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O doce gosto da amarga crítica

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Fazer uma boa crítica não é para qualquer um. O crítico por excelência tem de ser um exímio alquimista das palavras, capaz de dosar, com precisão cirúrgica, a cor e o cheiro, a essência e peso que toda palavra tem. A boa crítica não pode ser apenas persistente - precisa ser infalível, por mais que, nela, os escritos ganhem sabores muitas vezes indigestos ao gosto de quem a carapuça se acomode melhor. Alguém sempre sairá ferido, pelo menos, no ego. E no universo do futebol brasileiro não é diferente. Uma análise crítica bem fundamentada, obrigatoriamente provoca azedume ao paladar da cartolagem e adoça a boca e a alma do torcedor que, mesmo maltratado durante décadas de mandos, desmandos e incompetência, ainda sonha em ver a valorização do seu clube e, claro, do esporte. É justamente por este torcedor sofrido que o crítico tem a obrigação de desembainhar as palavras que forem necessárias. Nobres, quando para enaltecer o labor; chulas, quando para desmascarar ações igualmente chulas,...

Desespero tricolor

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Tudo bem que o Jahia não ganha nada há mais de uma década. Mas tentativa de suicídio já é demais. Se esse povo todo morre, eu vou sacanear quem?

Declaração de amor a Aracaju

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Texto: Cleomar Brandi Imagens: Augusto Baiano e Miro Ribeiro Narração: Evenilson Santana Edição de imagem: Álvaro Müller e Leno Kravitz Edição de texto: Álvaro Müller

Suruba de incompetentes

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Narciso se despede do Sergipe (Foto: Ascom/Sergipe) Narciso veio ao Sergipe para dar uma rapidinha e se mandou. Chegou ao final de fevereiro com o seguinte discurso: "Sem ter a mesma estrutura, estou adorando esse trabalho. Tenho contrato até o fim do campeonato, no dia 10 de junho, mas há possibilidade de ser estendido". Menos de um mês depois, deixou o alvirrubro dizendo que 'esperou muito' para que a situação do clube melhorasse. É no mínimo estranho que o mesmo homem que venceu a leucemia e transformou-se em exemplo de perseverança e superação no esporte tenha desistido do Sergipe tão rápido e fácil. Ou a passagem do Narciso pelo Vermelhinho esconde negociações espúrias, descumprimento de palavra, ou ele simplesmente aproveitou a primeira deixa - no caso, a falta de frutas e de um jantar para os jogadores -, para juntar as tralhas e correr em busca de um emprego melhor. Mas a quem Narciso quis enganar com essa estória de falta de estrutura? A torcida? A impren...

Cajus quebram os dentes

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Foto: http://www.sintese.org.br/ A Prefeitura de Aracaju comprou a ideia do artista plástico Fábio Sampaio e colocou 11 grandes esculturas, réplicas de caju, em pontos turísticos da capital que tem nome vindo do tupi ‘ará acaiú’ – ou seja, ‘cajueiro dos papagaios’. O projeto cultural ganhou o nome de Caju na Rua e também valoriza a arte sergipana. Cada fruto gigante tem o traço específico de um artista, dos retalhos de Hortência Barreto às charges do Edidelson. Bacana, não é? Mas há quem ache defeito. Hoje de manhã um cidadão enviou mensagem para um programa de rádio, querendo saber se os artistas plásticos do Caju na Rua “já viram caju azul?”. A asneira, provavelmente encarada pelo ouvinte como crítica inteligente e recheada de ironia, foi lida na íntegra pelo apresentador, que depois ainda abriu espaço, caso algum artista ou responsável pelo projeto quisesse se pronunciar. Ninguém perdeu tempo, é claro. Eu, por tabela, aproveitei a deixa para sintonizar outra estação. Vou dizer um...

Canuto e o cachorro brabo

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Pense num guri brabo!

