Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

terça-feira, agosto 10, 2010

E depois que esta propaganda apareceu na livraria...


1) Católicos passaram a engolir a hóstia de forma mais fervorosa e três vezes ao dia;
2) Gays empunharam faixas: "Nem só as mulheres são comestíveis!";
3) O movimento feminista foi às ruas: "Mulher não é produto de consumo!"
4) Donos de prostíbulos venderam o peixe: "Aprecie sem moderação";
5) E o sujeito que escreveu esta propaganda foi excomungado e perdeu o emprego (deveria ter perdido o diploma)

* A dica da propaganda é do professor Antônio Santana. Valeu, "Santanovsky"!

segunda-feira, agosto 09, 2010

É proibido xingar

“É proibido xingar/ diz um estatuto que eu li/ é proibido xingar/ pois os homens vão te pegar!”.

Em pleno Século XXI, só me faltava essa: censura, mordaça no torcedor de futebol. Dizer impropérios no estádio virou caso de polícia. O juiz marcou um pênalti inexistente contra seu time, o assistente anulou um gol legítimo em plena final de campeonato, a torcida adversária provoca a todo instante? Aguenta coração! E aguenta calado! Se xingar, vai em cana, vagabundo!
O mais engraçado disso tudo é que a lei foi sancionada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, torcedor ferrenho do “Curinthia” e apegado à linguagem popularesca como ninguém. Me poupe, viu. Esqueceram que o xingamento faz parte da cultura popular. 'Filho da puta', por exemplo, pode fazer referência até mesmo aos nossos melhores amigos, com quem temos um grau elevado de intimidade. Mas na arquibancada é crime? Façam-me o favor!
Acho que os fazedores de leis deste país deveriam se preocupar em simplificar a linguagem jurídica, e não transformar um simples xingamento na arquibancada em caso de justiça. Por outro lado, o novo Estatuto pode ser a deixa para que o torcedor aprenda a ser sacana na diplomacia, sem perder a classe, o que, aliás, faz dos nossos políticos eternos inocentes.
Não quero aqui fazer discurso contra o Estatuto do Torcedor. É inegável que a nova lei apresenta avanços em muitos pontos, no sentido de coibir a violência nos estádios. O cadastramento de associados das torcidas organizadas, por exemplo, é algo positivo, pode servir para acabar com a velha desculpa da ‘rixa de bairro’. Ou alguém já viu agressores e agredidos com camisas da Atalaia, Santos Dumondt, Santa Maria, Sol Nascente, Bugio...?
Outras medidas que tendem a moralizar o futebol soam um tanto quanto irônicas. Vamos a elas: 1) Cambistas flagrados vendendo ingressos de forma ilegal estão sujeitos a pena de um a seis anos de prisão, mais multa. Legal! Mas quanto às filas nos guichês dos estádios? O que prevê o Estatuto? 2) O torcedor que cometer ato de vandalismo e violência em até 5 quilômetros do estádio pode pagar multa, ser proibido de assistir aos jogos e até preso. Bonito! Mas a polícia, que sequer consegue impedir o famoso corre-corre nas arquibancadas, está preparada para isso? Sei não...
Sabido mesmo é que o torcedor xingador agora está sujeito a pagar caro por sua manifestação, como se muitas vezes o xingamento não fosse um ato involuntário. Recorrendo mais uma vez ao clássico 'filho da puta', quando um torcedor apaixonado xinga um bandeirinha, não idealiza a mãe do assistente de seios à mostra na janela de um bordel. Ele apenas fala por falar. Sou torcedor e sei. E, diga-se de passagem, é muito discriminatório achar que 'filho da puta' é um xingamento. Isso é, no mínimo, um desrespeito às prostitutas.
Disse e repito: os legisladores de plantão deveriam estar atentos, sim, a outro tipo de xingamento: o jurídico. Alguém precisa criar um projeto de lei que acabe com o linguajar pedante, dito em audiências e escrito em processos, que soa como xingamento para o cidadão brasileiro, seja ele torcedor ou não. Neste ponto, os ‘doutores’ da Justiça são craques e até recorrem ao latim e ao grego: “exequatur” pra lá, “data vênia” pra cá, “sinalagmático” acolá, enquanto o sujeito simples permanece sem entender nada e muitas ludibriado sem saber. Aí é foda... EITA PORRRA! XINGUEI! PUTA QUE PARIU! XINGUEI DE NOVO AO DIZER “PORRA”! MEU DEUS! E O “PUTA QUE PARIU”? CARALHO! VOU SER PRESO! Espera um pouco? Eu não estou em um estádio de futebol! Ufa, que sorte...

segunda-feira, agosto 02, 2010

Massa reduz e a hipocrisia avança

Uma mensagem por rádio, uma reduzida e pronto. O piloto brasileiro Felipe Massa, nossa maior representação na Fórmula 1, virou vilão, frouxo etc. etc. etc. Na terra dos campeões Fittipaldi, Senna e Piquet, Massa desceu de esperança a vergonha nacional. Caiu em desgraça. A Ferrari, então, ganhou a insígnia da antiética, da antidesportividade. Pura hipocrisia.


A Fórmula 1 há muito, mas muito tempo deixou de ser uma disputa entre pilotos. Virou peleja entre equipes, entre engenheiros. Diferentemente do futebol, esporte demasiadamente humano em que a decisão de uma partida ou campeonato está exclusivamente nos pés dos melhores atletas, na Fórmula 1 geralmente é o carro quem decide. Mérito para quem trabalha nos bastidores. Na pista, quem conduz a máquina é refém dela.


Todo mundo sabe disso, inclusive os fãs da Fórmula 1. A mensagem recebida por Felipe Massa escancara uma situação cotidiana de um esporte milionário, que gera um oceano de dólares, euros investidos e que exigem retorno. Nada mais lógico, portanto, que cada equipe trace estratégias para vencer o campeonato e convencer os patrocinadores. A reduzida de Felipe Massa para a passagem de Alonso é exatamente uma estratégia de equipe. A Ferrari quer o título e para isso precisa apostar no piloto melhor pontuado. E quem não gostar, não pague ingresso ou mude o canal da TV.


Em momentos decisivos, uma equipe de basquete que precisa de pontos para vencer trabalha para o melhor arremessador; um time de vôlei faz a jogada para o atleta de melhor rendimento soltar o braço e definir. E o que faz os hipócritas acreditarem que uma equipe de Fórmula 1 vai perder a chance de vencer um campeonato para dar uma vitória ao segundo piloto?


É claro que há um quê de humano nisso aí. É preciso ter talento e competência para ser o primeiro piloto de uma Ferrari. Ainda assim, insisto, é o carro quem decide. A Williams-Cosworth começou a melhorar o carro e hoje o Rubinho Barrichello, quem diria, consegue ultrapassar Michael Schumacher e sua Mercedes. E por falar em Schumacher, depois de sete títulos mundiais o maior campeão de todos os tempos amarga a modesta nona posição no campeonato de 2010. Esta é a "justa" Fórmula 1, um esporte em que as equipes vencem e os pilotos são quase que coadjuvantes. Não gostou, hipócrita? Repito: procure outro esporte ou mude o canal da TV!