Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

segunda-feira, março 28, 2011

Declaração de amor a Aracaju



Texto: Cleomar Brandi
Imagens: Augusto Baiano e Miro Ribeiro
Narração: Evenilson Santana
Edição de imagem: Álvaro Müller e Leno Kravitz
Edição de texto: Álvaro Müller

quarta-feira, março 23, 2011

Suruba de incompetentes

Narciso se despede do Sergipe (Foto: Ascom/Sergipe)

Narciso veio ao Sergipe para dar uma rapidinha e se mandou. Chegou ao final de fevereiro com o seguinte discurso: "Sem ter a mesma estrutura, estou adorando esse trabalho. Tenho contrato até o fim do campeonato, no dia 10 de junho, mas há possibilidade de ser estendido". Menos de um mês depois, deixou o alvirrubro dizendo que 'esperou muito' para que a situação do clube melhorasse.

É no mínimo estranho que o mesmo homem que venceu a leucemia e transformou-se em exemplo de perseverança e superação no esporte tenha desistido do Sergipe tão rápido e fácil. Ou a passagem do Narciso pelo Vermelhinho esconde negociações espúrias, descumprimento de palavra, ou ele simplesmente aproveitou a primeira deixa - no caso, a falta de frutas e de um jantar para os jogadores -, para juntar as tralhas e correr em busca de um emprego melhor.
Mas a quem Narciso quis enganar com essa estória de falta de estrutura? A torcida? A imprensa? A si próprio? Talvez tenha sido reconfortante para ele alegar que esperou 'longos' 20 dias por mudanças num clube afundado em dívidas que, segundo a diretoria, somam mais de R$ 600 mil. Talvez. Mas o que Narciso não tem o direito é de tentar nos fazer acreditar que ele desconhecia a realidade que iria enfrentar no Estádio João Hora.

Está publicada no blog do jornalista Adel Ribeiro (www.adelribeiro.blogspot.com) a justificativa do ex-técnico do Sergipe para exigir mudanças em tão pouco tempo: "O futebol é dinâmico, não dá para ficar esperando". Ora, o que Narciso entende como 'dinâmico' eu entendo como volúvel e aposto que tenho razão, até porque não há nada de 'dinâmico' em deixar um clube precisando desesperadamente da vitória e às vésperas de um clássico contra o seu maior rival.

Certo mesmo é que, no frigir dos ovos, a rapidinha do Narciso com o Sergipe nada mais é que o retrato da falta de planejamento, também entendida como 'dinâmica' pela cartolagem local. Assim como o ex-santista, tantos outros treinadores já entraram e saíram, entraram e saíram, insistentemente, nessa suruba da incompetência que é o futebol sergipano. Narciso chega, Narciso vai embora. Fulano chega, fulano vai embora. Ciclano chega, ciclano vai embora. E o torcedor, infeliz, é quem fica só assistindo a orgia e sem sentir o mínimo prazer.

terça-feira, março 01, 2011

Cajus quebram os dentes


A Prefeitura de Aracaju comprou a ideia do artista plástico Fábio Sampaio e colocou 11 grandes esculturas, réplicas de caju, em pontos turísticos da capital que tem nome vindo do tupi ‘ará acaiú’ – ou seja, ‘cajueiro dos papagaios’. O projeto cultural ganhou o nome de Caju na Rua e também valoriza a arte sergipana. Cada fruto gigante tem o traço específico de um artista, dos retalhos de Hortência Barreto às charges do Edidelson. Bacana, não é? Mas há quem ache defeito.

Hoje de manhã um cidadão enviou mensagem para um programa de rádio, querendo saber se os artistas plásticos do Caju na Rua “já viram caju azul?”. A asneira, provavelmente encarada pelo ouvinte como crítica inteligente e recheada de ironia, foi lida na íntegra pelo apresentador, que depois ainda abriu espaço, caso algum artista ou responsável pelo projeto quisesse se pronunciar. Ninguém perdeu tempo, é claro. Eu, por tabela, aproveitei a deixa para sintonizar outra estação.

Vou dizer uma coisa: o povo não é brincadeira. Reclama de tudo e ainda encontra na mídia espaço para disseminar as teorias mais absurdas. Ouvinte e apresentador queriam o quê? Que os frutos de quase dois metros também tivessem ranço, como os cajus dos quintais? Pelo visto, é bom advertir que morder cajus gigantes não é recomendável, pode quebrar os dentes. E no mais, a depender da fonte de inspiração, o artista tem o direito de enxergar até cajus de neon e falantes. Respeitem a liberdade de criação, ora bolas!