Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Jornalista singular, jornalismo no plural


Esse cara aí da foto é Leandro Lopes, um jornalista grande e um grande jornalista, não necessariamente nessa ordem. Saiu da faculdade há cerca de dois anos, pouco mais ou pouco menos, e após breve passagem pela imprensa sergipana se mandou pra Belo Horizonte. Hoje é repórter cultural da Rede Minas.

Lembro bem da primeira manchete do Léo. Reportagem recheada, sobre a situação da segurança pública em Sergipe. Lembro também, e como não iria lembrar, do título que trazia “Deus salve os sergipanos” ou algo parecido. Uma dessas mudanças de edição que deixam qualquer repórter puto. O Leandro também ficou puto, é claro. E como ficou!

Ah, sim. Por que eu estou falando desse cara aqui no boteco? Bem, falar de Leandro Lopes é reverenciar o jornalismo em sua essência, e disso eu não me canso. É externar o orgulho de quem assiste, mesmo à distância, a erupção do espírito do repórter na cabeça e na alma de um garoto, onde há pouco fervilhavam as inseguranças de um foca. Sensibilidade, inteligência, sagacidade, curiosidade e inquietude fazem deste moleque um refúgio para o jornalismo inteligente brasileiro.

Puta que pariu, Léo, vai evoluir assim na casa do caraio!!! Nem depois de entrevistar Abujamra, Tom Zé, Zuenir Ventura e companhia você se aquieta, rapaz? E ainda me inventa um tal de Fiz + Sotaques, programa de jornalismo colaborativo exibido pela internet e inovador no país? Peste raçudo! Mais incansável do que você só mesmo o seu Bahia, que insiste em não sair da segundona (graças ao meu bom Deus)!
Bom, pelo menos agora eu sei porque partiu tão cedo. Sergipe era minúsculo para o seu talento e ainda mais para o jornalismo que se propõe a fazer, né?

NÃO ME APAREÇA MAIS AQUI!!!

sábado, setembro 20, 2008

Pétala de poesia

A grande beleza das flores está na simplicidade e generosidade com que permitem cultivar as sementes. Singela forma de retocar as cores do mundo.


quinta-feira, setembro 18, 2008

Yes, nós temos Michael Phelps

A saga dos campeões paraolímpicos em um país em crise de identidade e de imprensa míope



A repetição exagerada da imagem do Michael Phelps em fusão com a bandeira dos Estados Unidos, antes, durante e depois das Olimpíadas de Pequim, na China, denuncia a vassalagem da imprensa brasileira frente aos ditames estadunidenses. Uma subalternidade muito mais a serviço da reverberação do american way of life (estilo de vida americano) do que mera forma de reconhecer o talento do maior atleta olímpico de todos os tempos.
Recursiva na mídia da Guerra Fria, a expressão american way of life massificou a ‘qualidade de vida’ capitalista dos Estados Unidos enquanto alternativa ao socialismo defendido pela extinta União Soviética. Cravejou de tal forma os mandamentos do capital, por meio da deturpação do conceito de liberdade, que ainda hoje a mensagem ecoa entre povos de países em desenvolvimento, a exemplo do Brasil, de forma subliminar, aparentemente inofensiva e paradoxalmente catastrófica em seus efeitos.
Até mesmo em se tratando de coberturas olímpicas – a referência às Olimpíadas mostra como nem tudo é tão inocente quanto parece –, a imprensa brasileira permanece fadada ao papel de eterna lambe-botas. Em Pequim, enquanto âncoras sorridentes anunciavam conquistas das grandes potências do esporte, repórteres consagrados percorriam as ruas da China em busca de flagrantes da ditadura naquele país, como se o Brasil não fosse medalha de ouro em criminalidade, em mortalidade, em desigualdade social. Coincidência? Não, sobretudo, quando se tenta fazer um retrospecto das crônicas bem escritas e interpretadas, exibidas para abordar a esmagadora vitória da China sobre os EUA no quadro de medalhas. Você viu alguma dessas reportagens? Eu não vi.
E a coisa é tão brutal que ganha ares de tortura, de atentado contra a identidade nacional. Assim como o american way na Guerra Fria, a imprensa brasileira faz questão de massificar o “Chegamos aqui. Está bom” durante jogos olímpicos. Antes mesmo de a competição começar, já tem gente de microfone em punho semeando a covardia, justificando a derrota que está por vir, lembrando que os atletas do Brasil não têm a mesma condição de treinamento dos seus oponentes, que aquela colocação é a melhor de todos os tempos, etc., etc., etc. Em meio a essa ladainha toda, vamos perdendo a capacidade de acreditar em nós mesmos; vamos nos acostumando com o desbarato.
É bem verdade que existe aí uma eterna mania da crônica esportiva de querer achar o lado bom em tudo. Mas isso não reduz a culpa pelo auto-rebaixamento. O jornalismo tupiniquim alimenta-se do discurso da derrota ao ponto de empurrar os nossos verdadeiros campeões para debaixo do tapete. Não acredita? Olhe para as paraolimpíadas.

