um grito horrorizado, precedido de estampidos ou estrondos quaisquer. Diante de corpos presos a ferragens ou estendidos no chão, sacam celulares, registram suspiros dolentes e derradeiros de quem, na luta para sobreviver, acaba virando celebridade.
Dois homens em uma moto colidem contra um poste na Avenida Coletora, Conjunto Fernando Collor de Melo, em Nossa Senhora do Socorro. Arremessado contra a haste de concreto, Antônio Marcos Santos da Silva, poucos 33 anos, morre instantaneamente. Desfalecido, Vicente Paulo Filho, condutor do veículo, é quase engolido pela multidão enquanto recebe o atendimento do Samu. Dentre curiosos, a dona-de-casa Josimara dos Santos segura pela mão sua filha de 8 anos. E mesmo incapaz de afastar-se da cena funesta, dissimula: “Vou tirar minha filha daqui. Ele (o defunto) tá feio, pode assustar a menina de noite, né? Eu tava curiosa, mas já olhei, vou-me embora”.
Surpreendida pelo súbito questionamento do repórter – que também precisa ruminar a morte para retornar à redação com a notícia mais quente, garantindo a audiência e o emprego –, Josimara finge inquietação pelo fato de a sua filha estar vidrada nas vítimas. A pequena é apenas uma dentre tantas outras crianças já impregnadas do sofrimento alheio, e a vontade da mãe é mesmo saciar seu lado humanamente cruel, a curiosidade mórbida, o interesse pela notícia ruim que tem público cativo e ocupa espaços cada vez maiores na mídia.
“É claro que essa espetacularização acontece porque existe uma resposta da população, um interesse muito grande. Esta mãe provavelmente não está nem um pouco preocupada com a conseqüência da cena trágica para sua filha”, diz a psicóloga Maria José Camargo de Carvalho. Para excluídos como Josimara, gente íntima das mazelas sociais, a morte sempre se revela caridosa. Testemunhá-la é a oportunidade de ganhar notoriedade, falar no rádio, aparecer na TV e nos impressos. De ser notado.
Talvez por isso tantas josimaras arrastem suas crias pela mão em direção ao descalabro da cotidiana violência. E o pior: em casos de homicídio, permitem que vivenciem a brutalidade, ao vivo e em cores, o que pode trazer conseqüências ainda mais desastrosas para uma criança. Afinal, acostumar-se a homicídios é estar mais propenso a matar no futuro, principalmente quando o crime é vivenciado dentro de casa, nas entranhas da família.
“Freud descreveu um mecanismo na Teoria Psicanalítica chamado de identificação com o agressor. É o que acontece em casos de alcoolismo. Uma criança pode passar por situações terríveis, de maus-tratos nas mãos de um pai alcoolista, e depois se tornar alcoolista e impor a mesma situação aos seus filhos. Ela se identifica com o agressor até em busca de alguma compreensão desse lado cruel, destrutivo, maldoso que algumas pessoas exercem. Ou pode ser também uma maneira de ‘passar adiante’, uma forma de revide por uma situação que não foi digerida na infância”, alerta Maria José Camargo.

VELADA OU PRONTA PRA CONSUMO?

