Sexta-feira, Junho 26, 2009

O radialista e o goleiro que engoliu a bola


Todo radialista esportivo é um enganador em potencial, capaz de transformar qualquer pelada mequetrefe em uma partida de futebol recheada de lances perigosos e polêmicos, sonho de consumo para o torcedor fanático, ávido por grandes emoções.
O jogo está ruim? Deixa com o radialista, que ele resolve. Aguça sua ‘sensibilidade’ e faz de chutes fracos, ‘petardos’. Quase todas as faltas são violentas; quase todas as quedas dentro da área são pênaltis; quase todas as defesas dos goleiros são difíceis; quase todas as bolas passam tirando tinta da trave adversária. Tudo isso enquanto o torcedor, irrequieto na poltrona, borbulha em emoções diversas. Beira o enfarto.
O poder de convencimento de um radialista é tamanho, que Dona Anita quase morreu depois de um comentário casual, durante a transmissão de um jogo qualquer. Dona Anita Nunes era a mãe de José Acúrcio, figura conhecida em Alagoinhas como ‘Zé Elegante’ por conta das suas atuações performáticas enquanto goleiro de alguns times da cidade.
Casado com minha tia Maria Amélia, Elegante ficou conhecido na juventude como o melhor arqueiro do Agreste. Verdadeira muralha embaixo dos paus, chegava a desafiar os atacantes – apesar da baixa estatura. Soltava a pelota nos pés dos artilheiros e gritava: “Chuta ‘fila’ da puta!”, “Vá sacana!” ou coisas do gênero. Isso é o que conta meu tio Eduardo Müller, o homem que – segundo seu próprio testemunho – foi improvisado como goleiro uma vez na vida e acabou marcando um golaço após driblar todo o time adversário. Não há uma alma viva em Alagoinhas que confirme essa história, mas quem quiser que diga que Du está mentindo...
Mas, voltando ao assunto ‘radialista exaltado = risco de morte para o torcedor’, certa feita Acúrcio acabou tomando um frangaço, num raro momento de infelicidade, e o radialista de Alagoinhas não mediu as palavras: “Zé Elegante engoliu a bola!”.
Pronto. Foi o suficiente para Dona Anita – mãe do goleiro – invadir a casa da tia Amélia, esbaforida e aos berros: “Acuda! Acuda! Meu filho engoliu a bola! MEU FILHO ENGOLIU A BOLAAAAAAAA!!!”.
Haja água com açúcar e bom vocabulário para convencer Dona Anita de que era fisicamente impossível um ser humano ingerir uma bola de futebol, para fazê-la acreditar que Zé Elegante passava bem. Estava vivo.

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Ah, tá...

Jornalistas são os profissionais que mais consomem álcool

fonte: www.webmanario.wordpress.com

Os jornalistas lideram o ranking dos profissionais mais bebedores na Inglaterra. Na média, eles consomem 19 copos de chope ou quatro garrafas de vinho por semana (sim, há quem beba ambos).

O estudo, conduzido pelo governo britânico, aponta que o povo de mídia no país bebe 44 doses alcoólicas semanais, o dobro do que é tolerado pelo ministério da Saúde local.


*****
19 copinhos de chope ou quatro garrafinhas de vinho por semana... sei... sem querer humilhar, mas, por aqui, a gente bate esse recorde em um dia. E eu achando que o Brasil só era o país do futebol...

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Cobertura de primeira, futebol de segunda

Nos últimos quatro meses, tive a oportunidade de trabalhar - e aprender - com uma equipe de jornalistas de primeira. A modesta Aperipê TV encampou um projeto grandioso quando assumiu a transmissão do Campeonato Sergipano 2009 de futebol. Comparável, em qualidade técnica, a qualquer grande emissora, pública ou privada, do país. Os profissionais, é claro, não poderiam deixar a desejar. E não deixaram mesmo. Os caras fizeram história no jornalismo televisivo sergipano. Agora, uma coisa é certa: a equipe é show de bola no entorno das quatro linhas. Mas dentro... Bom, é ver para crer.


Domingo, Maio 10, 2009

Cleomar

Foto: Gilson Sousa (www.gilsonsousaaracaju.blogspot.com)
Olá
Eu sou a boemia a lhe saudar
nas noites dissonantes
A lua dos errantes
As flores dos amantes
Hão de ser pra sempre belas
Olá
Quem sabe até a poesia seja eu
A pena dos poetas
Um copo de conhaque
Ao tom de luz vermelha
No cólo de uma dama
Que diz que me ama
Eternamente, até o nascer do dia

Quem sabe eu tenha a madrugada
como confidente
E a saudade ao meu lado
como companhia
Meu coração, boêmio, é feito simplesmente
De verso, encanto, amor e nostalgia
Mas, se me chega um violão
Se me lembra uma canção
Meu coração, sala vazia
Convida a alegria pra dançar
E eu me apresento
Olá
* Música em parceria com Gilton Lobo, em homenagem ao maior boêmio e jornalista de Sergipe. Quem quiser ouvir, é só nos procurar no Bar do Mineiro, Bar do Bel ou qualquer um desses botecos da vida. O Cleomar certamente estará lá também.