HERÓIS NA PENUMBRA





“Eu não tenho adversário. Os outros vieram aqui para compor fila. Meu adversário é eu e o relógio”. Era assim que o corredor cego Lucas Prado anunciava, em raro momento de exposição na TV aberta, o ouro que, no dia seguinte, ganharia nos 200 metros T11. Assim mesmo, com erro de português e tudo. De quebra, Prado ainda bateria os recordes paraolímpico e mundial na prova, resultados justos para quem se impõe como verdadeiro vencedor e não é domado ao discurso covarde do “Cheguei aqui. Está bom”.
Por que o medalhista Lucas Prado não ganhou tantos minutos nas telinhas do país? Explico. Lucas Prado não é atleta. É paratleta. E como todos os demais paratletas brasileiros, está fora dos padrões estéticos da televisão brasileira. Nessa brincadeira, 47 medalhas que coroam a melhor participação do Brasil nos jogos passaram quase que despercebidas.
Inversão de valores da mídia, com certeza. A história mostra que são os paratletas nossos grandes heróis, ainda que apareçam menos do que a Dona Olga, avó do nadador olímpico César Cielo, responsável pela primeira das três míseras medalhas de ouro que o Brasil “sadio” ganhou na China. Mas vamos aos dados. Desde 1972, quando a equipe de paratletas brasileiros participou pela primeira vez de uma paraolimpíada, em Heidelberg, Alemanha, o Brasil já soma 160 medalhas paraolímpicas. Na equipe olímpica, esse número é de 77, pouco menos da metade. Ao todo são 38 ouros paraolímpicos contra 17 olímpicos; 59 pratas contra 23; 63 bronzes contra 37. Resultados do esforço de homens e mulheres acostumados a vencer obstáculos bem maiores na vida do que o descaso da imprensa nacional.
Além do Lucas Prado, que conquistou três ouros em três provas, outros campeões brasileiros constroem essa história de dificuldades – sobretudo para quem míngua a depender de incentivo fiscal para manter-se atleta – e conquistas. As pedras no caminho são grandes, mas as vitórias são maiores. No atletismo, Ádria Santos já foi considerada a maior velocista cega do mundo. No judô, Antônio Tenório chegou a conquistar o tricampeonato paraolímpico. Na natação, Daniel Dias subiu nove vezes ao pódio em Pequim, quatro delas para receber o ouro, e Clodoaldo Francisco conquistou seis medalhas de ouro, uma de prata e bateu quatro recordes mundiais em 2004, nos jogos de Atenas. E por aí vai.
Ainda que o país lhes vire as costas, os paratletas brasileiros continuam acumulando mais e mais vitórias nas paraolimpíadas. De 22 medalhas em Sydney para 33 em Atenas; de 33 em Atenas para 47 em Pequim. Conquistas que exprimem esforço, competência e talento desses gigantes pela própria natureza. Mesmo desvalorizados e esquecidos em sua própria pátria, eles seguem em frente, provando que o Brasil tem muito Michael Phelps para mostrar. Yes, nós temos Michael Phelps. E pra dar e vender.

terça-feira, setembro 16, 2008

A última canção


Álvaro Müller / Gilton Lobo
O show já terminou
Antes de a cortina se fechar
A última canção, ninguém tocou
Só resta um refletor
Só resta o seu olhar
A vida quase sempre pede bis
O cantor insiste em sonhar
E a platéia aplaude, encantada
A estréia do final dessa canção
O maestro escolhe
A estrofe mais cantada
E o amor, enfim, refrão.

*(Música inscrita no último Prêmio Banese)

terça-feira, setembro 02, 2008

Propaganda proficioanal

Isso não é jogar a última pá de cal na língua portuguesa. É bater laje sobre o Aurélio.