Por despertar tanto interesse, a morte tem sido alvo de estudo no campo da História. Segundo o historiador Antônio Bittencourt Júnior, coordenador do curso de História da Unit, a morte sempre chamou a atenção, mas hoje é veiculada com muito mais facilidade. “Se levarmos em conta a morte enquanto violência instituída pelo Estado, percebemos que as pessoas sempre assistiram aos enforcamentos, aos rituais da inquisição, com a presença do poder dando legitimidade àquele assassinato. Eram gestos públicos também. Nestes casos, a morte servia não só como punição, mas como um gesto ‘pedagógico’. O cara era enforcado publicamente para que as pessoas percebessem que, caso transgredissem as normas, poderiam ser as próximas; no caso da inquisição, a ideia era fazer com que se cumprisse um caminho reto, de Deus. E de uma forma ou de outra, a morte sempre foi um espetáculo”.
A forma de as civilizações lidarem com o fenômeno natural vem demonstrando, ao longo do tempo, aspectos de evolução do modelo humano. “Quando encontramos sociedades que cuidam dos seus mortos, isso é um demonstrativo inicial de que estão em um estágio de complexidade tal, capaz de fazê-las vislumbrar uma perspectiva de necessidade de cuidados com o homem além da vida objetivamente como se apresenta. Portanto, na história da humanidade a morte tem um papel fundamental”, diz Antônio Bittencourt.
Em sua obra ‘O homem diante da morte’, o escritor francês Philippe Ariès discute esta relação ao longo do tempo. Para um soldado romano, por exemplo, morrer em combate era esperado, honroso; morrer em outra circunstância que não a da guerra era indigno, vergonhoso para toda a família. “Puxando para nossa atualidade, existem mortes aceitáveis, passíveis de publicidade, e outras que são de alguma forma mais veladas, escondidas. Quando um cidadão morre em decorrência da Aids, por exemplo, ainda há a necessidade de se esconder a causa”, afirma o historiador.
O fato é que, independentemente do motivo, o homem não está pronto para morrer e este medo acaba criando um mercado de consumo da morte que também desperta o interesse de pesquisadores das Ciências Sociais. Antigamente as pessoas morriam em casa e eram comuns os relatos das ‘últimas palavras’. Hoje, não. Por maior que seja o avanço da medicina e da tecnologia, ninguém está satisfeito com a possibilidade de ‘bater as botas’. “Ficamos entubados, na UTI, porque não queremos morrer. Ou seja, é o avanço da ciência compreendida como possibilidade de controle da natureza – e a morte é um desses fenômenos naturais, o que nos submete a esse mercado”, revela Bittencourt.
Só que o mercado da morte expandiu-se, extrapolou o temor de quem não pensa em ‘partir desta para uma melhor’, não mais se limita aos planos de saúde e estruturas hospitalares. Virou demarcador socioeconômico. Na história da humanidade, o féretro sempre foi um demonstrativo da escala social e alguns homens investiram no sepultamento com a pretensão de se perpetuar. As pirâmides do Egito, por exemplo, não são meros locais de recolhimento para a morte; são demonstrativos do que uma determinada figura representava naquela sociedade. Hoje, nos cemitérios, também não é difícil distinguir os pobres dos ricos.

Praticidade e luxo no auxílio-funeral

Enedina: “Funeral é mais uma preocupação com os vivos”
No site de uma das principais empresas de auxílio-funeral do país, três planos são colocados à disposição de quem deseja uma ‘morte tranquila’, para si e para a família. O básico, que custa R$ 19 mensais, dá direito a “urna mortuária sextavada com visor semiluxo, forrada em tecido TNT branco, babado sobre babado, alças varão e verniz de alto brilho”, além de coroa de flores naturais em tamanho médio, sala para velório – se disponível –, carro fúnebre para traslado do corpo, aluguel de ônibus e algumas outras ‘regalias’. Já quem tem condição de desembolsar R$ 50 mensais no plano supervip ganha coroa de flores tamanho grande e caixão de luxo, “modelo Barcelona, acabamento interno em cetim, travesseiro preso, babado nas laterais e sobrebabado ocupando todo o interior, cobrindo toda a extensão lateral”. Outra diferença está na quilometragem livre do veículo destinado ao transporte do corpo: 200 quilômetros na opção mais em conta, 400km na mais cara.

Os planos de assistência funerária são a prova de como os rituais de sepultamento retratam a pirâmide social. Mas não estão atrelados apenas ao status de quem morre; crescem pari passu com as novas necessidades da família e representam praticidade numa época em que ninguém tem mais tempo de lidar com a morte.
“Todos estão sempre muito ocupados, falta um sentimento de aproximação principalmente em relação à velhice, doença e morte. Isso é uma característica típica da sociedade ocidental contemporânea e tem a ver com o movimento de hospitalização no Século XIX, que vai separar os doentes das pessoas saudáveis. Você tem um discurso, também no Século XIX, da Psicologia que vai defender a necessidade de afastamento da criança de qualquer tipo de sofrimento – seja doença ou morte – e isso levado a gerações futuras resulta em uma sociedade despreparada para passar por um fenômeno natural. Esse despreparo encontra suporte no desenvolvimento de empresas especializadas – característica do sistema capitalista”, explica a socióloga Enedina Maria Soares Souto.
Hoje, por influência do Protestantismo, existe no Brasil a tendência de construção dos cemitérios horizontais, com lápides discretas e que visivelmente dão a sensação de igualdade social. “Mas essa aparente visibilidade é quebrada quando se faz um estudo mais aprofundado e se percebe que há diferenças, tanto no serviço do funeral quanto na localização dos jazigos nesses cemitérios-jardins”, adverte Enedina, que também faz referência ao historiador francês, estudioso da morte: “Ariès afirma que a preocupação com um funeral não é com o morto em si, mas com o resultado disso para a vida social. Se eu sou um parente negligente, socialmente serei condenado por isso e, a depender da classe social, precisarei investir o correspondente à minha imagem nas relações. É muito mais uma preocupação com os vivos do que com os próprios mortos”, verifica.
“Cada vez mais a ciência avança no sentido de que a gente controle e prolongue a vida, mas o mercado se impõe e diz: ‘por mais que tentemos, não poderemos protelá-la eternamente. Portanto, prepara-te para ter uma boa morte. O homem atual está em um cabo-de-guerra com morte que, no máximo, ele consegue alguns minutos a mais nessa partida inglória”, sentencia Antônio Bittencourt.

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

Carivaldo e o Ciosp

O jogo entre Riachuelo e River Plate, no Estádio Francisco Leite, demorou cerca de dez minutos para ser iniciado, por falta de policiamento. E eu, em casa, imaginando uma conversa do presidente da Federação Sergipana de Futebol, Carivaldo de Souza, com um atendente do 'eficiente' Centro Integrado de Operações em Segurança Pública, o Ciosp:

Carivaldo – Alô?
Atendente – Ciosp, boa tarde!
Carivaldo – Eu gostaria de alguns policiais aqui no Estádio Chico Leite, em Riachuelo...
Atendente – Senhor, qual é a distância do estádio até o posto policial mais próximo?
Carivaldo – Como vou saber?
Atendente – Mas é preciso, senhor, senão como vou deslocar a viatura com a quantidade de combustível adequada?
Carivaldo – Olha, eu sei que de Aracaju para Riachuelo são 31 quilômetros..
Atendente – De asfalto ou estrada de chão, senhor?
Carivaldo (meio irritado) – ASFALTO!
Atendente – Certo senhor... qual é a cor do muro do estádio?
Carivaldo (muito irritado) – EU SEI LÁ! EU NÃO SOU JOGADOR NÃO, SOU O PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO! ESTOU EM ARACAJU!
Atendente – Mas senhor, sem identificar o estádio não tenho como mandar a viatura...
Carivaldo (aos berros) – TÁ! TÁ! DEIXA PRA LÁ!!!!!

Não entendeu? Clique aqui.

Ramonlation-tion, Ramonlation!

O vice-presidente do Club Sportivo Sergipe, Ramon Barbosa, resolveu aproveitar o embalo do Pré-Caju para ditar o ritmo do Sergipão 2010. É o Ramonlation, versão mais requebrada do Rebolation, sucesso da banda baiana Parangolé que incendiou a Avenida Beira-Mar durante a maior prévia carnavalesca do Brasil. Um suingue envolvente que mal foi ensaiado e já esquentou o clima no João Hora.


Até a semana passada, Ramon Barbosa vestia o abadá do ‘Bloco da Mudança’ ao lado de um grupo de conselheiros insatisfeitos com a administração do presidente do Mais Querido, Antônio Carlos Soares da Mota. Mas deu uma reboladinha e resolveu, de uma hora para outra, mudar de opção. Depois de uma boa conversa de pé-de-ouvido com o Motinha, balançou o esqueleto, virou as costas para a turma dos descontentes, passou a corda e aderiu ao ‘Bloco da Inércia’. Tudo no compasso do Ramonlation, é claro.

Diferentemente do Rebolation, cantado como ‘nova sensação’ pelo vocalista Léo Santana, do Parangolé, o Ramonlation traz uma melodia renitente, que já dói nos tímpanos do torcedor alvirrubro. Isso porque, no mínimo, esta já deve ser a décima vez que o Ramon adere ao ‘Bloco da Inércia’ movido, segundo as más ou boas línguas, pela vontade de assumir a presidência do Sergipe.

Sem perceber muita animação do ‘Bloco da Mudança’ em torno de sua candidatura e após ouvir do Motinha mais uma promessa de que finalmente vai largar o osso e apoiá-lo nas eleições do final do ano, o Barbosa não teria economizado na malemolência, muito menos titubeado em ser o possível candidato da situação que tanto vinha criticando. Os conselheiros insatisfeitos do Sergipe, insultados como marginais por Motinha e abandonados por Ramon dias depois, caíram de pau em cima da dupla dinâmica e chegaram a cogitar a possibilidade de o vice ser uma espécie de espião infiltrado no grupo dissidente.