Miniusina de Divina Pastora vira modelo nacional

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Agência Espacial Brasileira vai reproduzir tecnologia para o desenvolvimento sustentável da população de Alcântara, no Maranhão Representantes da AEB e do ITP visitam miniusina Fotos: Marcelo Freitas   Álvaro Müller Especial para o Jornal da Cidade Joel de Santana dedicou a vida inteira ao plantio da cana-de-açúcar. Na lida diária com a terra, fincou raízes familiares no município de Divina Pastora, a 39 quilômetros da capital sergipana, Aracaju. Hoje, aos 61 anos, assentado e dono de 25 tarefas, o vetusto agricultor não hesita na hora de explicar como sempre conseguiu dar de comer aos cinco filhos – quatro ainda morando com ele. “Criei cortando cana na terra dos outros, foi um tempo perdido. De uns 15 anos para cá, consegui comprar um pedacinho de terreno e já estou aposentado também, aí melhorou um pouco. Se eu tivesse essa terrinha antes, seria outro homem hoje, mas estou satisfeito. Aos pouquinhos a gente vai conquistando as coisas. Já vieram comprar minhas tarefas, ...

EXCLUSIVO: vídeo revela o que levou Kurt Cobain ao suicídio

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VOCÊ É HETERO?

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Um repórter resolveu fazer a seguinte enquete na Paraíba: você é heterossexual? Olha só a confusão que deu...

De ensinador a mestre-aprendiz

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Filósofo e sociólogo Pedro Demo diz que avanço das universidades depende de um novo perfil do professor              Pedro Demo: "Quem não é autor, não tem aula para ministrar" Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - Inep -, vinculado ao Ministério da Educação, são mais do que sintomáticos: a investigação científica ainda é uma prática insipiente no Brasil. Dos quase 321.500 professores do ensino superior, apenas 24% dos que trabalham em universidades possuem doutorado. Nas faculdades, este número cai para 9,24%. Na contramão das estatísticas, o filósofo e teólogo catarinense Pedro Demo, educador brasileiro de renome internacional, defende a importância do educar pela pesquisa, da academia enquanto centro de produção de um conhecimento cada vez mais mutável, discutível, passível de reconstrução, que garanta o aprendizado de alunos e mestres. "A universidade não pode limitar-se ...

Exorcismo no Confiança

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O primeiro passo para o Confiança reencontrar o caminho das conquistas em 2011 é exorcizar seu fantasma mais atormentador: a campanha de 2008. Esse discursozinho borra-botas do 'quase' é digno dos fracos. Deve ser sepultado, definitivamente esquecido. Não custa lembrar, as possibilidades de vitória existem para qualquer um que trabalhe com seriedade, coisa que o Dragão não fez na tal campanha, ainda hoje venerada por dirigentes e parte da torcida proletária. Tudo bem, a equipe de 2008 quase chegou à Serie B do Brasileirão. Ao final da Serie C, a diferença entre o Confiança e o quarto colocado, Duque de Caxias, era de um mísero ponto. Mas a frieza da estatística não exprime a forma humilhante como o Dragão do Bairro Industrial caiu em desgraça, desceu do céu ao inferno em tão poucos jogos. Na fase decisiva da Serie C de 2008, o Confiança chegou até a liderar, mas desmereceu o apoio maciço da torcida proletária; priorizou a indisciplina, as panelinhas; cavou a própria cova; pedi...

“Quem para de competir no Brasil vira bagaço de laranja”

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Medalhista ol í mpico no salto triplo, Nelson Prudêncio é a prova de que o brasileiro precisa pular a falta de incentivo e de políticas eficientes para se imortalizar na história do atletismo Os Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1968, eternizaram uma das mais memoráveis disputas pelo ouro de todos os tempos. Era a final do salto triplo. Na briga pelo lugar mais alto do pódio, o recorde mundial foi quebrado nada menos do que nove vezes. Entre os competidores, o brasileiro Nelson Prudêncio, à época com 24 anos, saltou 17,27 metros, viveu a alegria de ser recordista e, logo depois, foi superado por Viktor Saneyev. Com 17,39 metros, o soviético ficou com o recorde mundial e o ouro. Prudêncio, com a honrosa prata. Quatro anos depois, nas Olimpíadas de Munique, então Alemanha Ocidental, Prudêncio voltou a ganhar mais uma medalha, desta vez de bronze, e cravou definitivamente seu nome na história do atletismo. Somadas a dois vice-campeonatos nos Jogos Panamericanos – Winnipeg, em 19...

