Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

sexta-feira, junho 13, 2008

O crime do século em Aracaju

Djenal Gonçalves



Obs.: Para preservar a identidade das pessoas descritas abaixo, os nomes serão trocados. Qualquer semelhança com a realidade é mera realidade mesmo.

Ato 1 – Visão de Caninha

Caninha é um velho amigo meu de Alagoinhas, Bahia. Nem preciso explicar a razão do seu apelido carinhoso. Enquanto tiver uma loira na geladeira, ou fora dela, o cara não arreda o pé nem ca peste. Ainda bem! Apesar de toda manguaça, Caninha é um romântico inveterado, daqueles que não deixa passar um ‘Dia dos namorados’ sem presentear o amor da sua vida com presentes, segundo ele, super-criativos, que brotam da imaginação de seu coração apaixonado. Neste ano ele botou pra lascar, caprichou na produção. Foi no centro da cidade e comprou a mais linda almofada de veludo e mandou bordar uma foto sua ao lado de sua amada, como prova das eternas juras de amor que lhe dedica diariamente.
Antes do jantar, passou no trabalho e deixou o belo presente devidamente acomodado no banco da frente de seu carro, não sem antes de se despedir do mesmo, com tratamentos dignos da mais linda jóia. “- Tchau, presentinho, aguarde um pouquinho que já já estarás devidamente acolhido nos braços da minha musa!”
Eis que estava Caninha na sua sala, trabalhando arduamente, quando alguém chegou ofegante lhe dizendo que alguém havia sido visto correndo após pegar algo de seu carro no estacionamento. Afoito, como se lhe faltassem pernas naquele cruel momento, Caninha saiu em disparada rumo ao seu automóvel e, para seu desespero, pôde constatar que o seu mimo havia sido seqüestrado por algum larápio cabasafado. Dizem que seu grito de desespero ecoou por boa parte do bairro. Como explicar à sua deusa, ela que já sabia do presente, o que havia acontecido? Fudeu, fudeu, fudeu... lamentava o indignado Caninha pelos cantos e escadas do seu local de trabalho. “- Amanhã cedinho compro outra almofadinha aveludadinha e faço tudo de novo! Prometo a mim mesmo!”

Ato 2 – Visão do larápio cabasafado

Lara, o larápio, estava desesperado pra passar a perna em alguém. Como ia chegar na casa de sua namorada de mãos vazias? O dinheiro que tinha no bolso mal lhe dava pra passagem do buzu. Eis que a sorte grande, tal qual fênix, lhe bateu à porta. Quando passou por um carro, viu a janela aberta e ali, no banco da frente, devidamente acomodado com os cuidados que se dá aos presentes mais valiosos, uma embalagem bastante recheada, pomposa, cujo bilhetinho pregado trazia escrito: “Ao meu grande amor, minha futura mulher e mãe dos meus filhos, o presente mais lindo que alguém jamais deu”! Surpreendido, o larápio meteu suas ágeis mãos no carro e partiu em disparada rumo ao ponto de ônibus mais próximo, sem jamais violar a preciosidade ali contida. Do jeito que estava daria pra sua namorada.
Já chegou na casa da patroa todo cheio de moral, chutando a porta, e dizendo em alto e bom som: “- Toma que é teu pôôôôôrraaaaaaaa! Nunca mais dirija a palavra a minha pessoa reclamando que eu não te dou presentes à altura!”. Quase desfalecendo de alegria, a namorada foi rasgando loucamente o papel e vendo aquela almofadinha aveludada em tom lilás com a foto do casal desconhecido, deixou transparecer a mudança de expressão da sua face. O larápio, assustado com aquela visão do inferno, pensou, agora arrombou tudo, que caralho de presente é esse? Ela perguntou: “ – Que cabrunco de casal é esse na foto?” , então Lara, o larápio, com a lábia que lhe é peculiar, mandou essa: “Ôxe, alienada, se você não conhece é problema seu, mais sei tudo sobre eles e já vi uns 7 filmes do casal” . Ela, envergonhada, disse “- É mesmo, agora estou reconhecendo... que lindo, amor, que coisa meiga!” E tiveram uma longa noite de amor regada a Vinho do Frei e kitute enlatado, frito na panela. Ao ponto.


Ato 3 – Visão da namorada de Caninha

Toca o telefone. Uma voz trêmula fala. “-Amor, aconteceu uma tragédia, roubaram seu presente!”. Ela: “- Não acredito! Logo ele?. Mas tudo bem meu bem, sua pochete com a nossa foto tá aqui guardada à sete chaves. No ano que vem você me dá outra tá. Beeeeijoos, te amo!” E tiveram uma longa noite de amor regada a milone e queijo coalho.

* Texto extraído do livro “As aventuras de Billy the kid, o sexual killer de Alagoinhas e outras histórias cabulosas de seus cruéis comparsas”.

3 comentários:

Billy disse...

kkkkkkkkkkk...que viagem da pôa!
Esse Canelinha é phoda!

Eduardo disse...

kkkkkkkkk

Muito phodda o texto.

heauheauheaueauh

Rosana disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk