Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

domingo, dezembro 27, 2009

"Cleomar" no Sescanção

Tenho como grande amigo e parceiro musical o maior compositor de Sergipe, Gilton Lobo; como irmã, uma bela voz, Maynara Müller; como exemplo de luta pela vida, o amigo exato, de redação, madrugadas e violões, Cleomar Brandi.
Todas essas coincidências foram determinantes para que a música "Cleomar", composta em parceria com o Gilton, recebesse o prêmio do Sescanção. Além de apresentada no Emes, na voz da Maynara, é claro, vai abrir o CD do Sesc, que deve sair em janeiro.
A Gilton, Maynara e Cleomar só posso agradecer pelo privilégio. Decerto não sou merecedor.


Olá

Eu sou a boemia a lhe saudar
nas noites dissonantes
A lua dos errantes
As flores dos amantes
Hão de ser pra sempre belas

Olá
Quem sabe até a poesia seja eu
A pena dos poetas
Um copo de conhaque
Ao tom de luz vermelha
No colo de uma dama
Que diz que me ama
Eternamente, até o nascer do dia

Quem sabe eu tenha a madrugada
como confidente
E a saudade ao meu lado
como companhia
Meu coração, boêmio, é feito simplesmente
De verso, encanto, amor e nostalgia

Mas, se me chega um violão
Se me lembra uma canção
Meu coração, sala vazia
Convida a alegria pra dançar
E eu me apresento
Olá

segunda-feira, dezembro 21, 2009

O ano do Saci e da Cuca

Quando o Amaral Cavalcante, editor do Folha da Praia, ligou-me pedindo uma previsão para o futebol sergipano em 2010, aceitei o ‘desafio’ com aquele sorrisinho de canto de boca, típico de quem tem a certeza da vitória. Afinal, não é preciso ser a Mãe Dinah para prever o futuro do esporte bretão na terra do Motinha. Cartas, búzios, tarô, bola de cristal, Fala que Eu te Escuto, dízimo, nada disso. Diante de tamanho amadorismo, desleixo, irresponsabilidade por parte de quem faz o nosso futebol ou deixa de apoiá-lo, não titubeio em dizer que 2010 será igualzinho a 2009, 2008, 2007 e por aí vai.
Antevejo um novo ano repleto de velhos problemas. Arquibancadas vazias, dirigentes desorganizados, empresários desinteressados, jogadores com salários em atraso etc.etc. etc. O Confiança já contratou quase um caminhão de atletas desconhecidos; o Sergipe alguns outros; o Itabaiana viajou em pré-temporada para a Chapada Diamantina, numa tentativa de desintoxicar, mas isso não muda muita coisa. O filme tragicômico do Campeonato Sergipano, caro Amaral, será repetido, eu garanto.
O regulamento, sempre feito ‘nas coxas’ pela Federação, corre sério risco de apresentar inconsistências de datas ou regras obscuras. Normal. No âmbito nacional, as probabilidades de ascensão de um time sergipano, infelizmente, são remotas. Mas ainda vale uma fezinha, já que faz parte do ritual de um verdadeiro torcedor jamais curvar-se em desistência. Se o dinheiro do Confiança continuará ‘guardado’ em caixas de sapato, à disposição dos gatunos, confesso que tenho minhas dúvidas, mas prefiro acreditar que não, até porque qualquer centavo para um futebol à míngua é lucro.
Não obstante a mesmice, atenção: graças ao futebol sergipano, 2010 pode acabar se transformando em um ano cabalístico para a literatura brasileira, já que o Saci, quem diria, está prestes a unir forças com a Cuca. Caso isto de fato ocorra, o Monteiro Lobato que me perdoe, mas o Sítio do Pica Pau Amarelo não será mais o mesmo.
Saci, o Robson, atacante revelado pelo Sergipe e com passagens por equipes como Santo André e Fluminense de Feira, está de volta ao Estado, desta vez para vestir a camisa do Confiança. Se cumprir direitinho seu papel de matador, terá como aliada a Cuca do João Hora, bruxa horripilante que vive a deixar a casa do alvirrubro de pernas para o ar, e não é de hoje. Sorrateira, a Cuca vetusta – que pelo tempo já não deve apresentar mais os cabelos loiros da versão do Lobato, emperra o crescimento do Mais Querido e acaba sendo forte aliada do Dragão do Bairro Industrial. Não tem jeito. Ainda que existam homens de boa vontade no Sergipe, ninguém consegue pegar a danada.
É impressionante, mas quando tudo parece começar a melhorar no Vermelhinho, de repente desanda. Foi assim nos anos anteriores e, pelo visto, será também em 2010. Quem é o grande culpado? Para mim é a Cuca. E reparando bem, ela tem aparência de jacaré, que por sua vez deve ser parente distante de quem? Do Dragão!

sexta-feira, dezembro 18, 2009

?????????????????????