Craques sem rédea

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No País do futebol e da impunidade, todo craque de bola tem direito a fazer o que bem entende fora das quatro linhas: infringir leis, provocar confusões, protagonizar cenas de violência e desrespeito e depois sair ileso, sem qualquer tipo de punição à altura do ato absurdo que cometeu. A peleja entre o atacante Neymar, dos Santos, e o então técnico do Peixe, Dorival Júnior, é sintomática. Sentindo-se dono do time e da bola, Neymar não aceitou a ideia de passar a vez para que um colega de equipe cobrasse o pênalti contra o Atlético Goianiense. Dedo em riste, achincalhou o treinador, os colegas de profissão e, por tabela, a torcida do Peixe. O agredido Dorival Júnior foi demitido do Santos, duas rodadas depois, por anunciar que sacaria Neymar da partida contra o Corinthians. Numa tentativa de restabelecer um pouco de ordem e respeito na Vila Belmiro, acabou crucificado. Já o agressor Neymar levou uma multazinha de R$ 50 mil – para ele esta quantia é uma multazinha mesmo – e retornou ao...

E depois que esta propaganda apareceu na livraria...

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1) Católicos passaram a engolir a hóstia de forma mais fervorosa e três vezes ao dia; 2) Gays empunharam faixas: "Nem só as mulheres são comestíveis!"; 3) O movimento feminista foi às ruas: "Mulher não é produto de consumo!" 4) Donos de prostíbulos venderam o peixe: "Aprecie sem moderação"; 5) E o sujeito que escreveu esta propaganda foi excomungado e perdeu o emprego (deveria ter perdido o diploma) * A dica da propaganda é do professor Antônio Santana. Valeu, "Santanovsky"!

É proibido xingar

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“É proibido xingar/ diz um estatuto que eu li/ é proibido xingar/ pois os homens vão te pegar!”. Em pleno Século XXI, só me faltava essa: censura, mordaça no torcedor de futebol. Dizer impropérios no estádio virou caso de polícia. O juiz marcou um pênalti inexistente contra seu time, o assistente anulou um gol legítimo em plena final de campeonato, a torcida adversária provoca a todo instante? Aguenta coração! E aguenta calado! Se xingar, vai em cana, vagabundo! O mais engraçado disso tudo é que a lei foi sancionada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, torcedor ferrenho do “Curinthia” e apegado à linguagem popularesca como ninguém. Me poupe, viu. Esqueceram que o xingamento faz parte da cultura popular. 'Filho da puta', por exemplo, pode fazer referência até mesmo aos nossos melhores amigos, com quem temos um grau elevado de intimidade. Mas na arquibancada é crime? Façam-me o favor! Acho que os fazedores de leis deste país deveriam se preocupar em simplificar a lingua...

Massa reduz e a hipocrisia avança

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Uma mensagem por rádio, uma reduzida e pronto. O piloto brasileiro Felipe Massa, nossa maior representação na Fórmula 1, virou vilão, frouxo etc. etc. etc. Na terra dos campeões Fittipaldi, Senna e Piquet, Massa desceu de esperança a vergonha nacional. Caiu em desgraça. A Ferrari, então, ganhou a insígnia da antiética, da antidesportividade. Pura hipocrisia. A Fórmula 1 há muito, mas muito tempo deixou de ser uma disputa entre pilotos. Virou peleja entre equipes, entre engenheiros. Diferentemente do futebol, esporte demasiadamente humano em que a decisão de uma partida ou campeonato está exclusivamente nos pés dos melhores atletas, na Fórmula 1 geralmente é o carro quem decide. Mérito para quem trabalha nos bastidores. Na pista, quem conduz a máquina é refém dela. Todo mundo sabe disso, inclusive os fãs da Fórmula 1. A mensagem recebida por Felipe Massa escancara uma situação cotidiana de um esporte milionário, que gera um oceano de dólares, euros investidos e que exigem retorno....