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

SAI DA FRENTE!!!


Quem dirige a sessenta por hora em toda a extensão de Aracaju? Não sejamos hipócritas! Eu, sinceramente, prefiro frear em cima do radar e ainda atribuo o rótulo de besta ou desocupado a quem segue a risca a velocidade máxima permitida. Aliás, chego até a apostar que tem mais besta do que desocupado ao volante, subindo e descendo pela cidade.
Vou fundamentar, é claro. Pra início de conversa, uma estranha mania acomete alguns motoristas aracajuanos: eles adoram andar a passos de tartaruga pela pista da esquerda. Gente... Logo que tirei a minha habilitação, lá pelos idos de 1996, recebi a informação de que o correto é seguir pela direita, já que toda e qualquer ultrapassagem se faz obrigatoriamente pela esquerda. Será que a lei mudou? Duvido muito. Mas também, se não mudou, a essa altura do campeonato pouco importa. Os 'motorantas' de Aracaju – metamorfose não muito rara, resultante do cruzamento entre um motorista e uma anta – mudaram por conta própria mesmo. E o resultado dessa anomalia do trânsito é uma fila interminável de carros lentos pela esquerda, pela direita naturalmente, e alguns mais apressados ziguezagueando feito loucos para chegar ao destino certo, na hora certa. Muitos destes, como eu, precisando driblar as lesmas do asfalto para não perder o emprego.
E nem adianta sinalizar pedindo passagem, viu! Dar jogo de luz? Tem jeito não, meu fio, desista. Você gasta sua lanterna, o seu farol, a sua buzina, a sua paciência, e o motoranta segue ali, impassível. Você passa meia hora entre sinais e buzinadas e o cara muitas vezes nem vê, ou, quando vê, resmunga cheio de razão. Te chama de mal educado e, em alguns casos, até reduz a velocidade só de pirraça. Errada é a bíblia. Você, coitado, quando cai em si, percebe que está berrando sozinho, com as veias do pescoço estufadas, punhos quase roxos de socar o volante, xingando meio mundo, com a cabeça doendo de raiva, tirando fino em tudo quanto é carro na angústia para sair do lugar, prestes a jogar a pressão e a glicose nas alturas, etc. e tal. E o desgraçado sempre passeando à sua e frente, de boa. Ah, sim! E se te der uma caganeira em meio à procissão dos quatro rodas, pare no posto ou no matagal mais próximo. Dessa forma você evita maiores constrangimentos e não é obrigado a desembolsar uma boa lavagem de bancos, que hoje custa seus quinze, vinte reais ou mais.
Acho que se os motorantas fossem extintos, nós estaríamos meio livres da agonia. Isso mesmo. M-E-I-O L-I-V-R-E-S. Para alcançar a plena liberdade no trânsito de Aracaju e a paz espiritual, teríamos ainda de matar os condutores 'meio lá, meio cá', os indecisos e inseguros que fazem das faixas de circulação uma espécie de guia. Não andam pela direita, nem pela esquerda: andam exatamente pelo meio, como se seguissem a linha pontilhada no chão para não se perder. Será este estágio inicial da vida de um motoranta? Não sei. A minha única certeza é a de que a incidência deste tipo ou estágio de aberração é bem menor. Em compensação, o transtorno para quem tem pressa é infinitamente maior, afinal, com um carro metade na esquerda, metade na direita, só mesmo esperando uma terceira faixa, se houver, para fazer a tão sonhada ultrapassagem.
Por fim, a última grande praga do trânsito aracajuano: o daltonismo coletivo. Se o Código de Trânsito ainda é válido para todo o país, se não sofreu alterações, pelo menos, desde quando me tornei motorista, há quase treze anos, o sinal amarelo funciona como um aviso de “ATENÇÃO” e não de “PARE”. Ora, então porque açguns dos nossos condutores freiam justamente no amarelo? Só podem enxergar vermelho! A essa altura do texto você pode até estar achando graça. Parece brincadeira, né? Mas a coisa é séria. Já perdi as contas do número de acidentes que vi nessas circunstâncias. O sujeito, bom motorista até, vem tranqüilo, feliz, cantarolando a música do rádio, quando de repente o sinal amarela e o cara à sua frente, praticamente em cima da faixa, resolve brecar de vez: CRASH! PRAAAAAA!
Bem que o Detran poderia deixar um pouco de lado aquelas propagandas sem graça e de interpretação pífia sobre datas de licenciamento e se ater a um trabalho mais educativo, específico para os motorantas, os meio lá, meio cá e os daltônicos. Uma campanha mais contundente e provocativa, do tipo:

