Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

sexta-feira, junho 27, 2008

Ali, naquele bar...

Torcedor que é torcedor já nasce xingando

Foi a última vez em que assisti o jogo do meu Vitória naquele boteco de beira de pista. Nada contra botecos, é claro. Sou dos que preferem uma branquinha em cacete armado e de sandália havaiana, a um uísque em restaurante esmerado, com uma gravata a me achacar a goela. O problema, sim, era com aquele boteco, especificamente. Aquele antro da desorganização, cujas grades enjaulam torcedores de toda raça com animais: flamenguistas filhotes da Rede Globo, vascaínos, palmeirenses, corintianos, rubros, tricolores, rubro-negros, azulinos e alvi-verdes de quase toda ordem, engaiolados e confinados para comer carne de quinta no espeto e acompanhar, em um barulho ensurdecedor e na longa espera pela cerveja, a partida do seu time do coração.

Digo torcedores de quase toda ordem com a propriedade de quem não se afeiçoa ao show dos ‘paraíbas’ que cantam, gritam, xingam, riem e choram pelos times do Sul e Sudeste. Vou ser mais claro: faltam ali, naquele bar, torcedores genuinamente sergipanos, que valorizem sua terra sob qualquer aspecto, inclusive o futebol. Um impedimento escandaloso contra a sergipanidade, flagrado pelo ‘tira-teima’ do muro daquele bar. Pintado de tudo quanto é escudo do restante do país – inclusive o do meu Vitória, com muito orgulho –, o muro não apresenta os brasões do Sergipe e do Confiança. Ali, naquele bar, os dois maiores clubes do Estado, justamente eles, ganham insígnias em tamanho reduzido e tímida paragem, em rodapé de balcão.

E se o imbróglio de tanta gente espremida, tantas TVs, tantos jogos e gritos em um só lugar já estava mais do que insuportável, o último jogo do Vitória acabou como uma sessão de horror e censura. Para mim, a última sessão. Isso por que o proprietário do estabelecimento, tal qual Bento XVI, resolveu transformar o xingamento dos torcedores no mais novo pecado capital. Pois é. Ali, naquele bar, torcedor não pode xingar. Tudo, segundo o dono do boteco, pela manutenção do moral e dos bons costumes. Pela preservação das famílias.

Logo ele, o mesmo microempresário que na última Copa do Mundo montou uma estrutura pífia e, em crasso exemplo de desrespeito à vida humana, derrubou um telhado inteiro na cabeça de tantas famílias, agora usa até microfone para exigir respeito, para castrar a manifestação mais genuína do torcedor brasileiro?

Pobre microempresário de visão micro. Teve a infelicidade de pegar o microfone e, diante de um singelo “EU, EU, EU, CAIU NA TOCA SE FUDEU”, bradar aos torcedores do Vitória que fossem “esculhambar com sua mulher e sua mãe lá na Bahia”. Pobre microempresário de visão micro. Fez com que torcedores de quase toda ordem parassem pra assistir, atônitos, à confusão que se instaurou justamente ali, naquele bar.

Clientes antigos se envergonhavam e comentavam entre si. “O pior é que ele está errado!”. “Toda mulher que vem aqui sabe o que vai ouvir. Isso é futebol”, disse um deles, acompanhado de três filhos adolescentes. Um outro aproveitou para reclamar. “No jogo do Flamengo ele mandou eu, meu pai e meu sogro sentar porque a gente tava dançando o créu”. Eu sei é que entre garçons pedindo calma e torcedores armando garrafas pra meter na fuça do coitado do microempresário de visão micro – afinal ninguém quer pagar dez reais de consumação pra ter sua mulher e mãe ofendidas –, foi-se embora a tarde que prometia ser de diversão e futebol.

Pobre microempresário de visão micro. Como pedir respeito a uma casa que nem ele mesmo respeita ao superlotar e colocar seus clientes em total desconforto por conta de um punhado a mais de consumações? Como querer vender bebida alcoólica e depois, no fervor das comemorações, tacar uma mordaça no pobre torcedor? PUTA QUE PARIU! Ali, naquele bar, eu não volto mais! E até sugiro que, em lugar de um boteco temático sobre futebol, este microempresário de visão micro abra uma igreja. Assim os garçons dão lugar aos pastores, ninguém solta palavrão e, de repente, a renda acaba até mais gorda ao final do mês. Deixo a sugestão.

quinta-feira, junho 26, 2008

VADE RETRO!!!