Por que tantos porquês?
Por quê?
Qual o porquê das regras fúteis?
Porque sou incompreensível?
Senhores gramáticos:
Vão à merda.
Ou vão a merda!!!

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Agacha, pega e come

Lixão na abandonada Kalil
Foto: Tarcísio Dantas/Jornal da Cidade


Maltrapilho, ele caminha a passos lentos em meio à podridão. De olhar arguto, curvado para baixo, perambula por entre as sobras. Não deixa passar qualquer réstia de subsistência impregnada de chorume. Aos 12 anos, o menino de Riachão do Dantas, a 99 quilômetros de Aracaju, a capital da qualidade de vida, segue os passos da mãe: é um catador.
Para o jornal ele é “Jonathan Silva”. Nome fingido, égide da pouca dignidade que ainda lhe resta. Para o Poder Público, não é ninguém. Mirrado e roto, transita cauteloso como um gato, astuto como um rato, farejador como um cão. Castigado pela fome e pelo sol, não titubeia diante do fétido e nauseabundo pedaço de carne – desperdiçado há um dia ou mais, por alguém de bucho farto ou paladar exigente, que desaprovou a comida. O menino não tem por que esnobar: agacha, pega e come.
“Jonathan” poderia estudar, vislumbrar um futuro. Mas seus sonhos estão castrados. Não quer ser piloto, nem médico, nem professor, nem músico, nem astronauta. Não quer ser nada. Matriculado na 4ª série de uma escola pública, engorda as estatísticas de um governo que contabiliza alunos como quem demarca gado. Arguido sobre a profissão que almeja, responde sem exprimir qualquer emoção: “Ah, sei lá. Qualquer coisa aí”.
Não percebe, mas já é tratado como qualquer coisa. Pela prefeitura, pelo Estado. O terreno onde cata o pão de cada dia; a tira de pano suja que vai aquecer o irmão mais novo; a cadeira quebrada que, com umas marteladas do pai, pode forjar conforto no casebre da zona rural, tudo compõe o cenário vergonhoso do definhamento da educação. Isto porque ali mesmo, onde “Jonathan” sobrevive como bicho, já funcionou uma escola, a Agropecuária de 1º Grau Dr. Nagib Leitune Kalil, construída em 1997 com verbas federais e que, sem motivo reconhecidamente plausível, fechou as portas quatro anos depois.
Dinheiro público foi entornado e o futuro de jovens como “Jonathan” também. A unidade educacional sucumbiu, tomada pelo matagal. Veículos transportadores de alunos perecem ao sol e ao sereno; carteiras formam entulhos; livros destroçados disputam espaço com esterco de animais. As salas de aula da Nagib Kalil transformaram-se em baias – reflexo do tratamento dado aos estudantes de Riachão.
O descalabro afronta, há mais de uma década, os direitos humanos e, em especial, os fundamentais da criança e do adolescente. Entre um prefeito e outro, a política da ‘vista grossa’ persiste, o espectro do descaso percorre corredores de secretarias municipais, estaduais e do Ministério Público. Encrua no gélido mármore que adorna as pomposas edificações da Justiça. Mesmo sabendo que “Jonathan”, todo santo dia, refaz o trajeto da insalubridade e, na luta pela vida, arrisca a própria vida em meio ao lixo hospitalar despejado na antiga Kalil, ninguém toma providência, ninguém move uma palha. Impassível, o menino retribui o desprezo. De olhar curvado para o chão, ele simplesmente agacha, pega e come.

terça-feira, dezembro 01, 2009

"Ecuassão simpres"

Um presidiário custa quase mil e seiscentos reais aos cofres do Estado por mês. Um artista de renome nacional, mais de cem mil por uma hora e meia. Um aluno da rede pública de ensino, míseros R$ 173,56 mensais. Daí que bandidos fazem escola, o piadista Renato Piaba é cidadão aracajuano e o empresário da Calcinha Preta, Gilton Andrade, é forte candidato a ganhar uma medalha de Honra ao Mérito na Assembléia Legislativa, por disseminar a “CUtura" sergipana em rede nacional.

Tirei dez?