O governador tuiteiro

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Sábio o governador Marcelo Déda. Candidato à reeleição em Sergipe, aproveita o período de campanha para marcar presença forte no twitter. Astuto que só ele, pouco fala sobre política e muito menos se indispõe com oposicionistas. Ao contrário do que faz a maioria dos parlamentares ou postulantes, Déda aproveita a mais badalada ferramenta das redes sociais para expressar sentimentos, sensações, desejos comuns aos cidadãos mais simples. Aproxima-se ainda mais de eleitores de carteirinha e cativa novos eleitores. “Ontem resolvi matar a saudade da pipoca de S. Dias durante a procissão. Fui com tanto gosto que quebrei o dente e tô rindo de banda...Rsrsrs”; “À tarde irei pedir socorro ao Dr. Déda, meu primo e dentista dos bons! O problema é que ele me sacaneia e fica testando meu medo do motor...”; “Bom vou, almoçar. O pessoal aqui de casa tá reclamando que eu tiro o horário do almoço pra tuitar e a comida esfria! Até logo!”. Este é o tom das mensagens de Marcelo Déda, ou melhor, de @Marc...

Opressão da pedagogia

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Educadores infantis são desvalorizados dentro e fora das escolas particulares de Sergipe “Qual é a sensação de se sentir tão desvalorizada?”. A pedagoga ouve atentamente à pergunta; ergue ligeiramente um olhar confuso e distante de quem busca a explicação menos dolorosa; embaraça e desembaraça os dedos das mãos, no afã de acomodar o desgosto. E desabafa. “É desconfortável demais, principalmente porque sei que sou uma boa profissional. Se não o fosse, não estaria na mesma empresa há tanto tempo”. A pedagoga não é da rede pública. Ao contrário, trabalha há cerca de dez anos em uma das mais conceituadas e caras escolas particulares da capital. É professora da educação infantil e dedica oito horas diárias da sua vida a ensinar crianças com idades entre 1 ano e 8 meses e 5 anos. Por tudo isso, recebe um salário-base indigno para qualquer profissão, sobretudo a de educador, formadora de todas as outras: quinhentos e poucos reais, equivalentes – que ironia – à mensalidade de um só aluno. ...

Nem todo soco no Santa Maria é violência

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Foto: Portal Infonet A comunidade do bairro Santa Maria, um dos mais violentos de Aracaju, ganhou através do esporte a oportunidade de enxergar-se de uma forma bem diferente da que costuma esquentar os noticiários policiais. É do Santa Maria a atleta sergipana de maior expressão na atualidade. Aos 17 anos, a pugilista Mirele Cruz, campeã nacional na categoria até 46 quilos e representante de Sergipe na Seleção Brasileira de Boxe, é mais do que uma vencedora. É o exemplo de que a violência pode ser lapidada para o bem, transformada em dignidade e perspectiva de futuro profissional. Basta que as oportunidades sejam criadas. Mirele tinha tudo para engordar as estatísticas do desemprego ou mesmo da Secretaria de Segurança Pública. Tinha tudo para ser mais um ser humano algemado e de olhar voltado para o chão, exposto nas páginas policiais. Filha de um ex-presidiário e uma alcoolista, conviveu com a violência desde cedo, dentro de casa. Pediu esmolas, passou oito anos da sua infância em...

Naquela mesa tá faltando eles

O Treze da Paraíba é hoje o líder do Campeonato do Nordeste com 19 pontos. O Confiança, na nona colocação, tem 10. Parece mentira, mas apesar de distantes na tabela, as duas equipes marcaram o mesmo número de gols: 16. O que distancia o Galo da Borborema do Dragão do Bairro Industrial é o saldo de gols contra. O Treze sofreu 11; o Confiança, 18. O time proletário tem a segunda defesa mais vazada da competição, superando apenas o Sergipe, que já teve a rede balançada 19 vezes e “coincidentemente” está na última posição. Cálculo simples, raciocínio elementar. Por mais que o sistema ofensivo do Confiança faça a sua parte, por mais que o centroavante Cristiano Alagoano permaneça na artilharia do Nordestão, a defesa azulina joga qualquer pretensão da equipe pelo ralo. E se é assim numa competição em que times como Sport e Vitória não estão dando muita importância, também pode ser na Série D do Brasileirão. Mas a matemática da diretoria e do treinador do Confiança é meio diferente. Diante ...