Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

SAI DA FRENTE!!!


Quem dirige a sessenta por hora em toda a extensão de Aracaju? Não sejamos hipócritas! Eu, sinceramente, prefiro frear em cima do radar e ainda atribuo o rótulo de besta ou desocupado a quem segue a risca a velocidade máxima permitida. Aliás, chego até a apostar que tem mais besta do que desocupado ao volante, subindo e descendo pela cidade.
Vou fundamentar, é claro. Pra início de conversa, uma estranha mania acomete alguns motoristas aracajuanos: eles adoram andar a passos de tartaruga pela pista da esquerda. Gente... Logo que tirei a minha habilitação, lá pelos idos de 1996, recebi a informação de que o correto é seguir pela direita, já que toda e qualquer ultrapassagem se faz obrigatoriamente pela esquerda. Será que a lei mudou? Duvido muito. Mas também, se não mudou, a essa altura do campeonato pouco importa. Os 'motorantas' de Aracaju – metamorfose não muito rara, resultante do cruzamento entre um motorista e uma anta – mudaram por conta própria mesmo. E o resultado dessa anomalia do trânsito é uma fila interminável de carros lentos pela esquerda, pela direita naturalmente, e alguns mais apressados ziguezagueando feito loucos para chegar ao destino certo, na hora certa. Muitos destes, como eu, precisando driblar as lesmas do asfalto para não perder o emprego.
E nem adianta sinalizar pedindo passagem, viu! Dar jogo de luz? Tem jeito não, meu fio, desista. Você gasta sua lanterna, o seu farol, a sua buzina, a sua paciência, e o motoranta segue ali, impassível. Você passa meia hora entre sinais e buzinadas e o cara muitas vezes nem vê, ou, quando vê, resmunga cheio de razão. Te chama de mal educado e, em alguns casos, até reduz a velocidade só de pirraça. Errada é a bíblia. Você, coitado, quando cai em si, percebe que está berrando sozinho, com as veias do pescoço estufadas, punhos quase roxos de socar o volante, xingando meio mundo, com a cabeça doendo de raiva, tirando fino em tudo quanto é carro na angústia para sair do lugar, prestes a jogar a pressão e a glicose nas alturas, etc. e tal. E o desgraçado sempre passeando à sua e frente, de boa. Ah, sim! E se te der uma caganeira em meio à procissão dos quatro rodas, pare no posto ou no matagal mais próximo. Dessa forma você evita maiores constrangimentos e não é obrigado a desembolsar uma boa lavagem de bancos, que hoje custa seus quinze, vinte reais ou mais.
Acho que se os motorantas fossem extintos, nós estaríamos meio livres da agonia. Isso mesmo. M-E-I-O L-I-V-R-E-S. Para alcançar a plena liberdade no trânsito de Aracaju e a paz espiritual, teríamos ainda de matar os condutores 'meio lá, meio cá', os indecisos e inseguros que fazem das faixas de circulação uma espécie de guia. Não andam pela direita, nem pela esquerda: andam exatamente pelo meio, como se seguissem a linha pontilhada no chão para não se perder. Será este estágio inicial da vida de um motoranta? Não sei. A minha única certeza é a de que a incidência deste tipo ou estágio de aberração é bem menor. Em compensação, o transtorno para quem tem pressa é infinitamente maior, afinal, com um carro metade na esquerda, metade na direita, só mesmo esperando uma terceira faixa, se houver, para fazer a tão sonhada ultrapassagem.
Por fim, a última grande praga do trânsito aracajuano: o daltonismo coletivo. Se o Código de Trânsito ainda é válido para todo o país, se não sofreu alterações, pelo menos, desde quando me tornei motorista, há quase treze anos, o sinal amarelo funciona como um aviso de “ATENÇÃO” e não de “PARE”. Ora, então porque açguns dos nossos condutores freiam justamente no amarelo? Só podem enxergar vermelho! A essa altura do texto você pode até estar achando graça. Parece brincadeira, né? Mas a coisa é séria. Já perdi as contas do número de acidentes que vi nessas circunstâncias. O sujeito, bom motorista até, vem tranqüilo, feliz, cantarolando a música do rádio, quando de repente o sinal amarela e o cara à sua frente, praticamente em cima da faixa, resolve brecar de vez: CRASH! PRAAAAAA!
Bem que o Detran poderia deixar um pouco de lado aquelas propagandas sem graça e de interpretação pífia sobre datas de licenciamento e se ater a um trabalho mais educativo, específico para os motorantas, os meio lá, meio cá e os daltônicos. Uma campanha mais contundente e provocativa, do tipo:

SUGESTÃO 1:
“QUER UM MONTE DE CARROS ATRÁS DE VOCÊ? MORRA!
CERTAMENTE ELES ESTARÃO NO CORTEJO DO SEU FUNERAL”;

SUGESTÃO 2:
“ANDE NA DIREITA OU NA ESQUERDA. MAS NÃO ANDE NA FAIXA.
PELO MENOS ATÉ PINTARMOS A FAIXA DOS IMBECIS (Ops! INDECISOS)”

SUGESTÃO 3:
NÃO CONFUNDA “ATENÇÃO” COM “ATRAÇÃO”
HÁ OUTRAS FORMAS DE ALGUÉM ENTRAR NO SEU FUNDO. NÃO PRECISA BRECAR NO AMARELO.

Certamente isso evitaria muitos acidentes e, é claro, me deixaria muito mais alegre, desestressado, ainda mais orgulhoso de viver na capital do trânsito mais tranquilo do Brasil.