Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

terça-feira, agosto 28, 2007

Adolfo é um mentiroso!

VIVA LA BRASA!

Adolfo Sá é um mentiroso. E eu posso provar!
Alguém cogitaria dar credibilidade a uma frase como “Álvaro Müller é meu amigo e por acaso um dos melhores jornalistas da nova geração”? Eu, particularmente, não. Acima de tudo, pela exacerbada referência ao meu “talento” jornalístico (ai meu São Pauteiro, existirá no mundo um bom jornalista homônimo a mim???). E depois, por que qualquer afirmação precedida do conjunto de palavras “é meu amigo” está passível de suspeição. Afinal, você já viu amigo falar mal de amigo???
Tudo bem que em seu blog Viva La Brasa o cara (que trabalha comigo na Aperipê TV, manda ver na edição de imagens e nos quadrinhos) até solta algumas verdadezinhas, do tipo “O boteco do Müller passou uns meses fechado mas reabriu semana passada, e está funcionando 24 hs. Em seu mais recente post, ele segue zoando o jornalismo-malhação que impregna a TV atual”... Verdade, Adolfo, verdade...
Pô! E por falar no Viva La Brasa, quem acessa o blog do Sá tem acesso a textos do ca... (ops! seguro-me pra manter a linha "old school").

Situações inusitadas e engraçadíssimas (como a entrevista do Adolfo embriagado em um programa de rádio local), dicas sobre altos sons, cinema, exposições, opiniões ácidas sobre o cenário político, econômico, cultural e social do Brasil e do mundo... Enfim, ninguém escapa ao senso crítico do Adolfo e.... Putz! Elogiei pra @#$@#%& o Viva La Brasa.. Mas, SOU AMIGO DO CARA!!!!... Ihhhhhhh... Estarei eu tirando a credibilidade das palavras que ora escrevo e nas quais acredito? Serei eu um mentiroso em potencial? Estarei eu destruindo a reputação de um blog que acho tão bacana??? Bom. Agora, f..... Quem quiser que pague pra ver. Ou melhor, clique pra ver.

sábado, agosto 18, 2007

Filhos da pauta!


"Três, dois, um. Início do off". Respiração ponderada e microfone em riste, o repórter televisivo anuncia, de forma pomposa, a sua morte. Em meio a tanto esplendor, a tanto espetáculo, não percebe que é um suicida. E que na televisão é assim. Retocam-se as maquiagens, borram-se os textos, enodoam-se as idéias, destemperam-se o faro investigativo e a criticidade do engomado jornalista.

A inquietude se foi. O olhar fulgurante, sedento, incisivo sobre a pauta praticamente inexiste. Abriu alas para uma apatia descomunal, para a incapacidade de questionamento; perdeu para o discurso medíocre da instantaneidade, do imediatismo; vergou-se frente a correria bestial para 'cobrir tudo' que, geralmente, acaba por não cobrir bulhufas.

O repórter televisivo deixou de ser a víbora e encarnou lagartixa. Perante o entrevistado, balança insistente e positivamente a cabeça, sorri de forma cínica, como se estivesse a processar as informações que recebe, mas nada disseca. As absorve apenas e, boas ou ruins, verdades ou mentiras, as regurgita na redação. Filho da pauta, agarra-se a ela como um rebento primata preso às costas da mãe. E não a larga por nada. Já não tem mais fontes. Já não sugere pautas – nem mesmo aquelas que gostaria de cobrir. Já não se orgulha por trazer da rua a informação a mais que a pauta não lhe dava. Não. O universo do repórter engomadinho e maquiado resume-se ao espaço de uma folha A4. E só.

Incompreendeu que é a alma do jornalismo. Pior, desaprendeu a ser repórter. Não fuça, não esmiúça, não escarafuncha nada. Deixou de ser o pugilista das palavras que, à primeira abertura de guarda do entrevistado, socava-lhe o estômago com uma pergunta ácida e fulminante, capaz de derrocar uma história inventada. Supervaloriza alguns segundos de passagem (momento em que aparece no vídeo) e os sobrepõem à sua capacidade textual e de discernimento, ao seu olhar crítico sobre as coisas.

Reúne a família para assistir às suas performances e sente-se um Deus. Crê em um reconhecimento tão ilusório quanto tem sido o seu papel de informador. Ego nas alturas (alguns sequer cumprimentam os colegas de profissão), sente a 'glória' do reconhecimento, quando, na verdade, é apenas um conhecido fadado ao esquecimento caso suma da tela por alguns meses ou até mesmo dias. Eis a prova da efemeridade em que a TV transformou o seu trabalho, mas que ele faz questão de reverenciar.

O repórter televisivo já não vê poesia em sua profissão. Escreve por escrever. E se estiver próximo de encerrar o expediente, escreve qualquer coisa mesmo. Tornou-se um burocrata. Ou seja, tudo o que não poderia ser. Esquálida, a alma do jornalismo desaba em frangalhos.

Álvaro Müller é jornalista?