Eu faria o mesmo, mas como não sou conselheiro do Mais Querido, vou apenas deixar alguns questionamentos: será que o Motinha vai mesmo deixar a presidência? Será que o Ramon é o seu continuísmo? Será que o Sergipe merece um presidente de opiniões e posições tão volúveis? É uma pena que o torcedor colorado não tenha como responder a tantos enigmas e muito menos resolvê-los. A ele, por ora, só resta colocar a mão na cabeça porque vai começar o Ramonlation-tion! Ramonlation-tion! Ramonlation-tion! Ramonlation-tion...

Quarta-feira, Janeiro 13, 2010

Maria, a avó de Jesus



Emoção justificada, afinal, quem tem um filho que anda sobre a água não precisa de geriatra nem do Ivo Pitanguy.

Domingo, Dezembro 27, 2009

"Cleomar" no Sescanção

Tenho como grande amigo e parceiro musical o maior compositor de Sergipe, Gilton Lobo; como irmã, uma bela voz, Maynara Müller; como exemplo de luta pela vida, o amigo exato, de redação, madrugadas e violões, Cleomar Brandi.
Todas essas coincidências foram determinantes para que a música "Cleomar", composta em parceria com o Gilton, recebesse o prêmio do Sescanção. Além de apresentada no Emes, na voz da Maynara, é claro, vai abrir o CD do Sesc, que deve sair em janeiro.
A Gilton, Maynara e Cleomar só posso agradecer pelo privilégio. Decerto não sou merecedor.


Olá

Eu sou a boemia a lhe saudar
nas noites dissonantes
A lua dos errantes
As flores dos amantes
Hão de ser pra sempre belas

Olá
Quem sabe até a poesia seja eu
A pena dos poetas
Um copo de conhaque
Ao tom de luz vermelha
No colo de uma dama
Que diz que me ama
Eternamente, até o nascer do dia

Quem sabe eu tenha a madrugada
como confidente
E a saudade ao meu lado
como companhia
Meu coração, boêmio, é feito simplesmente
De verso, encanto, amor e nostalgia

Mas, se me chega um violão
Se me lembra uma canção
Meu coração, sala vazia
Convida a alegria pra dançar
E eu me apresento
Olá

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

O ano do Saci e da Cuca

Quando o Amaral Cavalcante, editor do Folha da Praia, ligou-me pedindo uma previsão para o futebol sergipano em 2010, aceitei o ‘desafio’ com aquele sorrisinho de canto de boca, típico de quem tem a certeza da vitória. Afinal, não é preciso ser a Mãe Dinah para prever o futuro do esporte bretão na terra do Motinha. Cartas, búzios, tarô, bola de cristal, Fala que Eu te Escuto, dízimo, nada disso. Diante de tamanho amadorismo, desleixo, irresponsabilidade por parte de quem faz o nosso futebol ou deixa de apoiá-lo, não titubeio em dizer que 2010 será igualzinho a 2009, 2008, 2007 e por aí vai.
Antevejo um novo ano repleto de velhos problemas. Arquibancadas vazias, dirigentes desorganizados, empresários desinteressados, jogadores com salários em atraso etc.etc. etc. O Confiança já contratou quase um caminhão de atletas desconhecidos; o Sergipe alguns outros; o Itabaiana viajou em pré-temporada para a Chapada Diamantina, numa tentativa de desintoxicar, mas isso não muda muita coisa. O filme tragicômico do Campeonato Sergipano, caro Amaral, será repetido, eu garanto.
O regulamento, sempre feito ‘nas coxas’ pela Federação, corre sério risco de apresentar inconsistências de datas ou regras obscuras. Normal. No âmbito nacional, as probabilidades de ascensão de um time sergipano, infelizmente, são remotas. Mas ainda vale uma fezinha, já que faz parte do ritual de um verdadeiro torcedor jamais curvar-se em desistência. Se o dinheiro do Confiança continuará ‘guardado’ em caixas de sapato, à disposição dos gatunos, confesso que tenho minhas dúvidas, mas prefiro acreditar que não, até porque qualquer centavo para um futebol à míngua é lucro.
Não obstante a mesmice, atenção: graças ao futebol sergipano, 2010 pode acabar se transformando em um ano cabalístico para a literatura brasileira, já que o Saci, quem diria, está prestes a unir forças com a Cuca. Caso isto de fato ocorra, o Monteiro Lobato que me perdoe, mas o Sítio do Pica Pau Amarelo não será mais o mesmo.
Saci, o Robson, atacante revelado pelo Sergipe e com passagens por equipes como Santo André e Fluminense de Feira, está de volta ao Estado, desta vez para vestir a camisa do Confiança. Se cumprir direitinho seu papel de matador, terá como aliada a Cuca do João Hora, bruxa horripilante que vive a deixar a casa do alvirrubro de pernas para o ar, e não é de hoje. Sorrateira, a Cuca vetusta – que pelo tempo já não deve apresentar mais os cabelos loiros da versão do Lobato, emperra o crescimento do Mais Querido e acaba sendo forte aliada do Dragão do Bairro Industrial. Não tem jeito. Ainda que existam homens de boa vontade no Sergipe, ninguém consegue pegar a danada.
É impressionante, mas quando tudo parece começar a melhorar no Vermelhinho, de repente desanda. Foi assim nos anos anteriores e, pelo visto, será também em 2010. Quem é o grande culpado? Para mim é a Cuca. E reparando bem, ela tem aparência de jacaré, que por sua vez deve ser parente distante de quem? Do Dragão!