SUGESTÃO 1:
“QUER UM MONTE DE CARROS ATRÁS DE VOCÊ? MORRA!
CERTAMENTE ELES ESTARÃO NO CORTEJO DO SEU FUNERAL”;

SUGESTÃO 2:
“ANDE NA DIREITA OU NA ESQUERDA. MAS NÃO ANDE NA FAIXA.
PELO MENOS ATÉ PINTARMOS A FAIXA DOS IMBECIS (Ops! INDECISOS)”

SUGESTÃO 3:
NÃO CONFUNDA “ATENÇÃO” COM “ATRAÇÃO”
HÁ OUTRAS FORMAS DE ALGUÉM ENTRAR NO SEU FUNDO. NÃO PRECISA BRECAR NO AMARELO.

Certamente isso evitaria muitos acidentes e, é claro, me deixaria muito mais alegre, desestressado, ainda mais orgulhoso de viver na capital do trânsito mais tranquilo do Brasil.

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

Abra alas, minha gente...

..que o frevo vai passar!

Pré-Caju pra mim é Caranguejo Elétrico, Armandinho Macedo. E nada mais.
De todos os santos, encantos e axés, sagrado e profano, o filho de Osmar Macedo (um dos inventores do Trio Elétrico) é um dos mais virtuosos guitarristas do mundo e a resistência do verdadeiro carnaval.
O som da sua guitarra baiana inebria a alma. No corredor da história, pelas vias, pelas veias, faz uma multidão embebida em alegria balançar o chão da praça. Sem pudor, sem ostentações, sem estereótipos.
Por isso chame, chame, chame, chame gente!
Armandinho é o carnaval em cada esquina do meu coração, e pra libertar meu coração eu quero muito mais que o som da marcha lenta.


Quer conferir o poder da guitarra de Armandinho? Sugiro o vídeo abaixo. Coisa de uns 30 anos atrás.



E se você já quer entrar no clima do Caranguejo Elétrico, veja esse vídeo e observe, além da qualidade da música (letra e melodia), como as pessoas se divertem com liberdade, no verdadeiro espírito do carnaval (coisa que o Pré-Caju, ranço do lixo cultural da Bahia, literalmente não tem):

Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

E o Chico, João?

Veja trecho da notícia "O Rio São Francisco visto por João Alves", escrita pelo jornalista Ivan Valença e publicada na Infonet, em 21/10/2008:

Diz o dr. João em determinado trecho: “O volume de água a ser retirado do Rio São Francisco será de 126m3/s, cabendo observar que se, de fato, essa água fosse destinada ao consumo humano, como a propaganda enganosa do governo procura passar à opinião pública – alegando o próprio presidente da República que só se vai retirar do rio uma ‘cuia d´água’ para matar a sede de pobres sertanejos carentes –, daria, adotando-se padrões de consumo rural, para atender a uma população de mais de 100 milhões de pessoas. Ocorre que a população rural sem água do semi-árido, a qual o projeto supostamente se destina, não ultrapassa 5 milhões, dos quais serão atendidas pelo projeto, em suas casas, de 500 a 700 mil pessoas”. O dr. João revela que o custo oficial previsto da obra será de R$ 6,5 bilhões, porém, cálculos realizados por técnicos independentes admitem um patamar bem acima, de R$ 10 a R$ 15 bilhões.


(...)

Ele comenta que o povo brasileiro é fascinado por projeto megalomaníacos e os políticos brasileiros se rendem a eles. Faz até um mea-culpa (p. 45) ao falar da ponte que liga Aracaju-Barra. E finaliza: “Em resumo, o projeto da transposição é tecnicamente errado, socialmente injusto, ecologicamente destrutivo e politicamente desastroso, por causar uma insana crise federativa”.

Tá bom, "Dr." João. Agora me explica uma coisa: O QUE É QUE A "PROPAGANDA ENGANOSA" ABAIXO ESTÁ FAZENDO NO SEU JORNAL???


Em tempo de crise, espero que essa "propaganda enganosa" tire os "chicos" dos meus colegas do Correio da reta. Pelo menos, né?