Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

segunda-feira, maio 31, 2010

Escrete copo de ouro

Raimundo Macedo: o Pelé (Foto: Marco Viera/ASN)

Se o exame antidoping fosse substituído pelo teste do bafômetro, a coisa ficaria feia para alguns times sergipanos. Aliás, feia não: sinistra! Por aqui há clubes tão empesteados de cachaça que, vez por outra, a depender da direção dos ventos do futebol, o álcool exala pelos corredores da concentração e deixa equipes tão grogues, mas tão grogues, que uma boa campanha pode acabar em vexame numa fração de duas ou três rodadas.


A nhaca, dizem, mistura tudo: cerveja, vodka barata, vinho festeiro ou catuaba – que derruba um time em campo, mas pelo menos tem poder afrodisíaco – aguardente, conhaque, milome, licor e otras cocitas mas. Forte que é danada, resiste ao tempo e não tem sabão em pó, perfume, creolina, Q-boa que dê jeito. É o bendito ranço do futebol boêmio, amadorismo condenado fora de Sergipe, onde o esporte rende milhões, mas que do lado de cá, das migalhas, continua venerado, atraindo técnicos e atletas tão bons de copo, mas nem tão bons de bola.

E já que alguns clubes do futebol sergipano preferem investir em concentrações de boteco, deveriam ter a hombridade de, pelo menos, montar elencos com preparo físico-etílico suficientemente bom para encarar um Brasileirão Série D, por exemplo. Benevolente que sou, posso até sugerir alguns nomes de craques farristas, gênios da boemia. Gente capaz de enveredar nas madrugadas sem perder o tempo da bola.

Minha primeira sugestão é o jornalista Cleomar Brandi. Espécie de Zidade boêmio, Cleomar domina o conhaque com uma habilidade rara, é líder nato dentro e fora das quatro linhas e dispensa esforço para fazer um time correr. Gentleman, mantém a classe mesmo no tratamento aos adversários e é o inventor da ‘cadeirinha’, tipo de carrinho próprio para quem é capaz de roubar bolas na diplomacia. Ou seja, só ele mesmo.

Outra grande contratação seria o radialista Raimundo Macedo. Fenômeno, alia o preparo físico à habilidade como ninguém, joga em qualquer posição do boteco e bate com as duas – mata a cerveja na direita, uma branquinha na esquerda e ainda dribla os adversários em velocidade para pegar o tiragosto. Mais do que um talento desperdiçado pelos dirigentes do futebol boêmio sergipano, Raimundo é um leão, derruba qualquer um nas madrugadas e jamais levou as mãos ao joelho em sinal de cansaço. Raimundo Macedo, para mim, é o Pelé.

Por fim, se em Sergipe o futebol abre tanto espaço para a boemia, confesso que também me imagino ao lado dessa turma, em um escrete copo de ouro. Seria a chance de realizar o sonho de menino, de ser um jogador de futebol. O desejo é enorme, mas quando vejo craques como Cleomar e Raimundo em ação, não me sinto no direito de disputar uma vaga. Diante desses gênios – meus ídolos – percebo que tenho muito a aprender e treino quase que diariamente, com esforço redobrado. Logo, logo, quero estar pronto e à disposição para ajudar a equipe a conquistar o título ou, pelo menos, chegar ao final das competições com todo o fôlego, ainda que ébrio.

terça-feira, maio 18, 2010

Dunga e os zangados

"Dungaburro'. Este foi um dos tópicos mais comentados do twitter na semana passada, depois que o técnico da Seleção Brasileira anunciou a convocação para a Copa do Mundo 2010. Um fenômeno, o Dunga. Conseguiu injuriar toda a nação mesmo convocando praticamente o mesmo time que venceu a Copa das Confederações, a Copa América, goleou Portugal, carimbou o passaporte para a África do Sul com antecedência, fora de casa e diante da rival Argentina.
Não é difícil entender porque o Brasil vitorioso do Dunga desagrada. Este é o preço de quem comanda a Seleção de um país de torcida apaixonada, de imprensa passional, capaz de elogiar e execrar o mesmo time em um curto espaço de tempo, na tentativa desesperada de pautar o treinador. Danem-se os números, o povo - incitado por esta imprensa volúvel - quer ver é o Neymar pedalando, o Ronaldinho Gaúcho fazendo firulas circenses. Pois eu prefiro dar a cara à tapa, seguir na contramão da opinião pública: Dunga está mais do que certo. Se eu fosse o técnico do Brasil, no meu time não estariam Doni, Gomes, Gilberto, Michel Bastos, Josué, Júlio Baptista e Grafite. Mas isso era para ter sido visto antes. Agora, às vésperas da Copa, a equipe do Dunga tem dado resultados, tem sido eficiente e isso é o que importa. Fazer o quê?
Há quem não concorde com os argumentos do Dunga, sobretudo o do compromisso com a camisa da Seleção Brasileira. A estes, faço questão de lembrar que o Ronaldinho Gaúcho ficou três anos sem jogar bola por desinteresse; e, mais do que isso, o Brasil perdeu uma Copa, dentre outras coisas, por falta de compromisso do lateral esquerdo Roberto Carlos, que resolveu ajeitar a meia durante uma perigosa cobrança de falta da França.
Há quem cobre o futebol arte. A estes, cabe avisar que futebol arte nos enche os olhos, mas nem sempre dá resultado. Messi é o melhor jogador do planeta, mas nunca fez nada pela seleção argentina. Espero que continue assim na Copa. O Neymar e o Ganso de hoje são o Diego e o Robinho que há pouco tempo atrás saíram do Brasil como 'os meninos da Vila' para perder as Olimpíadas. Detalhe: eram tidos como o melhor escrete olímpico brasileiro de todos os tempos.
Somando-se tudo isso aos resultados do Dunga e a outras questões que precisam ser consideradas durante a formação de um bom elenco, como o companheirismo, por exemplo, defendo o carrancudo treinador com unhas e dentes. Temo apenas pela falta de um reserva do Kaká, mas quero acreditar que o Dunga já tenha um esquema tático para superar esta carência. Acho isso quase impossível, mas agora só me resta acreditar, afinal, também sou um fanático torcedor brasileiro.

terça-feira, maio 04, 2010

Dez anos depois eles perceberam que...




E eu, que sou torcedor do Esporte Clube Vitória, achando que jamais repercutiria um post do principal blog da torcida do finado Esporte Clube Bahia por aqui...