Presidente do Fla presenteia Papa com o 'Manto Sagrado'

No Vaticano, Marcio Braga explicou a Bento XVI o que significa o Flamengo, sua tradição e a importância do clube brasileiro no cenário internacional

Após duas horas sob um calor de 40 graus na Praça de São Pedro, o presidente Marcio Braga entregou ao Papa Bento XVI a camisa do Flamengo. O Papa demonstrou surpresa e entusiasmo ao receber a camisa personalizada. Estavam presentes o ministro da Embaixada Brasileira em Roma, Jorge Ney Fernandes, o advogado Pedro Trengrouse e João Marcio Braga, filho do presidente do clube carioca. Emocionado, o presidente recebeu a benção papal em nome de todos os rubro-negros.

sábado, junho 14, 2008

O profissional-relógio (Ode ao Ribeiro)



Esqueça o coleguismo. Amizade? Nem pensar. Adoeceu, perdeu um parente, precisa viajar, visitar o gerente da sua agência bancária antes que o seu nome vá parar no SPC? Problema seu. Não conte com o profissional-relógio, a não ser que a ‘caridade’ dele possa ser revertida no bendito banco de horas. Em suma, ele ajuda a si mesmo botando a banca de quem salvou a vida do colega. Mas, como diria meu amigo Anderson Ribeiro, um desses bestas que não admitem a possibilidade de colocar o tico e teco funcionando ao ritmo compassado do tic e tac, “banco de horas é coisa pra quem não tem o que fazer”. E num é que ele está certo?

O profissional-relógio não enxerga nada além do seu horário de entrada e saída no trabalho. Para aquém ou além do que registra no ponto, não faz nada que não lhe dê retorno. Foi contratado para trabalhar 8 horas e a empresa que se dane ou pague por cinco minutos que sejam a mais.

Já profissionais bestas como eu e Anderson Ribeiro são raros. E é por isso que trabalhar com ele é um alento. Somos bons jornalistas? Sei não. Mas é certo que somos esforçados, trabalhamos pela pauta, pelo amor à profissão e, sobretudo, pelo prazer de degustar uma cerveja gelada após horas e horas de labuta. Ah! E só brigamos quando o trabalho nos rende elogios. “O Mérito é dele” quase que uníssono e dedos indicadores em riste.

Gente como a gente quer é produzir e fazer bem feito, sem necessariamente aguardar uma contrapartida dos nossos empregadores. É uma questão de competência, de valorização do próprio suor, de compromisso com aquilo que se propõe a fazer. Trabalhadores como eu e o Ribeiro viram madrugadas no batente, não têm tempo de fazer refeições dignas – e justamente por isso estamos tão redondinhos –, colocamos nossa saúde em risco, mas acreditamos no que fazemos. Os profissionais-relógio não sabem disso, mas trabalhar é também uma diversão pra quem ama o que faz e se reconhece como parte da engrenagem de uma empresa, tanto no semear quanto no colhimento dos frutos.

Ah! E antes que eu esqueça de comentar, à exceção dos casos em que a contraproducência compromete o nosso trabalho, eu e Anderson Ribeiro também não nos incomodamos com o que fazem ou deixam de fazer os outros colegas. Coisa que os profissionais-relógio têm como atribuição cotidiana, talvez, por conta do tempo de sobra para pensar na vida alheia. Eles não estão com a gente nas madrugadas, não abrem mão da praiazinha do final de semana, não fazem um servicinho sequer fora da empresa com combustível próprio, mas se sentem no direito de nos ‘cobrar’ 10, 15 minutos de atraso. Vá entender...

Percebo que as próprias empresas têm parcela de culpa por cultuarem nesses espiritozinhos formatados a prática de bater o ponto rigorosamente em dia e não precisar justificar horas e horas ociosas de msn, orkut, lixamento de unha e coisas do tipo. As empresas realmente nivelam a produção por baixo e acabam se transformando em empregadoras-relógio para quem vive sob a égide do horário fixo de trabalho. Agora, isso não dá aos frustrados profissionais-relógio o direito de tentar nos demarcar a vida. Porque diabos nunca comparam a nossa produção, ora bolas?

No final das contas, profissionais como eu e Anderson Ribeiro até tentam aturar esses vigilantes de quinta, sobretudo, por que deve ser um calvário trabalhar, criar por obrigação. Mas também têm horas que esses profissionais-relógio nos enchem a paciência, né? Daí, só nos resta responder no melhor estilo Débora Garrafinha, querida colega da Aperipê: “Caralho, velho! -----, vão se fuder, velho! Muito foda isso!”.

sexta-feira, junho 13, 2008

O crime do século em Aracaju

Djenal Gonçalves



Obs.: Para preservar a identidade das pessoas descritas abaixo, os nomes serão trocados. Qualquer semelhança com a realidade é mera realidade mesmo.

Ato 1 – Visão de Caninha

Caninha é um velho amigo meu de Alagoinhas, Bahia. Nem preciso explicar a razão do seu apelido carinhoso. Enquanto tiver uma loira na geladeira, ou fora dela, o cara não arreda o pé nem ca peste. Ainda bem! Apesar de toda manguaça, Caninha é um romântico inveterado, daqueles que não deixa passar um ‘Dia dos namorados’ sem presentear o amor da sua vida com presentes, segundo ele, super-criativos, que brotam da imaginação de seu coração apaixonado. Neste ano ele botou pra lascar, caprichou na produção. Foi no centro da cidade e comprou a mais linda almofada de veludo e mandou bordar uma foto sua ao lado de sua amada, como prova das eternas juras de amor que lhe dedica diariamente.
Antes do jantar, passou no trabalho e deixou o belo presente devidamente acomodado no banco da frente de seu carro, não sem antes de se despedir do mesmo, com tratamentos dignos da mais linda jóia. “- Tchau, presentinho, aguarde um pouquinho que já já estarás devidamente acolhido nos braços da minha musa!”
Eis que estava Caninha na sua sala, trabalhando arduamente, quando alguém chegou ofegante lhe dizendo que alguém havia sido visto correndo após pegar algo de seu carro no estacionamento. Afoito, como se lhe faltassem pernas naquele cruel momento, Caninha saiu em disparada rumo ao seu automóvel e, para seu desespero, pôde constatar que o seu mimo havia sido seqüestrado por algum larápio cabasafado. Dizem que seu grito de desespero ecoou por boa parte do bairro. Como explicar à sua deusa, ela que já sabia do presente, o que havia acontecido? Fudeu, fudeu, fudeu... lamentava o indignado Caninha pelos cantos e escadas do seu local de trabalho. “- Amanhã cedinho compro outra almofadinha aveludadinha e faço tudo de novo! Prometo a mim mesmo!”

Ato 2 – Visão do larápio cabasafado

Lara, o larápio, estava desesperado pra passar a perna em alguém. Como ia chegar na casa de sua namorada de mãos vazias? O dinheiro que tinha no bolso mal lhe dava pra passagem do buzu. Eis que a sorte grande, tal qual fênix, lhe bateu à porta. Quando passou por um carro, viu a janela aberta e ali, no banco da frente, devidamente acomodado com os cuidados que se dá aos presentes mais valiosos, uma embalagem bastante recheada, pomposa, cujo bilhetinho pregado trazia escrito: “Ao meu grande amor, minha futura mulher e mãe dos meus filhos, o presente mais lindo que alguém jamais deu”! Surpreendido, o larápio meteu suas ágeis mãos no carro e partiu em disparada rumo ao ponto de ônibus mais próximo, sem jamais violar a preciosidade ali contida. Do jeito que estava daria pra sua namorada.
Já chegou na casa da patroa todo cheio de moral, chutando a porta, e dizendo em alto e bom som: “- Toma que é teu pôôôôôrraaaaaaaa! Nunca mais dirija a palavra a minha pessoa reclamando que eu não te dou presentes à altura!”. Quase desfalecendo de alegria, a namorada foi rasgando loucamente o papel e vendo aquela almofadinha aveludada em tom lilás com a foto do casal desconhecido, deixou transparecer a mudança de expressão da sua face. O larápio, assustado com aquela visão do inferno, pensou, agora arrombou tudo, que caralho de presente é esse? Ela perguntou: “ – Que cabrunco de casal é esse na foto?” , então Lara, o larápio, com a lábia que lhe é peculiar, mandou essa: “Ôxe, alienada, se você não conhece é problema seu, mais sei tudo sobre eles e já vi uns 7 filmes do casal” . Ela, envergonhada, disse “- É mesmo, agora estou reconhecendo... que lindo, amor, que coisa meiga!” E tiveram uma longa noite de amor regada a Vinho do Frei e kitute enlatado, frito na panela. Ao ponto.


Ato 3 – Visão da namorada de Caninha

Toca o telefone. Uma voz trêmula fala. “-Amor, aconteceu uma tragédia, roubaram seu presente!”. Ela: “- Não acredito! Logo ele?. Mas tudo bem meu bem, sua pochete com a nossa foto tá aqui guardada à sete chaves. No ano que vem você me dá outra tá. Beeeeijoos, te amo!” E tiveram uma longa noite de amor regada a milone e queijo coalho.

* Texto extraído do livro “As aventuras de Billy the kid, o sexual killer de Alagoinhas e outras histórias cabulosas de seus cruéis comparsas”.

segunda-feira, junho 09, 2008

MEUS problemas acabaram!!!

Os meus, os de Cleomar, Gilson Souza, Anderson Ribeiro, Paulo Lobo, Djenal Gonçalves....


sexta-feira, junho 06, 2008

Fé cega, faca amolada

Na última segunda-feira, 02, o deputado estadual Francisco Gualberto (PT) perdeu as estribeiras em discussão com o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Nivaldo Fernandes, e não contou dois tempos: puxou uma peixeira e ameaçou atravessar o bucho do sindicalista.

Até aí nada demais. Como bem disse a assessoria de imprensa do parlamentar, Gualberto “se exaltou um pouco, mas nada fora do comum”. Tá certo....

Agora, com o grau elevado de estrabismo do Chiquinho, eu quero ver é quem vai conter o pânico na Assembléia Legislativa....


Precavido que sou, ficarei sempre de frente para o Gualberto. Bem na direção do nariz. Duvido que ele me veja.

quinta-feira, junho 05, 2008

Fórmula do amor

Alguns passam a vida a se perguntar se existe amor. Outros, convictos de sua existência, remoem-se na tentativa de encontrar uma palavra, uma frase, uma imagem que possa mensurar, conceituar o sentimento.

Pois bem, o botecospício acaba com o dilema de todos. Eis a tão esperada resposta:
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Só não me venha, cambada de hipócritas, dizer que o amor é lindo.