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

?????????????????????


Por que tantos porquês?
Por quê?
Qual o porquê das regras fúteis?
Porque sou incompreensível?
Senhores gramáticos:
Vão à merda.
Ou vão a merda!!!

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Agacha, pega e come

Lixão na abandonada Kalil
Foto: Tarcísio Dantas/Jornal da Cidade


Maltrapilho, ele caminha a passos lentos em meio à podridão. De olhar arguto, curvado para baixo, perambula por entre as sobras. Não deixa passar qualquer réstia de subsistência impregnada de chorume. Aos 12 anos, o menino de Riachão do Dantas, a 99 quilômetros de Aracaju, a capital da qualidade de vida, segue os passos da mãe: é um catador.
Para o jornal ele é “Jonathan Silva”. Nome fingido, égide da pouca dignidade que ainda lhe resta. Para o Poder Público, não é ninguém. Mirrado e roto, transita cauteloso como um gato, astuto como um rato, farejador como um cão. Castigado pela fome e pelo sol, não titubeia diante do fétido e nauseabundo pedaço de carne – desperdiçado há um dia ou mais, por alguém de bucho farto ou paladar exigente, que desaprovou a comida. O menino não tem por que esnobar: agacha, pega e come.
“Jonathan” poderia estudar, vislumbrar um futuro. Mas seus sonhos estão castrados. Não quer ser piloto, nem médico, nem professor, nem músico, nem astronauta. Não quer ser nada. Matriculado na 4ª série de uma escola pública, engorda as estatísticas de um governo que contabiliza alunos como quem demarca gado. Arguido sobre a profissão que almeja, responde sem exprimir qualquer emoção: “Ah, sei lá. Qualquer coisa aí”.
Não percebe, mas já é tratado como qualquer coisa. Pela prefeitura, pelo Estado. O terreno onde cata o pão de cada dia; a tira de pano suja que vai aquecer o irmão mais novo; a cadeira quebrada que, com umas marteladas do pai, pode forjar conforto no casebre da zona rural, tudo compõe o cenário vergonhoso do definhamento da educação. Isto porque ali mesmo, onde “Jonathan” sobrevive como bicho, já funcionou uma escola, a Agropecuária de 1º Grau Dr. Nagib Leitune Kalil, construída em 1997 com verbas federais e que, sem motivo reconhecidamente plausível, fechou as portas quatro anos depois.
Dinheiro público foi entornado e o futuro de jovens como “Jonathan” também. A unidade educacional sucumbiu, tomada pelo matagal. Veículos transportadores de alunos perecem ao sol e ao sereno; carteiras formam entulhos; livros destroçados disputam espaço com esterco de animais. As salas de aula da Nagib Kalil transformaram-se em baias – reflexo do tratamento dado aos estudantes de Riachão.
O descalabro afronta, há mais de uma década, os direitos humanos e, em especial, os fundamentais da criança e do adolescente. Entre um prefeito e outro, a política da ‘vista grossa’ persiste, o espectro do descaso percorre corredores de secretarias municipais, estaduais e do Ministério Público. Encrua no gélido mármore que adorna as pomposas edificações da Justiça. Mesmo sabendo que “Jonathan”, todo santo dia, refaz o trajeto da insalubridade e, na luta pela vida, arrisca a própria vida em meio ao lixo hospitalar despejado na antiga Kalil, ninguém toma providência, ninguém move uma palha. Impassível, o menino retribui o desprezo. De olhar curvado para o chão, ele simplesmente agacha, pega e come.