Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

VOCÊ É HETERO?

Um repórter resolveu fazer a seguinte enquete na Paraíba: você é heterossexual? Olha só a confusão que deu...

terça-feira, janeiro 25, 2011

De ensinador a mestre-aprendiz

Filósofo e sociólogo Pedro Demo diz que avanço das universidades depende de um novo perfil do professor

             Pedro Demo: "Quem não é autor, não tem aula para ministrar"

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - Inep -, vinculado ao Ministério da Educação, são mais do que sintomáticos: a investigação científica ainda é uma prática insipiente no Brasil. Dos quase 321.500 professores do ensino superior, apenas 24% dos que trabalham em universidades possuem doutorado. Nas faculdades, este número cai para 9,24%. Na contramão das estatísticas, o filósofo e teólogo catarinense Pedro Demo, educador brasileiro de renome internacional, defende a importância do educar pela pesquisa, da academia enquanto centro de produção de um conhecimento cada vez mais mutável, discutível, passível de reconstrução, que garanta o aprendizado de alunos e mestres.
"A universidade não pode limitar-se apenas a trabalhar o conhecimento disponível, codificado, que está nas enciclopédias, nos livros. Todos os grandes princípios da física, da matemática estão sendo agredidos. Autores concebem que mais de 90% do que conhecemos hoje vai cair, já começou pela física quântica e não podemos ficar parados traduzindo velharias. A academia precisa incentivar a pesquisa, cuidar de um processo de produção de conhecimento que seja ao mesmo tempo formativo", analisa Demo.
Doutor em Sociologia pela Universidade de Saarbruker (Alemanha), pós-doutor pela UCLA (Los Angeles - EUA) e autor de mais de 40 livros, Pedro Demo afirma que as IES brasileiras 'ainda não chegaram ao Século XXI' e a mudança no perfil do educador é fundamental para que transformações ocorram nessas instituições. "Hoje, o grande plágio na universidade não é dos alunos. É do professor que dá aulas copiadas. Ele tem que ser capaz de produzir e de fazer o aluno produzir conhecimentos, organizando este processo. Quem não é autor, não tem aula para ministrar e professor para repassar apostila não faz mais sentido. A sociedade precisa de conhecimento e se a universidade não pesquisa, não é necessária. Para repassar conhecimentos outros, basta a internet", sentencia.
Demo critica o 'confinamento' em sala de aula e exige inquietude do educador no sentido sempre renovar o aprendizado. "A gente espera que ele vá a outros lugares aprender novamente, se reconstruir. Da janela da universidade não se vê bem a sociedade. É uma janela estreita e antiquada, então, é muito importante enxergar de perto, olhar as coisas como elas realmente acontecem. Assim o professor é instigado a resolver problemas, mas o que vemos, por exemplo, é a dedicação exclusiva nas universidades federais. Um educador que fica 35 horas na mesma salinha, fazendo a mesma coisa, está mais para múmia do que para pesquisador", ironiza.

Pedro Demo também faz uma análise diante do avanço da educação a distância no Brasil. De acordo com o Inep, em 2002 o País registrou 49.911 matrículas EAD; em 2008, este número já era de 727.961. Partindo da premissa de que o professor é um eterno 'mestre-aprendiz' e o conhecimento inacabado e inacabável, o sociólogo coloca o equilíbrio entre virtual e presencial como desafio no ensino superior. "É muito importante que o aluno aprenda em ambientes virtuais. Se ele depois vai trabalhar com computador, não tem sentido que isto seja uma coisa secundária na universidade. Quem aprende não é a máquina, é o estudante ou o professor. Não há nenhuma chance de substituir o educador, mas tecnologia hoje não é só meio, é alfabetização. Quem não a domina é um analfabeto do século XXI".
A má utilização do universo virtual é outra grande preocupação de Demo, principalmente quando o assunto é a internet. "O Wikipédia, por exemplo, tem um lado formidável, mas muitos textos são inaceitáveis. Como também é feito na base do entusiasmo, muitos dos que escrevem, gostam de futilidades. É mais fácil encontrar um belo texto sobre Schwarzenegger do que sobre Sócrates. O mundo da internet é o mundo da superficialidade, prova disso é o twitter, com 140 toques somente. Será este o texto do futuro?", provoca.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Exorcismo no Confiança

O primeiro passo para o Confiança reencontrar o caminho das conquistas em 2011 é exorcizar seu fantasma mais atormentador: a campanha de 2008. Esse discursozinho borra-botas do 'quase' é digno dos fracos. Deve ser sepultado, definitivamente esquecido. Não custa lembrar, as possibilidades de vitória existem para qualquer um que trabalhe com seriedade, coisa que o Dragão não fez na tal campanha, ainda hoje venerada por dirigentes e parte da torcida proletária.Tudo bem, a equipe de 2008 quase chegou à Serie B do Brasileirão. Ao final da Serie C, a diferença entre o Confiança e o quarto colocado, Duque de Caxias, era de um mísero ponto. Mas a frieza da estatística não exprime a forma humilhante como o Dragão do Bairro Industrial caiu em desgraça, desceu do céu ao inferno em tão poucos jogos.
Na fase decisiva da Serie C de 2008, o Confiança chegou até a liderar, mas desmereceu o apoio maciço da torcida proletária; priorizou a indisciplina, as panelinhas; cavou a própria cova; pediu arrego em campo e enterrou-se nos pecados. Em 14 rodadas, disputou 42 pontos. Ganhou apenas 17. Depois de golear o Campinense por 4 a 0, se deu como classificado, pensou pequeno e desconsiderou a possibilidade do título nacional. Esmoreceu.
Jogadores mortos no gramado, com as mãos no joelho em claro sinal de fadiga - provável resultado de farras -, assistiram ao Atlético Goianiense empurrar vergonhosos seis a zero em pleno Batistão. Insatisfeito com tamanha tragédia, o Confiança ainda sofreu outras cinco derrotas. Tomou quatro do Rio Branco do Acre, cinco do Guarani, virou saco de pancada.
Agora eu pergunto: esta é a referência para quem deseja voltar a vencer no futebol? A história, recentíssima inclusive, indica que não. O Confiança insistiu em alguns 'heróis' de 2008, disputou a Serie C de 2009 aspirando a 'gloriosa' campanha do 'vamos subir, Dragão' e foi parar na D. Não tomou vergonha, repetiu a dose em 2010 e acabou 'fora de serie', na escória do futebol brasileiro. Em suma, o espectro da 'Serie B que não aconteceu' rondou tanto o time proletário, que o clube caiu até onde não podia mais.
É por isso que este saudosismo masoquista de quem deu a cara à tapa e gostou, este pensamento pequeno, covarde de achar que um simples octogonal de Serie C é o limite precisam acabar. Se trabalhar com os pés no chão e paciência, subindo degrau a degrau, o Confiança pode, sim, alçar voos bem mais altos. Aliás, o Dragão já deu exemplos de sua força em outras épocas. Foi vice-campeão da Zona Nordeste da Taça Brasil em 1964; fez a melhor campanha de um clube sergipano em competições nacionais, em 1977, quando chegou a decidir a liderança do grupo contra o Flamengo, no Maracanã. Estas, sim, são páginas da história azulina que merecem ser enaltecidas. Quanto a 2008, não passa de um claro exemplo de como não fazer. Um fantasma que precisa ser exorcizado já!